A surpresa do báculo do Papa Francisco, oferecido pelo bispo dom Merkel

| 29 Out 19

O Papa no início da eucaristia de domingo, 27, encerrando o Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, transportando o báculo feito por indígenas, que lhe tinha sido oferecido pelo bispo Franz (Francisco) Merkel. Foto © Tony Neves

 

O Papa Francisco surpreendeu muitos com um báculo muito especial na eucaristia de encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia: trata-se de uma peça em madeira trabalhada, todo ele cheio de simbolismo indígena. O báculo foi oferecido ao Papa, nos primeiros dias do Sínodo, pelo bispo Francisco Merkel, um missionário espiritano alemão a trabalhar no Brasil há algumas décadas.

Franz Merkel nasceu na Alemanha em 1944: atinge este ano os 75 anos, tendo já escrito ao Papa a carta a pedir a sua substituição. Depois de vários anos como responsável de seminários espiritanos no Brasil, trabalhou como pároco dez anos na Baía. Em 2000, seria nomeado bispo de Humaitá, na Amazónia, missão que desempenha desde então.

O padre Orlando Zanovelli, espiritano brasileiro com largos anos de missão na Amazónia, considera dom Merkel como um bispo de muita pobreza e proximidade com o povo. Sempre ouviu falar dele com muita estima e reconhecimento, quer pelo clero quer pelo povo que o respeita muito e está triste com a sua iminente saída. Daniel Seidel, um ativista brasileiro que veio acompanhar o Sínodo, tem trabalhado muito com D. Merkel na formação de lideranças das comunidades amazonenses e realça, sobretudo, o seu carisma para trabalhar com jovens e líderes das comunidades do interior.

Francisco – assim é tratado pelo povo – foi um dos padres sinodais, sempre com posições abertas, típicas de um pastor simples com o “cheiro” das suas “ovelhas”. Ele optou, desde jovem padre, por viver nas periferias e margens de um país marcado por contrastes gritantes entre ricos e pobres. A sua opção radical pelos pobres custou-lhe incompreensões e algumas perseguições que ele conta a sorrir, feliz por estar a concluir mais uma etapa da sua missão, a de bispo titular de Humaitá.

O futuro a Deus pertence e está preparado para tudo, partilha ele com o 7MARGENS. Mas quer que o documento final do Sínodo seja tomado a sério e posto em prática. Isto, para bem da Igreja e do mundo, diz. E ver o Papa levar o seu báculo encheu-o de alegria, mesmo que quase ninguém saiba que esse foi o ‘cajado de pastor’ que usou durante vinte anos na suas visitas pastorais.

 

O bispo Franz (Francisco) Merkel, de Humaitá (Amazónia, Brasil), com o padre Tony Neves, em Roma, na tarde de domingo, 27, depois do encerramento do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia. Foto: Direitos reservados

Artigos relacionados

Pin It on Pinterest

Share This