Advogada iraniana condenada a 38 anos de prisão por luta pelos direitos das mulheres

| 14 Mar 19

Fonte © Iran Human Rights

A advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Nasrin Sotoudeh foi condenada a um total de 38 anos de prisão (33 anos por um caso e cinco noutro) e 148 chicotadas. A denúncia, feita segunda-feira, 11 de março, por Reza Khandan, marido da advogada, através da rede social Facebook, levou já a  Amnistia Internacional a recordar que Nasrin tem dedicado a sua vida a trabalho humanitário de paz, defendendo mulheres que protestam contra as leis do hijab no Irão: não poder sair de casa a menos que o cabelo, braços e pernas estejam cobertos. 

Em 2010, a advogada já tinha sido presa e sentenciada por defender manifestantes do Green Movement, um grupo de oposição ao regime. Já na altura, a sua detenção levantou uma onda de críticas internacional e Nasrin chegou a fazer uma greve de fome, depois de lhe serem negadas visitas dos dois filhos. Após passar três anos na prisão, foi libertada em 2013 mas continua proibida de representar casos políticos ou sair do Irão até 2022. 

A ativista, que ganhou o Prémio Sakharov pela Liberdade de Pensamento, em 2012, devido ao seu trabalho no apoio a presos que estão no corredor da morte, foi acusada e detida por ameaça à segurança nacional, em junho de 2018. Antes da detenção, a mulher, de 55 anos, tinha defendido em tribunal vários casos de mulheres presas por aparecerem em público com a cabeça descoberta – em protesto contra o código de conduta que vigora no país. 

Desta vez, a advogada enfrentava nove acusações em dois julgamentos diferentes – um dos quais (que originou a sentença mais pesada, de 33 anos) decorreu na sua ausência. Os seus crimes, segundo o tribunal, incluem “propaganda contra o Estado”, “distúrbio da paz pública e ordem”, “aparecer em tribunal sem hijab“, “encorajar a corrupção e a prostituição” e “insultar o líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei”. De acordo com o marido, nem ele nem Nasrin sabiam, sequer, da existência da última acusação. 

De acordo com a Amnistia Internacional, esta é a sentença “mais dura” registada contra um defensor de direitos humanos nos últimos anos, o que sugere que as autoridades estão a aumentar os níveis de repressão no país. Quarta-feira, 13, a organização divulgou um comunicado em que classifica o caso de “injustiça revoltante” e apelou ao líder supremo do Irão para que a advogada fosse libertada imediatamente, e que as acusações feitas fossem invalidadas.

Também a Associação de Defesa de Direitos Humanos do Irão denunciou um julgamento “que não segue as regras internacionais do processo” e conta que a justiça começou por castigar “jornalistas, ativistas e dissidentes” e agora estão a perseguir a sua “última linha de defesa.”

Nasrin Sotoudeh não é o único membro da família a ser sentenciado à prisão este ano. O marido, Reza Khandan, foi condenado em janeiro a seis anos de prisão por colocar pormenores sobre o caso da sua mulher na sua página do Facebook, mas ainda não foi preso.

Artigos relacionados

Breves

Cardeal Tagle propõe eliminar a dívida dos países pobres novidade

O cardeal filipino Luis Antonio Tagle, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, propôs a criação de um Jubileu especial em que os países ricos perdoem a dívida dos países pobres aos quais concederam empréstimos, de forma a que estes tenham condições para combater a pandemia de covid-19.

Oxfam pede “um Plano Marshall de Saúde” para o mundo novidade

A Oxfam, ONG de luta contra a pobreza sediada no Quénia e presente em mais de 90 países, pediu esta segunda-feira, 30, “um plano de emergência para a saúde pública” com a mobilização de 160 biliões de dólares. Este valor permitiria duplicar os gastos com a saúde nos 85 países mais pobres, onde vive quase metade da população mundial.

Peter Stilwell deixa reitoria da única universidade católica da R.P. China

O padre português Peter Stilwell será substituído pelo diácono Stephen Morgan, do País de Gales, no cargo de reitor da Universidade de São José, em Macau.  A mudança, que já estava a ser equacionada há algum tempo, está prevista para julho, depois de um mandato de oito anos naquela que é a única universidade católica em toda a República Popular da China.

Governo português decreta que imigrantes passam a estar em situação regular

O Governo português decretou que, a partir de 18 de Março (dia da declaração do Estado de Emergência Nacional), todos os imigrantes e requerentes de asilo que tivessem pedidos de autorização de residência pendentes no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) passam a estar em situação regular, com os mesmos direitos que todos os outros cidadãos, incluindo nos apoios sociais.

Boas notícias

É notícia

Entre margens

As circunstâncias fazem os grandes líderes. Cá estão elas.

Faço parte de uma geração que reclama grandes líderes. Não tenho muitas dúvidas que esta reclamação é de quem vive num certo conforto. Não tive um Churchill porque não passei por uma grande guerra. Não tive um Schuman porque não era vivo quando a Europa esteve em cacos. Não tive um Sá Carneiro, Freitas do Amaral ou Mário Soares porque não era vivo quando Portugal ainda só sonhava com uma Democracia plena e funcional.

Cultura e artes

Nick Cave e o espanto de Maria Madalena defronte do túmulo

É um assombro que espanta Nick Cave, aquele em que Maria Madalena e Maria permanecem junto à sepultura. Para o músico australiano, este é provavelmente o seu momento preferido da Bíblia. Jesus tinha sido retirado da cruz, o seu corpo depositado num túmulo novo, mandado talhar na rocha, e uma pesada pedra rolou para fazer a porta da sepultura. Os doze discípulos fugiram, só Maria Madalena e “a outra Maria” ali ficaram diante do túmulo.

Nick Cave e o espanto de Maria Madalena defronte do túmulo

É um assombro que espanta Nick Cave, aquele em que Maria Madalena e Maria permanecem junto à sepultura. Para o músico australiano, este é provavelmente o seu momento preferido da Bíblia. Jesus tinha sido retirado da cruz, o seu corpo depositado num túmulo novo, mandado talhar na rocha, e uma pesada pedra rolou para fazer a porta da sepultura. Os doze discípulos fugiram, só Maria Madalena e “a outra Maria” ali ficaram diante do túmulo.

Uma tragédia americana

No dia 27 de Julho de 1996, quando decorriam os Jogos Olímpicos, em Atlanta, durante um concerto musical, um segurança de serviço – Richard Jewel – tem a intuição de que uma mochila abandonada debaixo de um banco é uma bomba. Não é fácil convencer os polícias da sua intuição, mas ele é tão insistente que acaba por conseguir.

Sete Partidas

Um refúgio na partida

De um lado vem aquela voz que nos fala da partida como descoberta. Um convite ao enamoramento pelo que não conhecemos. Pelo diferente. Um apelo aos sentidos. Alerta constante. Um banquete abundante em novidade. O nervoso miudinho por detrás do sorriso feliz. Genuinamente feliz. O prazer simples de não saber, de não conhecer…

Visto e Ouvido

Igreja tem política de “tolerância zero” aos abusos sexuais, mas ainda está em “processo de purificação”

D. José Ornelas

Bispo de Setúbal

Agenda

Fale connosco