«A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo. Sempre as considerou, e continua a considerar, juntamente com a sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé.»
(II Concílio do Vaticano, Dei Verbum, 21)
Congratulo o arciprestado de Esposende por, em boa hora, ter dedicado as Conferências Quaresmais deste ano à Constituição Dogmática Dei Verbum, do II Concílio do Vaticano, sobre a Palavra de Deus. Para Rino Fisichella, «a Dei Verbum é o mais belo documento do Concílio Vaticano II». Não creio que a vossa escolha se tenha concretizado depois de consultar uma espécie de “concurso de beleza” dos documentos conciliares. Para tal decisão, imagino, terá concorrido o facto de, em 2025, termos celebrado os 60 anos da sua aprovação.
Talvez por ser a conferência final, atribuístes-me o tema «A Sagrada Escritura na vida da Igreja», que corresponde ipsis verbis ao título do capítulo VI, o último, da Dei Verbum. Além disso, para que eu melhor me cingisse aos vossos objetivos, associastes as palavras transcritas em epígrafe, que fazem parte do primeiro número deste capítulo. David Palatino, num pequeno livro publicado em janeiro deste ano, com o título Comentário à Dei Verbum, atribui-lhe um destaque especial: «O capítulo VI é um dos maiores contributos para a renovação pós-conciliar em matéria bíblica, dando um passo em frente para a Escritura se afirmar, definitivamente, como alma da vida pastoral». Tendo isto presente, procurarei explanar apenas duas grandes temáticas, a veneração das divinas Escrituras e a arte de as ler, que, pela mesma ordem, desdobrarei cada um delas em três alíneas. É verdade que, atendendo ao que refiro na conclusão, poderia explorar mais temas; penso, todavia, que estes dois, dada a sua extensão, serão suficientes para desenvolver com a profundidade que merecem.

Detalhe de escultura de Evangelista no claustro da basílica de S. Paulo Extramuros, Roma: «A Dei Verbum é o mais belo documento do Concílio Vaticano II.» Fotografia © Joaquim Félix
I. Venerar as divinas Escrituras
Profundo respeito! Sim, a Palavra de Deus é um despertador de atenção. Acorda-nos para a luz que, desde o silêncio, o mais profundo silêncio, imunda a nossa sede auroral. Cala-nos na admiração. Cheia de auroras, das matinais às boreais, ela envolve-nos com balbuciantes rumores divinos. As suas sílabas criadoras de mensagens, simultaneamente claras e misteriosas, empalavram o mundo. Semanticamente coloridas e fragantes, as suas frases vestem de sentidos a criação inteira, renovada de beleza em beleza, segundo o mistério de Deus. Passando por nós, Deus dirige-nos sempre a sua Palavra. Mesmo nos seus gestos não-verbais, o seu olhar, de perfil ou encarado, cobre-nos de bênção. Saúda-nos. Não é mal-educado, passando adiante, sempre agarrado às redes da comunhão social e da relação trinitária. Eis porque, cuidando a reverência pela Palavra de Deus, para ela devotamos uma imensa consideração e honra. Por isso, para ela, poderíamos dizer, exclamando: «Tu, ó Palavra, és a alma dos ouvintes! Para ti é a mais alta estima!».
Onde, do ponto de vista teológico, se fundamenta a reverência à Palavra? O Papa Bento XVI, na exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini, ao referir-se à Palavra de Deus na vida e missão da Igreja, assinala que essa reverência se deve à sua sacramentalidade (cf. VD 56-57). Que quererá isto significar? Donde provirá essa dimensão da Palavra? Ele mesmo o aclara, depois de evidenciar o horizonte sacramental da revelação do mistério de Deus: «Daqui se compreende que, na origem da sacramentalidade da Palavra de Deus, esteja precisamente o mistério da encarnação: “o Verbo fez-Se carne” (João 1, 14), a realidade do mistério revelado oferece-se a nós na “carne” do Filho. A Palavra de Deus torna-se percetível à fé através do “sinal” de palavras e gestos humanos. A fé reconhece o Verbo de Deus, acolhendo os gestos e as palavras com que Ele mesmo se nos apresenta» (VD 56). É, aliás, um sinal que melhor se lê a partir do próprio mistério eucarístico. Deus, na incarnação do Verbo, passa a ser Emanuel, Deus connosco. Faz-se fala, a fala da carne, em Jesus. Audível e escutante, faz-se diálogo.

Jovens em oração na capela Cheia de Graça, Braga: «Tu, ó Palavra, és a alma dos ouvintes! Para ti é a mais alta estima!» Fotografia © Nelson Garrido, cedida pelo autor.
As Escrituras e o Corpo do Senhor
Considerada esta paridade sacramental, segundo a economia da revelação, os padres conciliares sublinharam um antigo princípio, colhido na época patrística: «A Igreja venerou sempre as divinas escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não deixando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o pão da vida, quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo» (DV 21). Será que a Igreja venerou sempre a Palavra de Deus como o fez para com o Pão e o Vinho consagrados na oração eucarística? Admitindo que outrora o tenha feito, atualmente, isso não é óbvio. Sem julgar intenções, mas avaliando pelas atitudes, não parecerá que se presta maior veneração aos dons eucarísticos do que à Palavra de Deus? Transportamos os vasos eucarísticos com grande piedade; ajoelhamos ao abrir e fechar o sacrário e, também, ao passar diante do tabernáculo; abrimos as palmas das mãos como quem recebe algo precioso na comunhão; usamos a custódia, o incenso e abundância de flores, na adoração e no Lausperene; cobrimo-lo com a umbela e o pálio, nas procissões; entre outras formas de devoção, dentro e fora da celebração do mistério eucarístico. Dispomos, inclusive, de ministros extraordinários para o serviço da comunhão na celebração das missas e levar o Pão da vida aos ausentes, idosos e doentes. Pergunto, porém, em relação à Palavra de Deus: Será que a honramos com gestos equiparáveis de reverência? É verdade que, por vezes, também usamos o incenso e os círios, na proclamação do Evangelho. E os ministros que o proclamam, no final, beijam-no. Escutámo-lo de pé. E, embora raramente, além de proclamado, é cantado. Ainda assim, insisto em perguntar: Cuidaremos dos livros que contêm a Palavra de Deus, da sua corporeidade e do seu serviço com aquela reverência que é devotada ao Corpo do Senhor? Será que a escutamos, com o sentido de presença do Senhor, à cadência de cada palavra lida ou proclamada, como em cada partícula do Pão ou gota de Sangue consagrados O reconhecemos, tomamos e veneramos?
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Atendendo a certos comentários feitos por Padres da Igreja, constatamos que tal veneração corresponderia a um princípio assumido, cuja verificação prática, por vezes, admitia dificuldades em relação à veneração da Palavra, devida, por exemplo, à falta de cuidado na sua escuta. Isso mesmo depreendemos, por exemplo, do comentário sobre o Salmo 147, tecido por S. Jerónimo: «Lemos as Sagradas Escrituras. Eu penso que o Evangelho é o Corpo de Cristo; penso que as santas Escrituras são o seu ensinamento. E quando Ele fala em “comer a minha carne e beber o meu sangue” (João 6, 53), embora estas palavras se possam entender do Mistério [eucarístico], todavia também a palavra da Escritura, o ensinamento de Deus, é verdadeiramente o corpo de Cristo e o seu sangue. Quando vamos receber o Mistério [eucarístico], se cair uma migalha, sentimo-nos perdidos. E, quando estamos a escutar a Palavra de Deus e nos é derramada nos ouvidos a Palavra de Deus, que é carne de Cristo e seu sangue, se nos distrairmos com outra coisa, não incorremos em grande perigo?»
Por outras palavras, também Orígenes, na Homilia 13 sobre o Êxodo, quando persuadia os seus ouvintes a adotar atitudes semelhantes em relação ao Corpo do Senhor e à sua Palavra, usou termos semelhantes: «Vede se “concebeis”, se fixais as palavras divinas, não aconteça que as deixeis escapar das mãos e elas se percam. Quero exortar-vos por meio de exemplos tomados dos vossos hábitos religiosos. Vós que participais habitualmente nos divinos mistérios, sabeis com que precaução respeitosa recebeis o Corpo do Senhor, quando vos é entregue, não seja que uma parcela do mesmo caia ao chão e se perca uma parte desse tesouro consagrado. Com razão vos julgareis culpados, e tendes razão para isso, se, por vossa negligência, se perdesse um pouco (desse pão). Se tendes tanto cuidado em guardar o seu Corpo, e com razão, porque havíeis de pensar que é menor sacrilégio negligenciar a palavra de Deus do que o seu Corpo?» Como salienta David Palatino, num comentário ao número 21, «ao recuperar algumas imagens da Patrística, nomeadamente esta ideia de que, à semelhança da Eucaristia, também a Escritura é “Corpo do Senhor”, a Dei Verbum volta a recuperar a centralidade da Escritura na vida eclesial, sem se preocupar com as acusações de protestantização de que foi (e é) alvo».

Escultura de Mimmo Paladino, Hortus Conclusus, Benevento: «Porque havíeis de pensar que é menor sacrilégio negligenciar a palavra de Deus do que o seu Corpo?» Fotografia © Joaquim Félix
Sinais de reverência
Enquanto sinais de reverência para com as divinas Escrituras, eles ajudam a reconhecer o seu valor e a sua centralidade na vida da Igreja. Tornam-no mais manifesto. Podendo fazer-se de outras formas, estou persuadido de que será muito oportuno, pelo menos ao domingo, nas solenidades e nas festas, integrar o Evangeliário na procissão de entrada. No livro que caminha um pouco elevado sobre a cabeça do diácono ou do acólito, a Palavra de Jesus coloca aqueles que para ele olharem em ritmo pascal. Ao som do cântico de entrada, ele gera, de antemão, expectativas pelo conteúdo da Palavra que Jesus vai dirigir. Sentimo-nos acompanhados no nosso êxodo e na subida para Jerusalém. Atravessando o corpo da assembleia, sujeito celebrante da ação litúrgica, o livro eleva-se como uma língua de fogo a reacender a memória da aliança entre Deus e o seu povo, na mútua fidelidade. Palavra em movimento, é ela que nos desloca e, curando-nos as paralisias, nos leva a cantar os salmos das nossas subidas à mesa, «quer da mesa da palavra de Deus quer da do Corpo de Cristo» (DV 21). Outra possibilidade, como recordou o pe. Sílvio Couto, tendo por base essa experiência no Sul de Portugal, é a inclusão da Bíblia nas procissões exteriores, pelas estradas e ruas das comunidades.
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Que beleza habita os livros da Palavra de Deus? Outrora, os códices manuscritos eram ricamente iluminados. Sobressaem as bíblias, que chegaram a ser livros litúrgicos, mas também os lecionários e, sobretudo, os evangeliários. No interior, a Palavra passeava-se por entre um jardim de delícias, com aves, animais e plantas; no exterior, as encadernações eram profusamente encastoadas com corais, pedras e metais preciosos. Os livros estimavam-se como autênticos tesouros a espelhar os valores da Palavra divina. Atualmente, procura-se valorizar este tipo de sinais que podem despertar, ainda mais, a veneração à Palavra de Deus. D. João Marcos, por exemplo, executou as ilustrações que enriquecem o Evangeliário em língua portuguesa (Evangeliário 1999). No que ao livro dos Evangelhos respeita, é necessário louvar, também, a ilustração do novo Evangeliário ambrosiano, de Milão, que foi enriquecido por um grupo de prestigiados artistas: pelos pintores Mimmo Paladino, Nicola De Maria, Ettore Spalletti, Nicola Samorì e Nicola Villa; e, ainda, pelo fotógrafo Giovanni Chiaramonte.

Fotografia © Joaquim Félix
Na diocese de Braga, no âmbito da ilustração dos livros litúrgicos, teremos acesso, dentro de pouco tempo, a uma agradável surpresa. Trata-se concretamente do Próprio de Braga que, além das orações presidenciais, possui leituras bíblicas. Esta nova edição, já aprovada pelo Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, apresenta-se com uma contribuição artística fora do comum: cada memória, festa ou solenidade possui uma pintura da autoria do padre Nuno Branco sj. As paróquias poderão dispor deste belo livro, cuja valorização, com cores e linhas segundo uma estética de alta qualidade, no quadro das expressões contemporâneas, poderá ser mais um contributo para a veneração da Palavra do Senhor e, bem assim, para a devoção aos santos e santas do calendário bracarense. Felizmente, sendo um investimento de alcance exemplar, ele vem juntar-se à reconhecida qualificação das encadernações dos evangeliários em uso, por exemplo, nas celebrações litúrgicas da catedral e do Seminário Conciliar de Braga, obras do atelier do Mosteiro de S. Bento de Singeverga, em Santo Tirso.

Encadernação de Evangeliário realizada no atelier do Mosteiro de S. Bento de Singeverga, em Santo Tirso. © Fotografia: Joaquim Félix
Da lâmpada eterna
A evidenciação da paridade sacramental, segundo a economia da revelação, que levou os padres conciliares a salientar o princípio patrístico, que sustenta que «a Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor» (DV 21), poderá fazer-se, entre outros modos, através do uso de uma lâmpada acesa junto do ambão, com o lecionário aberto, por exemplo, no Evangelho do dia. Por vezes, vemos em várias igrejas um costume parecido, mas que, na verdade, raia uma desqualificação da Palavra de Deus. Qual? A colocação de uma estante junto do ambão com uma Bíblia geralmente aberta. Só que, neste caso, a Bíblia mais parece um adorno. E a Bíblia, por melhores ilustrações que possua, jamais poderá reduzir-se a um ornamento. Algo bem diferente é colocar uma lâmpada acesa junto do lecionário aberto sobre o ambão, tal como se conserva a lamparina junto do sacrário.
A propósito deste sinal, que pode potenciar a veneração da Palavra de Deus, como se venera o Corpo do Senhor, escrevi uma carta ao monsenhor Crispino Valenziano, eminente liturgista siciliano, que, infelizmente, morreu há poucas semanas. Decorria o ano de 2017. Estava por essa altura em reabilitação a capela da Imaculada, no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga.
Para que melhor pudesse fazer o discernimento da realidade, enviei-lhe várias fotografias e fiz uma breve apresentação: «O ambão foi colocado quase no centro espacial da ilha-bema, do lado Este, que é, o lado do sol nascente. Note-se que a igreja não é uma construção versus orientem. A Palavra de Deus que cria uma centralidade, um povo, uma assembleia, em escuta. Para valorizar o lugar, o ambão foi elevado sobre um supedâneo em pedra. Estamos a pensar colocar uma lâmpada de luz natural, sempre acesa como acontece junto do Tabernáculo. Sobre o ambão permanece o livro da Palavra de Deus, aberto e no Evangelho do dia».

Lamparina sempre acesa junto do ambão da capela da Imaculada, Braga, com o Lecionário aberto no Evangelho do dia Fotografia © Nelson Garrido, cedida pelo autor.
Feita a apresentação, coloquei-lhe a seguinte questão: «O que é que nos pode dizer acerca do lugar do ambão? E desta valorização da Palavra de Deus, com o mesmo sinal da lâmpada eterna junto do Tabernáculo?» De forma clara, respondeu-me ele, numa carta que conservo religiosamente: «É uma coisa que convence situá-lo quase no centro espacial do questroma, colocando os leitores e o diácono de costas para o Altar voltados para a entrada: nem mais nem menos aí aonde o Ambão estava nos seus começos, e hoje quando os instrumentos técnicos disponíveis permitem ultrapassar por si antigos inconvenientes, sem a preocupação se estão de face, se de costas se de lado, etc. E convence-me a vossa “lâmpada a luz natural”, porque já em 787 o Concílio Niceno II afirma que o Ambão com o Evangeliário no seu atril “fala também quando na Aula não está ninguém presente” (assim como a presença eucarística no nosso “recente” tabernáculo)».
É uma despesa acrescida? É. Valerá o investimento? Estou persuadido de que sim. Mais económica é, no entanto, a forma como se ilumina dia e noite o lecionário, aberto também no Evangelho do dia, no interior da capela Árvore da Vida, no Seminário Conciliar de Braga. Neste caso, na mesa plana do ambão, encontra-se uma lâmpada, de apenas um led, a derramar a sua luz vertical sobre o lecionário. De noite, não é necessário acender mais nenhuma lâmpada para iluminar o interior da capela, pois a luz refletida nas páginas da Palavra de Deus é suficiente para criar uma atmosfera, quase mística, sem excessos de luminosidade. Por vezes, veem-se os habitantes da comunidade a ler o Evangelho ou as outras leituras da missa, inclusive o Salmo. Já vi gente com as lágrimas a banhar o rosto, alegrando-se com o esplendor da Palavra durante a noite. Por este sinal, tão exaltado na sua humildade por Romano Guardini, nos Sinais Sagrados, a Palavra de Deus fala no silêncio como Luz do Cordeiro Pascal, eternamente acesa, mais brilhante do que o sol e a lua. E, quem a vê e dela se abeira sentir-se-á em adoração Àquele que deseja no seu Corpo de Palavra.

A luz refletida nas páginas da Palavra de Deus é suficiente para criar uma atmosfera, quase mística, sem excessos de luminosidade. Fotografia © Joaquim Félix.
(A segunda parte deste texto será publicada ao final da tarde desta segunda-feira, 30; as referências das citações aparecerão no final da segunda parte.)
Joaquim Félix é padre católico, vice-reitor do Seminário Conciliar de Braga e professor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa; autor de vários livros, entre os quais Pentateuco das Passagens.

![[Mulher ajoelhada diante do ambão, na Catedral de Reggio Calabria “a Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor.” Fotografia © Joaquim Félix]](https://setemargens.com/wp-content/uploads/2026/03/Mulher-ajoelhada-diante-do-ambao-na-Catedral-de-Reggio-Calabria-a-Igreja-venerou-sempre-as-divinas-Escrituras-como-venera-o-proprio-Corpo-do-Senhor.-Fotografia-©-Joaquim-Felix.jpg)








