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Abusos sexuais: dois anos após cimeira Igreja ainda tem muito por fazer

| 19/02/2021

O Papa quer que os menores sejam protegidos, mas ainda há resistências, diz o padre Zoller. (Ilustração do artista TVBoy, sobre os abusos sexuais.) Foto: Direitos reservados

 

“Ainda existem hoje lugares onde a Igreja continua a negar a evidência dos abusos sexuais perpetrados e a proteger os violadores. São lugares em que não fazemos o necessário para apurar responsabilidades quando se descobre que um bispo encobriu abusos, ou recusou registá-los” afirmou em entrevista à agência Europa Press o jesuíta Hans Zollner, membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores e diretor do Centro para a Proteção de Menores da Universidade Gregoriana de Roma.

Quando se perfazem dois anos sobre a cimeira convocada pelo Papa Francisco para discutir o tema dos abusos sexuais na Igreja (21 a 24 de fevereiro de 2019), o balanço feito por aquele responsável quanto ao caminho realizado está longe de ser entusiástico. Para ele, existe uma “certa resistência passiva” que origina “hesitações e inércia” e impede “levar a sério a tarefa de prevenção e de ressarcimento das vítimas.”

Na entrevista, citada pela Vida Nueva, Hans Zollner afirma: “Perdemos a confiança das pessoas. Por isso não podemos voltar a falhar e temos de aceitar ser objeto de um maior escrutínio.” A Igreja Católica é a instituição que “mais investiu, em todo o mundo, na prevenção de abusos” e apenas “sete ou oito conferências episcopais [países em guerra ou a braços com grandes crises humanitárias] ainda têm pendente a aplicação das diretrizes da cimeira de fevereiro de 2019” reconhece o jesuíta que aponta, contudo, o “atraso na reparação dos danos causados às vítimas” como um dos pontos negros do caminho percorrido.

Nesta sexta-feira, 19 de fevereiro, celebrou-se em dezenas de dioceses de vários continentes uma jornada de oração convocada pela Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores para recordar as vítimas de abusos sexuais e as suas famílias. Na convocatória, a Comissão escreve: “A oração [desta primeira sexta-feira da Quaresma] é também uma importante forma de sensibilizar toda a Igreja sobre a realidade dos abusos, de promover a atenção e apelar à vigilância e à prevenção.”

 

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