“Nós podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro.
A verdadeira tragédia da vida é quando homens têm medo da luz!”
Platão
O sobrevivente que o fizer, tem uma função insubstituível nos tempos de hoje: ir ao encontro de si mesmo até ao milagre da descoberta do amor próprio numa primeira longa fase. Depois virá o encontro íntimo com a sua insubstituível e profunda alteridade (o aceder ao outro desde si), um estado mais permanente de paz e serenidade. E esse “quase milagre” é só o começo! Nada de mais profético e belo pode existir. Da minha experiência pessoal, SIM, valeu a pena esgravatar-me até ao âmago. Fá-lo-ia de novo mil vezes.
Saberão as pessoas que estão à volta do sobrevivente acolher esta mudança profunda nele mesmo? Nem as estruturas de poder, nem mesmo muitas vezes os familiares e amigos íntimos estão prontos ou receptivos a acolher uma mudança profunda e projectam no sobrevivente as suas expectativas, relegando-o a uma escolha da qual não tem alternativa.
Escolho-me a mim mesmo ou o que os outros esperam de mim que já não sou?
A resposta é imediata e torna-se clara, especialmente se houve um trabalho persistente onde a ciência e o esgravatar genuíno e corajoso pessoal se fez bem feito.
Escolhe-se a si mesmo, mesmo a custo de ficar só, numa solidão não escolhida, mas riquíssima na diária descoberta da sua Profunda Alteridade (onde paradoxalmente, aí, descobre o verdadeiro acesso ao “outro”, ao diferente, ao que incomodava mas já não mais).
Não cabe ao sobrevivente mudar os outros! Não lhe pertence, pertence aos que abusaram e re-abusam. O foco do sobrevivente é SER e SER-se. O seu papel é único, mais solitário e, por isso mesmo, mais profético e altruísta! Ele tem de fazer o luto de muita coisa e essa é só uma das raízes a desenraizar porque não é dele! Foi-lhe imposta ou agarrou-se a ela para sobreviver, mas essa fase passou. E, sem que não o planeie nem provoque, descobre que essa fidelidade a si mesmo lhe dá o acesso a ver à sua volta os outros a mudarem sem que o tenha planeado! O foco é ser fiel a ser, não a projectar os seus problemas não resolvidos.
Um fardo silencioso

Konstantin Korobov, Agnus (2022), óleo sobre tela, ouro, 80 x 80 cm.
Muitas vítimas de abuso sexual carregam, durante anos, um fardo silencioso: a culpa e a vergonha que, irracionalmente, sentem sobre o próprio abuso. Esta auto-culpabilização é um processo psicológico comum que requer tempo e apoio para ser desconstruído. Porém, as instituições com dever de protecção e os sistemas de poder frequentemente instrumentalizam esta vulnerabilidade temporária, usando-a para se eximir de responsabilidades e proteger a sua reputação. Pior ainda: além de, como referi, familiares e amigos, até alguns maus profissionais (também há maus psicólogos), reforçam, consciente ou inconscientemente, esta dinâmica perversa, falhando em colocar a vítima e a sua recuperação no centro. O caminho para a verdadeira possibilidade de justiça exige uma inversão radical: é a vítima que deve ser apoiada no seu processo de libertação, enquanto instituições e comunidades assumem, sem subterfúgios, a responsabilidade e as contas que lhes cabem. Só então o abuso sexual passará a ser uma história.
E se isso for positivamente realizado, termina aí? A evolução do sobrevivente não termina aí e é muito importante afirmá-lo com toda a verdade. É nessa altura que reaparece o verdadeiro abuso. Mais insidioso e antigo. Mais enraizado. E não só no sobrevivente. Em todos nós, na sociedade ocidental de origem greco-cristã. Talvez as ferramentas que o sobrevivente obteve estejam ausentes de quem, mesmo sofrendo muito, nunca passou pelo abuso sexual.
Eu já atravessei esse longo deserto, inferno, desterro, quietude inquieta. Um menino lá atrás, irrequieto, quer brincar e não consegue. Agora é um “bebé antigo”, já adulto, que reclamou o direito a ter uma história própria e que finalmente pode crescer e, diria mesmo, nascer pela primeira vez.
Não sendo (e não quero ser mesmo) psicólogo, filósofo, especialista em genealogia do conhecimento ocidental, teólogo ou cientista, tive de me interessar e dedicar-me tempo a estudar e ler muitos deles, não por obrigação ou estudo, mas por sobrevivência. Para conseguir desenraizar as falsas raízes que não me pertencem nem nunca pertenceram, se quero ser fiel a mim mesmo.
A minha autoridade vem de 36 anos de silêncio após o abuso sexual, e mais de sete anos de psicoterapia onde, a dada altura, entendi pelos meus próprios meios ser lógico contar toda a minha história e instaurar um processo de uma possível justiça e reparação, promovendo a possibilidade de impedir o abusador de iludir outras vítimas e assim romper o ciclo. Tal processo terminou, e sobre ele tenho o justo direito à minha privacidade, reconhecendo igualmente a minha capacidade e profunda liberdade de ser vulnerável como a minha maior força. Ao contrário dos sistemas de poder, não ouso usar o sofrimento para manipular. A acção vem sempre do milagre que transcende e, o que o permitiu, deve perder o foco.
O foco é Ser

Wardha Shabbir, The Resilient (O Resiliente). Escultura de fibra de vidro criada pela artista paquistanesa, exibida na 32ª Bienal Internacional de Arte de Pontevedra (2025), Galiza, Espanha. A artista imagina um corpo que já não é vítima, mas que mantém a sua capacidade de dar vida, mesmo em condições difíceis.
Entendo que o meu foco é SER e a minha história de abusos repetidos ao longo de anos não interessa ao meu holofote. Escrevo para dar um contributo pessoal a quem ainda não contou a sua história de abuso. O respeito e coerência por mim mesmo exige-me isso. Quando és o milagre, é daí que nasce a necessidade de acção e de gritar ao mundo a boa notícia! A acção nunca deve partir da reação, da projecção. Isso é para quem ainda precisa de se descobrir e há imensos seres humanos com pés de barro que emanam uma falsa segurança sobre si mesmos, mas dessa, emana também a negação do diferente, do outro.
Por algum motivo que não me cabe descobrir, fui uma vítima tardia, já adolescente. Juntando isso a ter acertado à primeira a escolher um excelente profissional psicólogo, foi crucial em momentos chave onde arriscava regredir gravemente e colocar em causa todo o esforço de recuperação.
No meu caso, ao lado do psicólogo, a minha identidade espiritual teve sempre uma maturação. Ao longo do meu percurso sempre pressenti que uma figura me acompanhava, sem invadir, deixando-me ser e ser-me. E esse silêncio pré-anunciava uma escuta profunda que ajudou – quase um psicólogo divino – a espelhar-me Nele e encontrar imensos paralelos entre a minha identidade de vítima/sobrevivente e a identidade divina. Um diálogo mudo, íntimo e paradoxalmente eloquente. Nessa etapa de então, este texto saiu-me veloz da caneta da alma, onde o sujeito poderia ser eu ou Ele. Escolha o leitor:
Quisera não te impelir a escrever ou deixar marca que fosse
Quisera mudar-te o destino como eu o pedi pelo meu
Mas a história de Amor ainda agora começou
Fizeram-te Medusa e a Verdade empedrou-te
Como se a dança do teu fado não fosse esse verme
entorpecido da desventura que grita a verdade
e, no longo percurso do tempo, se transmuda em voragem.
Rochosa voragem que recria em si o ser-se incólume
Sonhei filho, ajoelhei pai, fadei quebrar o ciclo, quebrar-me a mim.
Acordasse já mãe, gigante destino adormecido!
Filtrasse o Amor destilado no chão
E ver-me reivindicar corpo inteiro sem concessões,
Eros profundo platónico e irmão da profunda alteridade
Foste irmão comigo, foste Medusa que empedra e liberta
Ser-me a nascer com corpo lunar e juntar-me ao sol claro.
És grande como eu te fiz, e fiz-te para a Luz.
“A minha mãe não sabe, mas pra mim é assim”

Pintura de Lê Công Thành (1932-2019), renomado escultor e pintor vietnamita, considerado uma das vozes mais distintas na escultura moderna vietnamita. Conhecido por suas representações refinadas de mulheres como símbolos de vida, equilíbrio e “beleza terna, inocente, com um toque de santidade”. A sua obra combina a estética oriental com uma profundidade humanista, incorporando clareza, graça e um poder silencioso.
Meses mais tarde escrevi sobre a minha mãe, sobre o destino que acredito ser o de cada um de nós sobreviventes: a desventura será também assunta no paraíso!
Cuidavas do templo sagrado na tua meninice
De um Deus que se diminuiu e inventou maneira
De subir à varanda do teu coração sem dares por isso
O pequeno meu, teu, nosso Deus grego que inventou
Viajar à desventura, infinita distância aquém d’Ele
Para ser templo em teu coração
Um templo com corpo,
Como assim se chamava o lunar Eros
Veio ao azedo da vida e o cru despedaçar da alma
E o doce silente desDeus, só homem, encurtou
A tua distância infinita ao Incriado, no teu fado
E tu já eras Medusa monstro pedra
Em tudo omissa ao teu dever, já sem corpo, já sem…
Serviste amos, bajulaste o austero, perdeste-te a ti
E quando outros descobriram o “eterno retorno”
Mesmo vizinhos do Amor que se enfrenta em Nada
O milagre de um filho que renasce não é ensaio
Mas pura verdade de se levar a ser Tudo em Nada
Um plano houve de uma mãe mulher que espelhou
O nosso destino. Ser Deuses em Deus.
Ela foi a primeira.
A desventura será também assunta.
Não há como não estar à altura de um tal destino
Nem há como imitar se não como uma mãe.
A minha mãe não sabe, mas pra mim é assim.
Não menos, não mais.
No segredo.
“Lisboa veste de luto”

Torre de Belém fotografada a 12 de Julho de 2025. Foto © Pero Joséres
Passei os últimos meses de 2025 em Lisboa, sabendo de antemão que a iria deixar, ao partir para a Ásia por uns tempos, para depois voltar a Espanha, onde trabalho.
Lisboa veste de luto
Veste de luto por mim que parto e ela encena
Encena a minha despedida. Chegando, parti.
Que a saudade remonta aos deuses
Choram nas ruas e vestem hoje de negro pra mim
A Torre de Belém
Deixar seres ser, ou serem ou pensarem ser, iludidos e lúcidos
É deixar-me a partir partido e inteiro
Numa adulta e inteira meninice
Que não mais deambula mas sonha e faz
Ser livre e não querer ser, é poder.
Livre seria ficar, perder-me a mim.
Pois é o meu tempo da travessia: como diz Pessoa,
Se não ousar fazê-la, terei ficado pra sempre, à margem de mim mesmo.
Agora, já no Vietname por motivo de trabalho, ficarei quase três meses. Ao ritmo das chuvas, enchentes, dias de calor e humidade. Visitei as lápides dos mestres ancestrais e debrucei-me sobre alguns dos seus escritos e máximas, tentando colocar-me ao lado deles com tudo o que sou agora.
A paz e a serenidade do momento confirmavam que eu devia continuar a purificar o olhar ao invés de intensificar o esforço. Quando uma missão se torna mais silenciosa, é porque se aproxima mais da essência.
O mais profundo desses mestres não te ensinaria a fazer, ensinaria a estar. E estar, neste caso, é presença que une mundos, sem precisar provar nada.
Tentei encontrar paralelismo entre o que Simone Weil refere sobre a “desventura” e a “descriação”. Sei e pressinto-o a todo o momento que para mim ou para qualquer sobrevivente, mesmo sem que o saiba ou nem acredite em Deus, o Silêncio de Deus é um elogio. É mesmo um elogio mútuo entre a criatura e Deus! Diria mesmo, é a essência de Deus. Pois, como no filho pródigo, é o pai que “deixa” o filho partir para ser-se e descobrir-se. Esse mesmo Pai foi na Criação também o inverso. Ele “retirou-se” para poder Criar e “deixar ser”. Como sobrevivente como bem o entendo com a minha alma! E é por isso que o grito de Cristo na cruz repete o mesmo ato criativo. Deus retira-se e o nosso irmão Jesus, tornando-se a própria “desventura”, recria-nos em Deus, colocando-O na nossa alma, de cada um de nós, inventando modo de o fazer sem “invadir”, e deixar-nos ser-nos!
Sobreviventes, os profetas de hoje

Praia da Fajã de Lopo Vaz, ilha das Flores, Açores. Foto © Pero Joséres
Talvez nós, os sobreviventes, sejamos os profetas de hoje (os profetas sempre meteram os pés pelas mãos a tentar entender o seu propósito, senão não seriam profetas). Afirmo-o com toda a simplicidade e tento perceber o que Deus quer dos sobreviventes nos dias de hoje. O resto não interessa.
Qualquer um de nós, quando instauramos um diálogo com alguém, um diálogo adulto e maduro, há um precedente básico. Há que saber de antemão quem somos nós próprios! Os sobreviventes não acedem por muitos anos a essa clareza. Faz parte da natureza da sua desventura. Por isso talvez o livro do Genesis, Adão e Eva tenha de ter uma releitura mais coerente com a natureza de Deus. O acto de Eva não é “desobedecer”, como a desventura não é uma escolha. Estava, mesmo no acto criativo de Deus, implícito que Ele também se “ausentou para criar”. Assim como Eva e Adão se tiveram de ausentar para se descobrirem, perceberem quem são e assim um dia poderem aceder a um diálogo com Deus. Como no filho pródigo.
Para poderem dialogar com o Incriado, têm primeiro de se descobrir num processo longo e que as estruturas de poder e as pessoas em geral, querem inviabilizar. Esta foi a descoberta mais fascinante e é bem descrita pela Simone Weil: “O grande enigma da vida humana não é o sofrimento, é a desventura. Aqueles que, por mais que tenham sofrido, não fazem a mínima ideia do que seja. A desventura é irredutível ao sofrimento.” Este é o núcleo onde falha a ortodoxia dos sistemas éticos sejam eles da Igreja ou outros.
Não foi e é Deus assim? Manifesta-se no descarte para confundir os fortes?
Descriação é o contrário de criação. É fazer o nosso percurso individual e adulto de um dia aceder ao diálogo íntimo e pessoal com o Incriado e nesse momento, oferecer-nos a nós mesmos a possibilidade (se o deixarmos), de “deixarmos” a Deus ser e passar ao milagre de sermos com Ele e n’Ele. Pessoalmente, acredito que a mãe de Jesus foi a primeira. Intimamente acredito que a desventura e os sobreviventes estão destinados a sublinhar este aspecto tão belo do plano de Deus. Onde autonomia, crescimento pessoal e ser adultos por inteiro com corpo e alma, não significou algo negativo nem pecaminoso. Era sim, condição necessária a aceder à relação profunda com Deus. E Ele foi o primeiro a dar o exemplo. Nunca o foco foi o sofrimento, mas o entrar numa relação plena e íntima com Deus.
Os Sábios do Templo da Literatura

Hanói (Vietname), Outubro de 2025: uma rua da cidade; o Templo da Literatura; um painel ilustrativo da vida de Chu Văn An, dedicada ao ensino; lápides dos túmulos dos sábios ancestrais no Templo da Literatura que repousam em cima da tartaruga, símbolo da longevidade, sabedoria e solidez moral. Foto © Pero Joséres.
Nos sábios do Templo da Literatura aqui no Vietname, especialmente os confucianos e taoístas ali homenageados, não encontramos a mesma teologia do sofrimento (muito menos no sentido que o poder ou o cânone teológico codificou), mas há textos que tocam o mesmo núcleo espiritual. A rendição do ego e a serenidade diante da adversidade como via para a verdade.
Alguns paralelos notáveis:
- Nguyễn Trãi (1380–1442), um dos mais venerados sábios-poetas do Vietname, escreveu após longos anos de exílio e perseguição:
“O coração puro não teme o céu turvo. A verdade não depende da sorte. Mesmo esmagado pela injustiça, o homem reto continua a ser a montanha que não se move.”
Aqui, como em Weil, há o reconhecimento de que a pureza e a verdade sobrevivem à dor e à derrota.
- Chu Văn An (1292–1370), outro mestre reverenciado no templo, renunciou ao cargo imperial por ética e retirou-se à montanha. Disse num de seus escritos:
“Quem ama a virtude deve suportar o isolamento como o pinheiro enfrenta o inverno.”
É a mesma lógica da desventura: a solidão moral como preço da integridade espiritual.
- E no plano mais universal, o Tao Te Ching, muito lido pelos sábios vietnamitas, diz:
“Aquele que se curva, será fortalecido. Aquele que se esvazia, será preenchido. Aquele que aceita a perda, encontrará o caminho.”
Essa aceitação radical da perda como via para o real está muito próxima do que Simone Weil chama de “descriação”, a anulação do eu para que Deus seja.
Portanto, sim, há ecos vietnamitas e confucianos da “desventura” weiliana, mas expressos com outra sensibilidade: menos trágica, mais circular, mais integrada no equilíbrio da natureza. Weil mergulha na dor até à transparência; os sábios vietnamitas atravessam a dor até à harmonia.
Se estás a ler isto e és ou foste vítima/sobrevivente, independentemente de seres crente ou não, tens todo o direito de viver verdadeiramente e fazer as tuas escolhas profundas. Diria mais: tens o dever e contributo insubstituível a dar a todos nós. Aos que querem e aos que não querem ouvir-te. Muito especialmente nos dias de hoje. Irás descobrir que, mesmo que não queiram ouvir-te profundamente, merece a pena o esforço.
A vida é demasiado bela e merece arriscá-la. Afirmo algo arriscado, mas sei que só certos sobreviventes me compreenderão: é tão bom voltar uma vez mais a sentir medo de morrer e estava bloqueado! É isso também sinal do profundo amor próprio tão necessário para sermos adultos e, porque não, sermos os profetas de hoje!
– Acompanhas-me, ou escolhes os outros?

Auto-retrato do autor junto da intervenção de iluminação arquitectónica do artista francês Patrice Warrener, Cromolite. Junho de 2025, Igreja da Virgem Peregrina, Praça Peregrina, 32ª Bienal Internacional de Arte de Pontevedra (2025), Galiza, Espanha. Foto © Pero Joséres
Pero Joséres é o pseudónimo de um sobrevivente de abusos sexuais que trabalha actualmente numa empresa de serviços, depois de um percurso profissional em cujos empregos foi criando as suas próprias funções. Durante grande parte da sua vida integrou um movimento eclesial da Igreja Católica, em Portugal e Itália, até 1995, onde conheceu os escritos de Simone Weil (1909-1943). Contacto: pero.joseres@icloud.com










