Abusos sexuais

Grupo Vita recebeu 62 denúncias em seis meses, Igreja afastou nove clérigos e um leigo

| 25 Out 2023

Rute Agulhas, coordenadora do grupo Vita, esteve presente no encontro de responsáveis diocesanos pela catequese, em Fátima, 7 julho 2023. Foto © SNEC.

Rute Agulhas, coordenadora do grupo Vita, esteve presente no encontro de responsáveis diocesanos pela catequese, em Fátima, a 7 de julho deste ano. O grupo “tem investido na realização de ações de sensibilização e formação das diversas estruturas eclesiásticas”. Foto © SNEC.

 

Apresentado publicamente há seis meses e tendo entrado em funcionamento efetivo cerca de um mês depois, o Grupo Vita recebeu desde então “62 pedidos de ajuda, na sua maioria por parte de pessoas adultas que terão sido vítimas de violência sexual na infância  e adolescência” no seio da Igreja Católica em Portugal, informa um balanço enviado pelo próprio organismo esta quinta-feira, 26 de outubro, ao 7MARGENS, um dia depois de a CEP ter revelado que estão afastados do exercício do seu ministério, por denúncias de abusos, nove membros do clero e um leigo.

O grupo coordenado pela psicóloga Rute Agulhas adianta que se realizaram “até ao momento 42 atendimentos, presenciais e online, por forma a recolher informação que permita, depois, a devida sinalização e encaminhamento para as entidades competentes”, tendo sido já “sinalizadas 41 situações para estruturas da Igreja e 14 para a Procuradoria Geral da República”.

Quanto ao perfil das vítimas, “observa-se um equilíbrio em termos de género, variando a idade entre os 16 e os 75 anos”, refere o comunicado.

O grupo informa ainda que “tem articulado com as Dioceses e os diversos Institutos Religiosos, no sentido de se avançar com os processos de apoio psicológico e psiquiátrico” e que “doze pessoas estão já a beneficiar de apoio psicológico e outras duas, psiquiátrico”.

“Temos ainda investido na realização de ações de sensibilização e formação das diversas estruturas eclesiásticas, por forma a capacitar os vários intervenientes para o acolhimento e acompanhamento das situações de violência sexual, bem como para o desenvolvimento de guias de boas práticas e códigos de conduta, delineando ainda ações preventivas”, pode ler-se no comunicado.

O “Manual de Prevenção de Violência Sexual no Contexto da Igreja Católica em Portugal” encontra-se em fase de elaboração e será apresentado publicamente, a par do primeiro relatório de atividades, no dia 12 de dezembro deste ano.

O balanço destes primeiros seis meses, assegura o Grupo Vita, é “positivo”: “sentimos que existe um processo gradual de confiança por parte de quem nos pede ajuda”, afirmam.

No entanto, a entidade reconhece que “este é um caminho sinuoso” e que tem enfrentado “algumas dificuldades, especialmente relacionadas com o facto de ser necessário melhorar processos de comunicação e de articulação com algumas estruturas eclesiásticas”.

 

Nove membros do clero e um leigo estão “afastados”, revela CEP

abuso menores igreja Ilustracao Churchandstate.org

A Conferência Episcopal Portuguesa adiantou que “já se encontram a receber apoio psicológico oito vítimas e um agressor” e que “uma vítima manifestou a intenção de pedir uma indemnização”. Ilustracão © Churchandstate.org.

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) revelou por seu lado que nove membros do clero e um leigo com responsabilidades paroquiais se encontram atualmente afastados do exercício do seu ministério por causa de abusos sexuais sobre menores. A informação foi veiculada esta quarta-feira, 25 de outubro, pela agência Ecclesia, que adianta que esse afastamento “decorre do trabalho efetuado pela Equipa de Coordenação Nacional das Comissões Diocesanas, junto das respetivas Comissões, e pelo Grupo Vita”.

Citando uma nota da CEP (nota esta que, ao contrário do que é habitual, não foi enviada às restantes redações nem se encontra publicada no site do organismo), a agência Ecclesia destaca que, na sequência da publicação do relatório da Comissão Independente, em fevereiro deste ano, “foram afastados oito membros do clero, tendo regressado ao exercício do ministério seis sacerdotes, mantendo-se dois afastados”.

Depois disso, “para além do número anteriormente apresentado, foram afastados nove membros do clero e um leigo com responsabilidades paroquiais, tendo dois sacerdotes regressado ao exercício do ministério, mantendo-se os demais afastados, bem como o citado leigo”.

O comunicado da Conferência Episcopal acrescenta que “já se encontram a receber apoio psicológico oito vítimas e um agressor” e que “uma vítima manifestou a intenção de pedir uma indemnização”.

No passado domingo, 22 de outubro, a RTP transmitiu uma reportagem em que chegou à fala com Ana (nome fictício), vítima de abusos sexuais da parte de um padre comboniano em 1992, que fez em julho deste ano a sua denúncia ao Grupo Vita e que esteve presente no encontro com o Papa, durante a Jornada Mundial da Juventude.

Nessa reportagem, a jornalista Ana Luísa Rodrigues refere ter questionado a CEP sobre o número total de padres afastados na sequência das 60 denúncias até então recebidas pelo Grupo Vita. A CEP “não respondeu” até ao momento da publicação. Também a Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal foi questionada pela jornalista da RTP; tendo respondido “não ter esses dados”.

O padre denunciado por Ana é um dos que se encontram afastados. Para o provincial dos Missionários Combonianos, Fernando Domingues, “mesmo não podendo haver castigo ou pena”, pelo facto de o alegado crime já ter prescrito, “tem de haver o que se chamam medidas disciplinares”. “Tenho uma estima muito grande e um sentimento de gratidão para com esta pessoa que denunciou”, afirmou o responsável da congregação à repórter da RTP, acrescentando: “Essas pessoas estão a fazer um serviço imenso..”

“Apelamos a que mais pessoas peçam ajuda. Estamos aqui para as escutar, acompanhar e encaminhar”, destaca o Grupo Vita no final do seu comunicado.

O contacto pode ser feito através da linha de atendimento telefónico (91 509 0000) ou do formulário para sinalizações, já disponível no site www.grupovita.pt.

 

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