
A Abadia de Nossa Senhora das Neves. Foto reproduzida da página oficial da comunidade trapista.
“Um espaço demasiado grande para o pequeno grupo de monges”, sem que se perspetive uma renovação. Essa foi a razão dada para a decisão de abandonar a abadia de Nossa Senhora das Neves, na zona de Ardèche, no sudeste de França (entre Lyon e Montpellier). A resolução foi tomada na véspera de Natal pela comunidade de monges trapistas que aí existe há longos anos. O sítio está ligado à figura de Carlos de Foucauld em dois momentos da sua vida.
A decisão do encerramento foi amadurecida ao longo de dois anos e foi tomada por unanimidade pela dezena de monges sobreviventes. A medida concretizar-se-á até setembro deste ano de 2022.
“Ficámos em número muito pequeno, bastante frágeis, também afetados pela doença. Há, depois, o facto de a comunidade não se renovar, já que ninguém entra de novo”, explica o abade, frei Hugue, em declarações ao canal de televisão regional France Bleu.

A estátua de Nossa Senhora das Neves, na abadia. Foto reproduzida da página oficial da comunidade trapista.
A abadia obtinha rendimentos dos peregrinos e caminheiros de montanha que aí se alojavam. Isso exigia múltiplos serviços que mobilizavam uma numerosa equipa de monges, mas, nos últimos anos, já se tinha procedido à contratação de trabalhadores externos. A situação tornou-se insustentável.
Criada em 1850, no dia da festa da Senhora das Neves (5 de agosto), da qual recebeu a invocação, a abadia abriu oficialmente dois anos depois. Em 1876, recebeu, de passagem, o escritor Robert Louis Stevenson, que à abadia faz referência num dos seus livros. Mas o nome mais associado ao local é o de Carlos de Foucauld, que aí iniciou a vida religiosa como trapista noviço no princípio da última década do séc. XIX, e aí foi ordenado padre, depois de ter vivido vários anos na Síria, antes de ir viver como eremita no deserto argelino, onde acabaria assassinado por um grupo de tuaregues.
Não é conhecido ainda o destino a dar às instalações que serão abandonadas. Os monges e o bispo local procuram, para já, outra ordem religiosa com mais capacidade de ocupar e dinamizar o espaço.

Um monge na Abadia de Nossa Senhora das Neves. Foto reproduzida da página oficial da comunidade trapista.










