
Patriarca Cirilo usa argumentação do Governo de Vladimir Putin. Foto © Ivars Kupcis/WCC-CMI.
A Rússia é um país “amante da paz”, disse este domingo, 3 de abril, o patriarca de Moscovo, Cirilo, durante uma celebração litúrgica na catedral das Forças Armadas, acrescentando: “Nós de modo algum lutamos pela guerra ou fazemos qualquer coisa que possa prejudicar os outros.” O chefe da Igreja Ortodoxa Russa falava para grupos de militares de homens e mulheres russos, a quem pediu que defendam o seu país “como só os russos podem” fazer.
Como recorda a agência Reuters, numa notícia deste dia 3, desde o início da invasão da Ucrânia, o Patriarca Cirilo fez várias declarações a defender as ações de Moscovo e a apresentar a guerra como um baluarte contra uma cultura liberal ocidental que considera decadente.
Numa alusão à guerra que a Rússia alimenta na Ucrânia e da qual foram conhecidas novas matanças de civis perpetradas pelas forças russas na localidade de Bucha, Cirilo limitou-se a manifestar uma preocupação genérica pelas pessoas afetadas pelo conflito armado, repetindo aquilo que tem dito: “Todas são pessoas da Santa Rússia. São nossos irmãos e irmãs”.
A Catedral das Forças Armadas foi inaugurada há dois anos em Kubinka, subúrbios da capital russa. Concilia o estilo da arquitetura monumental religiosa com novas linguagens e novos materiais. Logo em 2020 estalou uma polémica por causa de fotos que mostravam um mosaico em fase de acabamento no qual se viam figuras como Putin ou Estaline. A Igreja Ortodoxa ainda ensaiou uma explicação dos motivos, mas a verdade é que o mosaico nunca foi instalado.
Em entrevista à Rádio Renascença e à Ecclesia, o padre Duarte da Cunha, antigo secretário do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE), disse que a posição do Patriarcado de Moscovo perante a guerra na Ucrânia se tornou “insustentável”. Apesar de sublinhar que, nas Igrejas Ortodoxas, a relação entre Igreja e Estado é “muito mais estreita do que no mundo ocidental”, o antigo responsável do CCEE disse esperar que Cirilo “fosse um grande” defensor da paz”, o que não se tem verificado. “Vejo-o com uma posição muito insustentável”, insistiu.









