Testemunho de uma mulher vítima

Abusos sexuais: “Senti que não acreditavam em mim”

| 1 Jul 2022

Na conferência de imprensa da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa, que decorreu quinta-feira, 30 de junho, em Lisboa, foram lidos três testemunhos de vítimas de abusos, cujo anonimato foi mantido. Num dos casos, uma mulher de 50 anos fala do trauma que os abusos sofridos lhe deixaram e de como decidiu contar a sua história a um bispo, sentindo ainda assim que a sua versão não era plenamente aceite como verdadeira. Depois de ter divulgado o testemunho de uma outra vítima e pela sua importância, o 7MARGENS divulga a seguir esse texto. O título é da nossa responsabilidade.

mulher sozinha a chorar foto pexels

“Durante anos, não soube o que chamar ao que me aconteceu nem sabia como lidar com isso. Sabia que me sentia muito mal, que sentia nojo, que tinha pesadelos…” Foto: © Pexels.

 

 

Tenho 50 anos. Desde os 13 que tenho consultas de psiquiatria. Sabia que algo de muito mau se tinha passado na minha igreja, com o padre da minha paróquia, amigo da minha família, um homem respeitadíssimo na diocese, com obras publicadas.

Na altura eu tinha cerca de seis anos e a coisa continuou até aos dez/onze anos.

Durante anos, não soube o que chamar ao que me aconteceu nem sabia como lidar com isso. Sabia que me sentia muito mal, que sentia nojo, que tinha pesadelos…

Conforme fui crescendo, fui percebendo que um homem, um padre, fez comigo coisas que nunca deveria ter feito. Comigo cresceu a certeza de que, de alguma forma, eu tinha culpa do que me aconteceu. Algo como: se ele fez o que fez, é porque eu deixei ou mereci.

Há poucos anos, li uma entrevista do padre Hans Zollner e fez-se luz. Percebi tudo. No mesmo dia entrei em contacto com um padre ligado à comissão [de proteção de menores] da minha diocese. Dias depois, falei com um bispo.

Contei tudo.

Embora dissessem que acreditavam em mim, senti que não acreditavam na totalidade. Perguntaram-me: “Tem mesmo a certeza que foi esse padre?”. E esta pergunta revela que eles não acreditavam totalmente.

Mais tarde, num outro relato que fiz para outras pessoas ligadas à diocese, um sacerdote disse-me: “É estranho estar a falar no padre X. Estive com ele tantas vezes e nunca me apercebi de nada.”

Imagino que quem faz denúncias ouça este tipo de coisas. São uma espécie de facadas no coração. Como se eu não me lembrasse de todos os cheiros, de todos os toques, de todas as palavras.

Disse sempre que não quero dinheiro nem nenhum tipo de compensação.

Reafirmo o que disse na primeira vez que denunciei o caso: quero que o padre em causa saiba que me fez muito mal. A mim e a outras crianças a quem eu sei que fez o mesmo. Quero que perceba que mudou a minha vida para pior, que há uma nuvem escura que nunca me larga.

É bonito e bom que os bispos peçam desculpa, mas o que eu queria mesmo é que os padres que sabem o que fizeram tivessem a humildade de pedir perdão às crianças de quem abusaram. Talvez a nuvem escura começasse a desaparecer…

 

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