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Cister, Sobrado dos Monxes-3

Rota de Cister na Galiza

À procura do silêncio e da contemplação

Com duas dezenas de amigos, realizámos uma Rota por cinco mosteiros da Ordem de Cister, na Galiza. Neste percurso, feito no início de Outubro, visitámos cinco mosteiros cistercienses (Poio, Armenteira, Sobrado dos Monxes, Oseira e Oia), com as suas igrejas, capelas, claustros, salas capitulares, refeitórios e alojamentos, e também duas catedrais (Santiago de Compostela e Lugo).

Em cada um destes espaços, descobrimos particularidades, modos de vida muito diferentes dos atuais, que nos fazem pensar como se articulam os hábitos e horários medievais, enxertados com as modernas tecnologias do nosso século XXI.

Foi uma oportunidade de, enquanto amigos, nos revermos, de prosseguirmos conversas inacabadas, que vêm dos tempos passados, e retomar alguma da antiga normalidade que nos foi retirada, nestes tempos únicos e difíceis que a covid-19 nos veio trazer.

É comum dizer-se que todos precisamos de silêncio, de tempos de interiorização e de contemplação. Habitualmente, falamos destas necessidades quando avaliamos as nossas vidas, quando passamos em revista as nossas carreiras, no trabalho, na sociedade e na família. Aqui, primeiro, com o apoio ao crescimento dos mais novos e depois na assistência aos mais velhos. E não esquecemos que em tudo isto temos em conta todas as interações que fazemos com tudo o que na nossa sociedade nos rodeia, como os familiares, os amigos, os colegas de trabalho.

E para os que já estão na reforma, esta fase da vida é aquela que se pretende que seja diferente, da anterior do trabalho intenso, e em que dizemos “finalmente, vou ter um tempo para mim”. Desejamos que esta seja uma época com tempo para muitas leituras, viagens, visitas e também, com alguma meditação e contemplação.

Queremos uma vida sem horários, para fazer o que não houve oportunidade para concretizar, mas verificamos que muitos se voltam a queixar de que ainda lhes falta de tempo para tudo.

Vão-se arranjando muitas, e válidas justificações, para explicar tudo isto, mas a sensação de que falta alguma coisa, mais profunda, continua a atormentar.

Quando refletimos sobre isto, do pouco destaque que na nossa vida tem tido a oração, o silêncio, a contemplação, procuramos corrigir essa nossa trajetória, e prometemos (a todos os santinhos), que a partir de agora é que será diferente. Anunciamos, solenemente, que estamos dispostos a ter uma forma de vida que contemple todas estas valências, que consideramos muito necessárias para o nosso equilíbrio.

É certo que, ao longo dos anos, as nossas opções e prioridades foram mudando, mas isso sabemos que se deve às várias circunstâncias que rodearam a nossa vida.

Apesar dos constrangimentos ainda vigentes, somos continuamente desafiados para múltiplas tarefas e muitas vezes simultâneas, que não nos dão espaço para fazer uma escolha, que queremos que seja acertada. Se optamos por uma, ficamos com pena de não termos optado pela outra.

É uma constante insatisfação.

Nas visitas a estes mosteiros, deparámo-nos com este confronto, mas também complementaridade. Queremos silêncio e contemplação, mas também sentimos falta de algum movimento e ruído.

 

Ana Maria Nunes Gonçalves é farmacêutica; António José Boita Paulino é engenheiro eletrotécnico.

 

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