[À volta do 1º de Maio] Estranha forma de vida

| 1 Mai 21

Ao aceitar o desafio de escrever sobre o trabalho enquanto artista e profissional da cultura, pareceu-me oportuno aflorar uma panóplia de aspetos que estão intimamente ligados a esta profissão, mas também à vida de um artista, que é muitas vezes indissociável do seu trabalho. Este contributo não pretende esgotar o tema, mas poderá ajudar a desmontar clichés e a tornar menos abstrata esta estranha forma de vida.

Os Sete Ofícios

Quem diz que trabalhar por gosto não cansa? Não é só em Portugal e não é de agora, que a maioria dos artistas conciliam a sua primeira vocação com outros trabalhos. Muitos, à laia de malabaristas, conciliam o seu trabalho artístico com outra profissão que ajude a pagar as contas. Alguns optam por desenvolver o seu trabalho artístico nos tempos livres, e dedicam a maioria das horas laborais ao ensino ou a qualquer outra profissão. No meu caso, calhou-me em sorte que todos os meus trabalhos estejam ligados à Cultura. Sou artista plástico, trabalho continuadamente em regime freelancer, e vou apresentando o meu trabalho em exposições coletivas ou individuais desde 2008. Não sou representado por nenhuma galeria e, por isso, sou o principal responsável pela produção, financiamento e agendamento dos meus projetos e criações. Sou igualmente músico profissional. Estudei no Conservatório e na Escola Superior de Música, e canto regularmente num coro profissional e, esporadicamente, em outros ensembles musicais. Contudo, ao contrário do que se possa imaginar, os honorários auferidos por tão ilustres apresentações são insuficientes para assegurar uma sobrevivência económica. Sendo assim, sou ainda tradutor da língua italiana e francesa e trabalho no Serviço Educativo de um museu lisboeta.

Agora e para sempre

Comecei a trabalhar em 2003, ano em que abri atividade junto das Finanças, conciliando os estudos com trabalhos em part-time. Foram muitas as tarefas e serviços que prestei desde então: modelo em aulas de desenho, rececionista de um hostel, livreiro, empregado num café-quiosque, assistente de exposição, formador e maestro. Sou, desde então, um dos célebres Recibos Verdes, ainda que preste serviços de forma continuada a várias entidades. Aqui tocamos na ferida aberta, aquela que é a responsável pela doença duradoura de que padecem estas profissões ligadas à cultura: a instabilidade e a falta de enquadramento no tecido da nossa sociedade e do universo profissional.

Até que a morte nos separe

Lembro-me do momento em que, ainda durante os tempos de estudante na escola artística que frequentava, tomei consciência da escolha que me cabia fazer. Para se tomar uma grande decisão pesam-se vantagens e desvantagens, medem-se os aspetos positivos e os negativos, encara-se o lado bom e o lado mau. E tentam-se antever as consequências. Compreendi nesse momento que a vida do artista é uma espécie de sacerdócio, uma aliança e uma entrega de si mesmo a um serviço que é maior do que o nosso entendimento. E esta escolha implica sacrificar algo e até atravessar momentos de carestia, renovando o Sim que se deu um dia, um Sim que se deseja ser para toda a vida.

Muitos colegas queriam ser artistas apenas porque desenhavam ou pintavam bem, e acreditavam que isso lhes traria êxito garantido. Estes acabaram por desistir, desencantados com a realidade. Alcançar êxito ou sucesso parece-me ser a motivação errada para perseverar enquanto artista. Na nossa realidade, ser artista implica abdicar da garantia de condições e da qualidade de vida que a grande maioria das pessoas deseja. Mas tem de ser mesmo assim? Afinal o trabalho remunerado é um Direito Humano e o artista, como qualquer outra pessoa, precisa de assegurar a sua subsistência.

primeira exposição individual de Rui Aleixo, na galeria novaOgiva em Óbidos, 2014 Créditos Edgar Libório, Câmara Municipal de Óbidos

WE(st), instalação na exposição WE, primeira exposição individual de Rui Aleixo, na galeria novaOgiva em Óbidos, 2014
Foto © Edgar Libório, Câmara Municipal de Óbidos.

A necessidade de criar

Quando oiço dizer que é tão bonito ser artista, poder exprimir o que se sente através do trabalho, sorrio interiormente, pois não é algo que procure intencionalmente com o meu trabalho. Acredito que algo seja expresso numa obra de arte, mas o Expressar não é a minha primeira preocupação quando me encontro a trabalhar. Este é um dos belos mistérios do trabalho artístico, há algo que é criado e expresso, e o artista é o seu intermediário. Há intencionalidade no ato da criação, mas essa intencionalidade desconhece em absoluto a totalidade das relações que se vão criar entre a obra e os seus beneficiários.

Ser artista é escolher seguir uma paixão, dando resposta a uma necessidade de criar. Esta é uma espécie de urgência e inquietação, um desassossego que só se parece apaziguar no ato de criar, de projetar, idealizar, fazer, executar, construir, pesquisar e trabalhar. Mas nem aí se encontra descanso, pois em todo este processo há uma espécie de sofrimento que apenas experimenta pequenas distensões. Quando se conclui uma obra, encontra-se alguma pacificação, mas esse bem-estar é um instante que logo se transforma em novo desassossego e em nova procura.

Aprender a viver como artista é saber conviver com estes momentos e estas emoções.

O criador e o intérprete

Sinto-me privilegiado por trabalhar em dois domínios artísticos que desenvolvem duas facetas presentes na Arte: a criação e a interpretação. A exigência e o rigor no trabalho de um intérprete não são menores do que no trabalho do criador.

Nas artes performativas, o lado criativo é desempenhado pelo compositor, pelo coreógrafo, pelo encenador, pelo dramaturgo. No palco, os atores, os bailarinos, os instrumentistas, os cantores e até mesmo os maestros, são intérpretes ou recriadores da criação de outra pessoa. Dão voz e corpo, traduzem, tornam visível e audível uma obra que não é a sua, mas que também tornam sua. A entrega a esse momento performativo é uma experiência única e é privilégio destas profissões. Uma entrega que dá vida à obra, texto ou peça, e que a oferece ao público presente. Esta é a magia das artes performativas, a criação de momentos irrepetíveis, o despertar de emoções e vivências a quem assiste. Nestes tempos em que o online procurou colmatar e dar resposta a tantas ausências, reitero que a experiência ao vivo é insubstituível.

O lado criativo, desenvolvo-o no âmbito das Artes Plásticas. Os contrastes são grandes. Enquanto artista plástico, o trabalho é desenvolvido num processo mais solitário, em atelier. Há um processo intrínseco de experimentação e de pesquisa, do qual resulta a obra final. No momento em que uma obra é tornada pública, numa exposição por exemplo, esta já foi concluída há algum tempo. O distanciamento temporal é maior e, por esta razão, o grau de nervosismo muito menor, pois todo o trabalho já foi feito. Quando a obra é apreciada pelo público e nele encontra ecos, o autor satisfaz-se por ver que a obra cumpre a sua função, através desses diálogos que se geram. Quem diz que a arte não serve para nada?

_A Danação de Fausto de Hector Berlioz Créditos Mónica Almeida

A Danação de Fausto de Hector Berlioz, direção musical de John Nelson. Concerto e gravação em Estrasburgo que recebeu o Diapason d’or do ano, um dos mais conceituados prémios internacionais para as edições de música erudita. Foto © Mónica Almeida.

Ter jeitinho

Lembro-me de um dia – era eu estudante de Canto no Conservatório Nacional – em que um amigo que não via há algum tempo me perguntou o que andava eu a fazer. Quando lhe disse o que estudava, ele devolveu-me, incrédulo: “Mas tu cantas tão bem! Para que é que precisas de estudar?”

Não basta ter jeito! A inspiração pode vir em auxílio, mas não é garantida. É certo que existe uma dose de talento ou de aptidão, mas sem trabalho não se vai longe. Decidi estudar música para desenvolver a minha técnica vocal e ser um melhor profissional.  Lembro-me de a minha primeira professora de Canto me dizer: “Há alunos que têm uma facilidade natural e são muito rápidos a responder ao que lhes é pedido. Há outros que vão lá com mais trabalho, mas podem chegar ao mesmo bom resultado. Quem ouve um cantor, não sabe quanto trabalho e esforço estão por trás da voz.”

Esta pergunta que o meu amigo me colocou serve de mote para a abordagem de uma questão que me parece séria, ligada à desvalorização dos estudos artísticos e da prática artística na sociedade portuguesa. Julgamos que já vai longe o tempo em que uma rapariga, ao escolher ser atriz, era moralmente criticada e olhada com desprezo. Mas será que a nossa sociedade está muito diferente da de então?

Desconfio que os músicos, atores e bailarinos são considerados por muitos como uma espécie de funcionários sofisticados, que servem um belo petisco, é certo, mas que se devem manter a uma distância de segurança da nossa família mais próxima. A título demonstrativo desta postura altaneira, recordo o que observo regularmente nos concertos em que participo: os que vão a um espetáculo e, no final do mesmo, em vez de agraciar os artistas com um aplauso, fogem rapidamente da sala de modo a serem os primeiros a chegar ao estacionamento e a regressar ao conforto dos seus lares.

O preço certo

Quantas vezes já me disseram: “Tu, que tens jeito e gostas, podes fazer-me isto?” Durante algum tempo, tentava aceder aos pedidos, era-me difícil dizer não. Fazia uma ilustração para fulano, cantava para o casamento de conhecidos de amigos… É evidente que, ainda hoje, tenho todo o gosto em cantar na ocasião especial de um amigo ou de um familiar. Mas isso é uma oferta, é a minha dádiva, é algo que tem um valor e que eu decido oferecer.

Pensemos agora em alguém que passou mais de dez anos da sua vida a estudar determinada matéria, e se torna um perito na mesma: se desejamos que nos faça um trabalho, é subentendido que nos apresente um orçamento. Se eu preciso de um advogado, é normal que tenha de pagar pelos seus préstimos. Se eu preciso de um cantor, que razão oculta justificaria que o procedimento seja diferente? Porque ele gosta e tem jeito? Nesta ordem de pensamentos também posso exigir dinheiro a alguém que tenha jeito para fazer dinheiro, ou pedir a quem se ajeita na cozinha que me comece a  alimentar gratuitamente.

Questiono-me se a subsistência dos artistas não passará por uma mudança radical de pensamento e organização social, em que todos passam a dar tudo a todos e a não se cobrar nada a ninguém. Enquanto esta utopia não acontece, cabe-nos alterar o que está ao nosso alcance. E a própria Igreja tem muito caminho a fazer. Durante séculos, os melhores artistas eram por ela contratados, desenvolvendo as artes ao serviço do culto. No século XX passou a dar-se por garantida a participação dos fiéis nas mais variadas tarefas, abandonando não raras vezes o investimento na Arte e nas suas várias expressões. Mas não se pode esperar que a qualidade artística venha da boa vontade e do voluntariado. Cabe a cada um escolher o voluntariado que quer fazer. Às comunidades, caberá cuidar da dignidade da liturgia e dos espaços sagrados, e procurar as ferramentas e os profissionais que as assegurem quando necessário.

Livro Novena de Natal, texto de Rui Fernandes s.j., ilustrações de Rui Aleixo, Editorial A.O., 2017 Créditos: Editorial A.O.

Livro Novena de Natal, texto de Rui Fernandes s.j., ilustrações de Rui Aleixo, Editorial A.O., 2017. Foto © Editorial A.O.

Que rica vida

A ideia de ser artista também desperta sentimentos de admiração e de inveja. Talvez seja o sucesso e o glamour que cintilam nos media e nas redes sociais. Não esqueçamos que as imagens que são divulgadas sofrem um processo de pós-produção e seleção criterioso. Nada na vida é preto e branco. Corrijo, há o preto e há o branco, mas há uma miríade de cores e nuances. A imagem do artista romântico, boémio, despreocupado, sem necessidade de responder a ninguém e com a sorte de ter sempre alguém que o apoia ou sustenta, pode ainda povoar o imaginário de algumas pessoas, até mesmo de alguns jovens artistas. Mas não passa de uma idealização ingénua. Contudo, exploremos o que nela possa haver de verdade.

Um dos aspetos mais invejados é a ideia da liberdade profissional, não ter de se submeter a um chefe, a um horário ou até a um local de trabalho. Tudo isto está correto, e levanta mais desafios do que se possa imaginar. O verdadeiro artista, aquele que trabalha seriamente e às suas custas, tem de ser um bom gestor do seu tempo, das suas prioridades e das suas múltiplas responsabilidades; não tem de obedecer às ordens de ninguém, mas tem de criar as suas próprias; tem de ser o seu chefe e o seu súbdito, o seu relações públicas e o seu contabilista, o seu telefonista e o seu moço de recados, o seu informático e o seu jurista, o seu agente e o seu criativo. E é isto que significa concretamente ser um trabalhador independente em Portugal, um profissional liberal a recibos verdes.

Há outro aspeto do lado bon vivant que reconheço presente na minha vida, mas creio não ter que ver com a escolha profissional, e sim com uma maneira de ser e de viver. É o de saber aproveitar os momentos e as coisas simples, o de viver intensamente, a predisposição para ver o lado belo das coisas e descobrir a beleza nas situações mais inusitadas. É dispor o que está ao nosso alcance de forma a proporcionar um momento bem passado e uma futura memória feliz. Talvez seja isto a criatividade. Se é esta forma de viver que desperta inveja, então faço de imediato um convite alargado, para que cada leitora e leitor comece a viver como artista desde já, pois está ao alcance de quem o desejar.

Estatuto do artista

Em outubro de 2020, na zona de Barcelos, visitei a olaria de uma artesã que estimo muito, e que trabalha desde jovem com o barro. Ela desabafava comigo, falando dos tempos de confinamento e das consequências na venda das suas peças. A um dado momento dizia: “veja lá, que nem há código nas Finanças para os artesãos”.

Isto ilustra bem o desenquadramento social das áreas artísticas e culturais no nosso país. Se o Ministério das Finanças não sabe enquadrar estas categorias profissionais, o Ministério da Cultura também tem sido lacónico em defender a sua tutela e os eus atores. No mês de janeiro, com grande entusiasmo noticiava-se apoio aos profissionais da cultura durante três meses consecutivos. Concorri a estes apoios, uma vez que todas as minhas atividades profissionais foram abruptamente interrompidas. O apoio pedido em janeiro chegou no início de abril. Será que os profissionais da cultura devem sobreviver e subsistir com o ar que se respira? O que vale é que ainda há mecenas! Tenho por mecenas os meus pais, tenho a sorte de ter tomado todas as minhas refeições diárias com eles.

Parece que na semana passada foi aprovado o Estatuto do Profissional da Cultura. Será uma boa notícia? O alarido é grande, mas perdoem-me a incredulidade ao jeito de Tomé: só quando o vir com os meus olhos e tocar com os meus dedos.

Trípticos e Dípticos de Rui Aleixo na exposição Eikon, galeria Diferença em Lisboa, 2018 Créditos Hugo Rodrigues Cunha (1)

Trípticos e Dípticos de Rui Aleixo na exposição Eikon, galeria Diferença em Lisboa, 2018. Foto © Hugo Rodrigues Cunha.

Subsídio-dependentes

Desengane-se quem pensa que os artistas vivem às custas do Estado, ou de quem quer que seja. Outro apoio que foi generosamente oferecido foi o da Segurança Social, a trabalhadores independentes que tenham visto a sua atividade reduzida.

Pergunto-me: porque parece o Estado dar com uma mão e tirar com a outra? A prestação mensal da Segurança Social, que é muito pesada para os trabalhadores a recibos verdes, não poderia ser suspensa durante o período em que o Estado decretou o confinamento? Com o confinamento obrigatório, deixou de haver trabalho e vencimento para os profissionais da cultura: a benesse do Estado limitou-se à possibilidade de se pagar em várias prestações.

Creio poder resumir da seguinte forma: o apoio social que o Estado dá ao trabalhador independente com redução na sua atividade serve para pagar a prestação devida ao próprio Estado. E esta, hein?

 

Diário de uma pandemia

Muitos artistas tentaram manter-se vivos durante os duros meses que afetaram as suas atividades regulares. Quem não viu publicações nas redes sociais de músicos e artistas plásticos? Também eu desenvolvi trabalho durante o primeiro confinamento. Criei uma série de desenhos e colagens, em pequeno formato, com materiais pobres, reutilizados. A necessidade de criar impeliu-me a não baixar os braços.

Mas chegou o momento em que me confrontei com a falta de projetos agendados e com a dificuldade em encontrar novos desafios que me levassem a trabalhar com uma meta à vista. Para além disso, comecei a ser o cuidador informal de três familiares de faixa etária avançada e com um estado de saúde frágil. Urgiu encontrar uma solução e arregaçar as mangas. Consegui vender algumas pequenas obras antigas e outras mais recentes e comecei a prestar serviços de apoio doméstico: limpezas, cozinhados, bricolagens. E foi aqui que entraram novos mecenas. Com maior ou menor consciência, cada amigo que recorreu aos meus serviços foi uma fonte de apoio, não só do ponto de vista económico, mas também psicológico, pois ficar privado da possibilidade de trabalhar é ser, de alguma forma, colocado à margem da sociedade, é tornar-se involuntariamente marginalizado.

Aproveito este parágrafo para agradecer a esta entidade em riscos de extinção: o/a Mecenas. Não é preciso ser uma instituição poderosa ou uma pessoa milionária; alguém é mecenas quando olha para o lado e, de forma altruísta, escolhe investir nessa pessoa contratando os seus serviços.

Alfarrabista Rui Aleixo

Alfarrabista, Série IV: 119, guache e grafite sobre papel de livro de alfarrabista, 2020. Este desenho faz parte das séries criadas durante o 1º confinamento causado pela pandemia de covid-19. Foto © Rui Aleixo.

Cultura e Crise

Cultura em crise, crise na cultura, nada de novo! Toda esta situação vivida no último ano não é inédita para os profissionais da cultura, que começavam agora a levantar-se do tombo da crise económica da década passada. Veio apenas revelar as fragilidades e a desproteção social que vitima o universo da Cultura no nosso país.

A Cultura e o ministério que a tutela são o patinho feio de consecutivos Executivos… O problema é que não há maneira de se tornarem cisne. Com uma mísera percentagem de orçamento disponível, este ministério tem poucos ovos para fazer omeletes… E ainda os deixa cair ao chão. É um problema endémico e não se trata apenas de inaptidão da atual ministra – aliás, qual D. Sebastião, ter-se-á esfumado nas brumas da memória um Ministro, ou Secretário de Estado da Cultura, que tenha defendido do seu pelouro com garra e operacionalidade.

De um prisma economicista, a opinião geral dita que a Cultura só serve para gastar dinheiro. Vários estudos já comprovaram o inverso desta insinuação. Não me querendo alargar mais, deixo apenas a sugestão que nem toda a riqueza é transacionável nem mensurável pelas balanças das bolsas e dos bancos. Do ponto de vista estratégico, o potencial da Cultura em Portugal é claramente subvalorizado. Se Portugal se quer reafirmar como destino turístico por excelência, e se pretender fidelizar antigos e novos turistas, não pode continuar a fingir que a Arte e a Cultura não interessam. Mas atenção, a Cultura não são só festivais de verão nem o apadrinhamento de um artista plástico que se torne único embaixador e bandeira de um Governo! É tempo de fazer um levantamento nas necessidades e carências do setor, de inventariar o capital humano e patrimonial e de procurar meios de o defender e rentabilizar.

E, como defendo que o investimento não deve ser feito só para turista ver e que, antes de mais, é urgente investir na qualidade de vida dos que por cá ainda vivem, deixo um apelo aos que ocupam um cargo de decisão política: invista-se na Cultura! Se o Desporto faz bem ao corpo, a Cultura educa, dá vida e saúde, torna-nos mais permeáveis e civilizados, enriquece-nos, faz-nos viajar e previne doenças do foro psicológico e psiquiátrico. Lá se costuma dizer: mente sã em corpo são.

Rui Aleixo é artista plástico.

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