No mesmo dia em que muitos olhavam em direção ao céu de Barcelona para assistir à colocação do braço superior da cruz no topo da Torre de Jesus Cristo, o elemento mais alto de toda a Basílica da Sagrada Família, o arcebispo da cidade, Juan José Omella, abençoava, aos pés daquele monumento, uma caravana solidária organizada pela Fundação do Convento de Santa Clara que partiria rumo à Ucrânia com ambulâncias, geradores elétricos, medicamentos e muito mais. E assinalava a coincidência, exclamando: “Viva a Sagrada Família, viva a Ucrânia!”.
A instalação do braço superior da cruz da torre de Jesus Cristo, que aconteceu na passada sexta-feira, 20 de fevereiro, após 144 anos do início da construção do templo sonhado por Antoni Gaudí, é um marco que conclui as obras no exterior desta torre no ano em que se celebra o centenário da morte do arquiteto. Em 2027 e 2028, as obras continuarão no interior da estrutura.
Com uma elevação total de 172,5 metros, esta peça, revestida de vidro e cerâmica esmaltada branca, é o ponto mais alto do templo, medindo 4,5 metros por 4,5 metros por 4,9 metros e completando assim o conjunto das seis torres centrais da Sagrada Família.

Como é tradição na construção, a bandeira catalã foi hasteada, indicando que a estrutura da torre está completa e que não houve incidentes, assim como a bandeira do Vaticano, por se tratar do templo mais alto da Igreja Católica em todo o mundo. Foto © La Sagrada Família
A cruz chegou da Alemanha em vários módulos que foram pré-montados numa plataforma de trabalho a 54 metros acima da nave central. Estes foram depois içados para serem instalados em sete peças: o braço inferior, o núcleo, os quatro braços e agora o braço superior.
Como é tradição na construção, a bandeira catalã foi hasteada, indicando que a estrutura da torre está completa e que não houve incidentes, assim como a bandeira do Vaticano, por se tratar do templo mais alto da Igreja Católica em todo o mundo.
Mas se algo importante se passava no cimo do monumento, não menos importante era o que decorria lá em baixo, em frente à fachada da Paixão. Após uma missa celebrada na cripta da basílica, o cardeal Juan José Omella abençoou a frota de 21 veículos, alinhada na Rua Sardenya, que compunha aquela a que chamaram “Caravana da Bondade” e que é já a 42ª iniciativa humanitária promovida peça Fundação do Convento de Santa Clara em favor da Ucrânia.

O cardeal Omella, durante a bênção das ambulâncias. Foto © José Luis Gómez Galarzo
O evento contou com a presença do prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, que destacou o compromisso da cidade com a solidariedade; o presidente da Fira de Barcelona, Pau Relat; o presidente da Câmara de Comércio de Barcelona, Josep Santacreu; e o Ministro das Relações Exteriores da Generalitat, Jaume Duch.
Os representantes institucionais concordaram sobre a importância da colaboração entre instituições públicas, o setor empresarial e a sociedade civil para sustentar iniciativas humanitárias de grande alcance. E enfatizaram que a mobilização de empresas privadas para doar ambulâncias e outros veículos, geradores, medicamentos e desfibrilhadores demonstra que a solidariedade pode traduzir-se em ações concretas que salvam vidas.
A caravana que partiu de Barcelona atravessou França, a Alemanha e a Polónia antes de chegar à fronteira de Medyka, onde os veículos foram entregues esta segunda-feira às equipas médicas e de resgate ucranianas, na véspera do dia em que se assinalam quatro anos do início da invasão do território ucraniano pelo exército russo, ordenada por Vladimir Putin em 24 de fevereiro de 2022.










