A que nos inspira a encíclica Laudato Si’? Vaticano sugere 200 medidas práticas

| 23 Jun 20

Clima. manifestação. Nova Iorque.

Marcha pelo clima, em Setembro de 2019, em Nova Iorque, com cerca de 60 mil jovens: “Não podemos voltar para trás e o documento do Vaticano pretende dizer como avançar. Foto © Marcelo Schneider/WCC

 

“E nós, o que devemos fazer?”, era a questão que, para muitos, surgia na conclusão da leitura da encíclica Laudato Si’, sobre cuja publicação acaba de se passar o quinto aniversário. Para assinalar a data, diversas entidades do Vaticano trabalharam em conjunto e divulgaram na passada quinta-feira, 18 de Junho, um documento com as respostas: trata-se de um manual com mais de 200 recomendações práticas que pretendem que a encíclica ecológica e social do Papa Francisco saia do papel e se transforme em ações concretas.

“A caminho para o cuidado da casa comum – Cinco anos depois da Laudato Si’” é o título do documento (para já, disponível em italiano), coordenado pela mesa interdicasterial da Santa Sé sobre a ecologia integral, e que apresenta a “sobriedade”, o “consumo responsável” e o “uso de energias renováveis” como chaves para uma mudança na relação das pessoas com a natureza.

Entre as ações sugeridas às comunidades católicas de todo o mundo, estão a abolição do uso de plásticos descartáveis, a partilha de veículos, a opção por um consumo “crítico e circular” e a dinamização de ações de formação sobre a ecologia, bem como a promoção de um maior contacto com a natureza entre os mais jovens.

No documento, o Vaticano apela ainda a uma economia com menor impacto ambiental, sem subsídios para empresas que utilizem energias fósseis e com aplicação de taxas para as emissões de dióxido de carbono.

Há também propostas no âmbito da saúde e defesa da vida, e ainda em relação à dimensão espiritual, onde se sugere a colaboração entre as diversas igrejas e comunidades religiosas para encorajar um “estilo de vida profético, contemplativo e sóbrio”. As questões ecológicas deverão ser incluídas no ensino da Igreja Católica, da catequese às universidades. A estas últimas, pede-se um investimento no estudo sobre as alterações climáticas.

O documento já foi aplaudido pelo Movimento Católico Global pelo Clima. “É um marco importante que o Vaticano tenha publicado as primeiras orientações práticas da Igreja Católica para pôr em prática os princípios da encíclica Laudato Si’”, afirmou o diretor executivo da organização, Tomás Insua. “O nível de detalhe das diretrizes é notável e profético.”

 

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