
O arcebispo de Estrasburgo quer garantir que nenhum adulto em trabalho pastoral fique sozinho com uma criança ou jovem em espaços fechados. Foto © Peter Potrowl / Wikimedia Commons.
O arcebispo de Estrasburgo (França), Luc Ravel, apresentou esta semana um “código de relações pastorais” inédito na Igreja Católica, que visa impedir que situações de abuso sexual voltem a acontecer na sua diocese. O documento, que inclui uma série de normas para assegurar, em particular, que nenhum adulto em trabalho pastoral fique sozinho na presença de uma criança ou jovem num espaço fechado, deverá entrar em vigor em meados de novembro em todas as paróquias da Alsácia.
Com o objetivo de colaborar com a justiça, o arcebispo estabeleceu também um protocolo com os promotores de quatro cidades da região, de modo a facilitar a realização de denúncias de crimes sexuais, e assinou ainda um acordo com o Hospital de Estrasburgo para assegurar o acompanhamento necessário às vítimas, avançou o portal católico suíço Cath.ch.
Luc Ravel tinha já criado, em outubro de 2018, a comissão “Better be late” para denunciar “o cancro do abuso sexual cometido por padres”, a qual reuniu, no final de 2019, uma assembleia sinodal de quase 200 pessoas, entre religiosos e leigos, que avaliaram a extensão dos abusos na diocese.
“Tenho 104 dossiers de factos ou sinalizações [de abusos sexuais ocorridos] entre 1947 e 2020”, revelou o arcebispo durante uma conferência de imprensa realizada em Estrasburgo na passada terça-feira, 6 de outubro. Mas “a maior parte das vítimas ainda não se identificou”, referiu por seu lado a irmã Susannah Miriam Kelly, delegada episcopal. “Isto é só a ponta do icebergue.”










