AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Manifestação juntou grupos fundamentalistas, no dia 26 de setembro, contra alegada blasfémia de cristão, crime punido no Paquistão. Captura de imagens de vídeos das redes sociais.
Manifestação juntou grupos fundamentalistas, no dia 26 de setembro, contra alegada blasfémia de cristão, crime punido no Paquistão. Captura de imagens de vídeos das redes sociais.

Paquistão

Acusação de blasfémia e protestos revelam “situação frágil” das minorias

| 05/10/2025

 

Asher Bhatti, um cristão de Nishtar, em Lahore, foi acusado de cometer blasfémia no Paquistão. A acusação contra Bhatti é que ele teria publicado conteúdo ofensivo do islão na rede social Facebook. O caso remonta ao passado dia 16 de setembro, e “gerou agitação na comunidade, levando a tensões crescentes entre grupos religiosos”, conforme relata Lazar Aslam, um padre franciscano capuchinho, num relatório enviado ao 7MARGENS.

Já em entrevista ao nosso jornal no passado mês de junho, o padre Lazar Aslam explicava que o Paquistão “possui um quadro legal que inclui leis rigorosas contra a blasfémia”. Este religioso e ativista dos direitos humanos referia então que “ao longo de décadas, o extremismo religioso no Paquistão cresceu, alimentado por grupos radicais que promovem a intolerância e a violência”.

“Esses grupos, através de um discurso de ódio e propaganda, incitam a violência contra minorias, incluindo cristãos. Entre esses grupos extremistas, destacam-se o Lashkar-e-Tayyiba e o Tehreek-e-Labbaik Paquistão”, contava nessa ocasião Lazar Aslam, que trabalha na arquidiocese de Lahore.

Foi precisamente um membro do grupo político-religioso Tehreek-e-Labbaik Paquistão, Qari Muhammad Ali, quem veio agora “exigir a detenção imediata de Asher Bhatti”. Esta exigência foi acompanhada por uma manifestação que juntou vários grupos fundamentalistas, no passado dia 26 de setembro. Os protestos iniciaram-se em frente à casa de Asher Bhatti, e levaram ao bloqueio de uma estrada principal, “causando grande perturbação da ordem pública”, refere o padre Aslam.

O capuchinho refere ainda os efeitos imediatos na vida dos cristãos daquela região: “Muitos cristãos locais foram obrigados a abandonar as suas casas, tornando-se deslocados e vivendo num estado de medo e insegurança. Atualmente, a situação na zona permanece incerta, e muitas famílias ainda têm medo de regressar às suas casas”, diz ao 7MARGENS.

Com o objetivo de “evitar possíveis ataques”, a polícia paquistanesa decidiu fechar no passado dia 28 de setembro as igrejas da área onde os protestos ocorreram. Apesar dessas medidas de precaução, uma Igreja Evangélica Cristã, “foi atacada e apedrejada”, conta o padre ativista.

“Condenamos veementemente o alegado ato de blasfémia de Asher Bhatti, que criou agitação e colocou em risco a coexistência pacífica”, refere o padre paquistanês. Lazar Aslam pede às autoridades que “tomem as medidas legais adequadas contra o acusado, de acordo com a lei”, que “garantam a segurança e a proteção de todas as famílias cristãs inocentes”, e “evitem uma maior escalada, mantendo a lei e a ordem rigorosas”.

O padre Aslam expressa também o seu agradecimento pela “intervenção oportuna [das forças de segurança] para evitar violência em grande escala”, e refere que este incidente “reflete a situação frágil enfrentada pelas comunidades minoritárias no Paquistão”.

Texto publicado no âmbito da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This