Abusos sexuais na Igreja: Vítimas no Chile pedem indemnização de 1,3 milhões e um novo escândalo no Quebeque

| 7 Ago 20

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Ilustração © Catarina Soares Barbosa para 7MARGENS.

​As vítimas dos crimes de abuso sexual cometidos por padres católicos da diocese de Valparaíso, no Chile, exigem do bispado local mais de 1,3 milhões de euros em indemnizações. Numa ação interposta esta quarta-feira, 5 de agosto, a diocese é acusada de ter atuado de forma negligente. No dia seguinte, era tornada pública a autorização do Supremo Tribunal de Justiça do Québec a uma ação coletiva interposta por 330 ex-residentes no orfanato Mont d’Youville, gerido pelas Missionárias da Caridade. As religiosas são acusadas da prática de abusos psicológicos, físicos e sexuais ao longo de sete décadas.

“Em Valparaíso, houve uma rede de proteção para abusadores e assediadores, a qual funcionou, durante mais de 11 anos, no Seminário San Rafael de lo Vásquez”, pode ler-se no documento de acusação apresentado pelo advogado de cinco ex-seminaristas chilenos e divulgado pelos meios de comunicação locais. Mas apesar de alguns dos padres que cometeram os crimes de abuso já terem sido condenados, as autoridades da diocese não foram responsabilizadas “pelos constantes atos de encobrimento, omissões de investigação e amedrontamento às vítimas”, acrescentam os denunciantes.

“Queremos que o bispado nos reconheça como vítimas, que reconheça os factos (…) e que isto seja o caminho para que outras pessoas que também estão a iniciar o seu processo de denúncia recebam justiça e reparação. Precisamos que não haja mais impunidade”, sublinha o documento.

Também no Québec as autoridades religiosas estão a ser acusadas de não terem feito nada para prevenir ou impedir os abusos que terão acontecido desde 1925 até 1996 no orfanato Mont d’Youville, fundado e administrado pela congregação das Missionárias da Caridade.

Após ter analisado centenas de denúncias apresentadas já em 2018, um juiz do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu agora que “o cometimento de abusos que durou tanto tempo não poderia ter ocorrido sem o conhecimento das Irmãs da Caridade do Québec e que elas não tomaram nenhuma medida para acabar com esses abusos ou evitar a sua perpetuação”.

De  acordo com o jornal La Tribune, foram já identificados neste caso mais de 71 presumíveis agressores, entre os quais estão incluídas 55 religiosas, que terão sujeitado as crianças do orfanato a atos de violência psicológica, física e/ou sexual.

 

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