Igreja Católica – que caminhos de futuro? (Debate – 15)

A verdade jamais pode ser encoberta, disfarçada ou desculpabilizada

| 17 Abr 2023

O catolicismo vive uma crise profunda, apesar de continuar a ser para muitas pessoas um espaço vital de busca de sentido e experiência de fraternidade. As situações de abusos de poder e violências sexuais vieram evidenciar problemas sistémicos. Em Portugal, depois de terem criado uma Comissão Independente (CI) para estudar os abusos sexuais sobre crianças, os bispos ficaram na indefinição sobre o que fazer com o panorama posto a nu pelo relatório da CI. Perante a perplexidade que tomou conta da sociedade e de muitos crentes, o 7MARGENS convidou católicos a partilhar leituras da situação e propor caminhos de futuro, a partir de três perguntas:

1. Quais são os pontos que considera centrais nas medidas a assumir agora pela Igreja, para ser fiel ao Evangelho e ser testemunho de Jesus Cristo na sociedade? A quem cabe concretizar e liderar a aplicação de tais medidas?

2. Considera que faria sentido que os batizados se encontrassem e se escutassem sobre essas tarefas e desafios que se colocam à comunidade eclesial, a nível diocesano e/ou nacional? Como? De que formas?

3. Que contributo(s) estaria disposto a dar para que a Igreja, os católicos e as suas comunidades adotem um caminho centrado no Evangelho em ordem a superar a prática de abusos?

 

Nesta décima quinta resposta, Claudine Pinheiro, cantora católica e colaboradora do departamento de Comunicação e Marketing da Salesianos Editora, interpela a Igreja a assumir a verdade, por mais dolorosa que seja. A Igreja não pode ser um lugar seguro para os abusadores e impune para os seus crimes.

Pecámos, Reconhecemos, Assumimos: Perdão!

 

 

Abusos na Igreja

“Por muito dolorosa que seja a verdade, ela jamais pode ser encoberta, disfarçada ou desculpabilizada.” Foto © Santos / Pixabay

 

1. Correndo o risco de fazer uma análise enviesada pela minha formação, acredito ser fundamental que a Igreja reveja a forma como comunica.
O escândalo provocado pela revelação dos casos de abuso sexual na Igreja foi agravado pela forma como os seus responsáveis hierárquicos não (se) souberam comunicar. Os cristãos já não falam para uma sociedade familiarizada com os seus códigos, o que significa que a mensagem deve ser cada vez mais direta. Por muito dolorosa que seja a verdade, ela jamais pode ser encoberta, disfarçada ou desculpabilizada.
Em 2019, quando foi anunciado que as Jornadas Mundiais da Juventude se realizariam em Portugal, a forma telegráfica como o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa manifestou a sua alegria ficou viral. Este “modelo de comunicação” – “Esperávamos, desejávamos, conseguimos: vitória!” – poderia muito bem ter sido adaptado na gestão deste dossiê: Pecámos, Reconhecemos, Assumimos: Perdão!

2. A pergunta parece descrever aquilo que se espera de uma comunidade de batizados. Lugar de encontro, de escuta, de caminho e de anúncio. Não creio que nos faltem mais equipas de trabalho. Os organogramas estão aí. As estruturas já estão pensadas. O que me parece faltar é liderança pastoral. Capacidade de convocar, escutar, confiar e acompanhar.
E aqui talvez seja prioritário repensar-se a formação dos responsáveis (pastorais). Caímos na tentação de pensar no líder como aquele a quem se serve, quando o exemplo de Jesus é o oposto. É aquele que serve e que dá a vida pelas ovelhas.
Gosto de pensar nos responsáveis pastorais como encenadores. Aqueles que, sem nunca aparecerem, conseguem imprimir nos outros elementos necessários ao espetáculo uma visão de conjunto, conseguindo retirar dos atores o melhor de si.

3. Manter viva a esperança e a confiança no Espírito. Perante a vergonha dos abusos, o mais fácil seria atirar a toalha ao chão e voltar as costas. A tentação está aí e bate à porta de muitos cristãos. É fundamental que aqueles que se escandalizaram com os abusos se mantenham na Igreja para que os agressores não sintam que a Igreja é um lugar seguro e impune aos seus crimes.

 

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