Abrir as “páginas seladas” do livro bíblico do Apocalipse em tempo de pandemia

| 24 Nov 20

Apocalipse - O livro. Pintura de Emília Nadal.

Apocalipse – O Livro. Pintura de © Emília Nadal.

 

O livro bíblico do Apocalipse (ou da Revelação) é uma profecia para tempos de crise e por isso é importante abrir agora as suas “páginas seladas”. Com esse mote, a comunidade católica da Capela do Rato propõe três sessões sobre o último dos livros da Bíblia cristã. Uma conferência de João Duarte Lourenço, uma leitura de Luís Miguel Cintra e um percurso proposto por Emília Nadal através da arte inspirada naquele texto serão as três etapas propostas para este itinerário, num ciclo que pretende “colocar em diálogo a teologia bíblica com a arte dramática e a criação artística”.

Na primeira sessão, que decorre nesta quarta-feira, 25, a partir das 21h.30, através da plataforma Zoom, o professor João Duarte Lourenço, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, falará precisamente sobre as múltiplas possibilidades de leitura de “Abrir as páginas seladas. O Apocalipse, uma profecia para tempos de crise.” (A sessão estará acessível através da ligação à plataforma, com o ID da reunião 867 775 6847 e a senha de acesso 1234.)

O texto do Apocalipse “é o grito de triunfo e de esperança, das primeiras comunidades cristãs, no meio de perseguições, morte, de violência, de vida comunitária que se desfaz e dispersa no medo”, diz o texto de apresentação da iniciativa. “É o livro da proclamação da soberania de Cristo (Cordeiro Imolado) sobre os impérios deste mundo; é um poderoso apelo à resistência, à esperança e ao testemunho activo dos cristãos.”

Do último livro da Bíblia ressalta “uma visão dramática da história, marcada pela luta entre o bem e o mal, a vida e a morte”, aparecendo o Apocalipse como celebração do “triunfo da vida, da humanidade reconciliada e salva de todos os perigos e dores”. É o livro do Advento da Igreja, acrescenta o texto, “que grita de desejo, do profundo da sua dor e angústia, pela vinda do Senhor: ‘Vem, Senhor Jesus’.”

 

“Denso, complexíssimo, assustador, um dos mais discutidos de sempre”

No segundo encontro, que decorre dia 28, sábado, a partir das 18h, o texto do Apocalipse será lido pelo actor e encenador Luís Miguel Cintra. A iniciativa será transmitida nas páginas da Capela do Rato na internet e na rede social Facebook.

Cintra já há dez anos tinha estado no mesmo lugar a ler o texto do Apocalipse, então a convite do padre José Tolentino Mendonça, na altura responsável da capela e hoje cardeal e bibliotecário do Vaticano. Um texto “denso, complexíssimo, assustador”, dizia o actor, e um dos “mais discutidos de sempre”, dizia ele, como recorda a página do Secretariado da Pastoral da Cultura, que também reproduz o vídeo gravado na ocasião.

A mesma fonte recorda que a literatura apocalíptica consiste, frequentemente, na resposta a uma situação de crise, neste caso traduzida nas alusões a perseguições e martírios dos cristãos.

 

“Uma mensagem consoladora” para a dor, as lágrimas e o luto
Apocalipse. A Árvore da VIda - O Combate.. Pintura  de Emília Nadal.

Apocalipse. A Árvore da VIda – O Combate. Pintura de © Emília Nadal.

 

O autor deste livro bíblico – que a exegese contemporânea tem dificuldade em atribuir ao mesmo autor do quarto Evangelho e da primeira carta de João, embora admitindo a possibilidade de provir de uma escola joanina – teria provavelmente presente a perseguição que o Império Romano dirigiu contra as comunidades da Ásia no tempo do imperador Domiciano, cerca do ano 95. “No interior dos grupos cristãos também havia perseguições originadas pelos seguidores de heresias, sobretudo nicolaítas e marcionitas, bem como por aqueles que prestavam culto ao imperador.”

É nesse contexto que o livro do Apocalipse ou revelação procura responder às inquietações dos primeiros cristãos, com a ideia da fé e da esperança, com as quais se deve esperar a salvação e o juízo de Deus.

A terceira etapa propõe uma reflexão sobre o Livro do Apocalipse como fonte de inspiração artística, num percurso guiado pela pintora Emília Nadal. Será no dia 2 de Dezembro, quarta-feira da próxima semana, a partir das 21h30, de novo através da plataforma Zoom (com o ID da reunião: 867 775 6847 e a senha de acesso: 1234).

Esta iniciativa da comunidade da Capela do Rato surge na continuidade da sua tradição de colocar em diálogo a experiência cristã e as inquietações contemporâneas. No contexto da crise pandémica, crentes e não-crentes precisam “de uma mensagem consoladora” para a dor, as lágrimas e o luto pelos mortos. E constitui, lê-se ainda no texto de apresentação, “uma proposta para melhor viver o tempo [litúrgico cristão] do Advento, neste tempo dramático da vida da humanidade que atinge cada um de nós”.

 

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Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

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