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Advogados ingleses pedem renúncia do arcebispo de Westminter por causa dos abusos

Advogados ingleses pedem renúncia do arcebispo de Westminter por causa dos abusos

by | 12 Nov 19 | Igreja Católica, Newsletter diária - título, Últimas

Em Londres, advogados pedem a renúncia do arcebispo católico de Westminster, por evidências fortes de não ter agido para proteger as vítimas. Nos Estados Unidos, está para ser publicado em breve o relatório da investigação do Vaticano ao antigo cardeal McCarrick. Em França, os bispos estão reunidos e dizem que a sua missão não é “manter uma realidade chamada Igreja”, mas “chamar ao seguimento de Cristo”.

Grafite numa parede de Lisboa fotografado em 2011, aludindo ao abuso sexual de clérigos sobre menores. Foto Milliped/Wikimedia Commons

 

Vários advogados de vítimas de abusos sexuais cometidos por padres pediram a renúncia do cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e actual presidente da Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales.

O apelo foi publicado segunda-feira, 11 de Novembro, numa carta publicada no The Tablet, revista católica independente, depois de terem sido divulgadas o que os advogados consideram fortes evidências de que o cardeal desprezou o testemunho de pessoas abusadas.

Escrevendo em nome de 50 vítimas e sobreviventes de abusos, os advogados escrevem que as conclusões do inquérito independente sobre abuso sexual de crianças (IICSA), divulgado no final de Outubro, permitiu averiguar o desempenho dos responsáveis católicos para salvar as vítimas. Desde 2001, dizem, o cardeal Nichols está no centro da falta de resposta aos escândalos de abuso, já desde o tempo em que era arcebispo de Birmingham. A sua actuação agora como responsável da diocese de Westminster é “disfuncional” e “insegura”, acusam os advogados, na linha do inquérito, que vai ao ponto de desdenhar do testemunho dos sobreviventes.

“A Igreja precisa de líderes que imponham respeito nessas questões; o cardeal Nichols não o faz. Está claro para nós, e para aqueles que representamos, que chegou a hora de ele renunciar”, conclui a carta, assinada pelos advogados Richard Scorer e David Enright.

 

Relatório da Santa Sé sobre McCarrick em breve

O arcebispo de Boston, cardeal Sean O’Malley, disse entretanto aos bispos dos Estados Unidos que os resultados da investigação ao antigo cardeal Theodore McCarrick deverão ser publicados pelo Vaticano, o mais tardar no início de 2020.

“A intenção é publicar a resposta da Santa Sé em breve, e se não for antes do Natal, no próximo ano”, disse O’Malley aos seus colegas dos EUA, citado pela Catholic News Agency.

O ex-cardeal McCarrick, 89 anos, antigo arcebispo de Washington, renunciou ao cardinalato em Julho de 2018, depois de uma alegação de abusos sexuais contra ele ter sido considerada como “credível e comprovada”. Depois de uma primeira fase em que o Papa Francisco o obrigou a reclusão, em Fevereiro deste ano, pouco antes da cimeira do Vaticano convocada para debater a questão dos abusos sexuais do clero, o Papa demitiu-o mesmo do estado clerical.

Em agosto de 2018, o antigo núncio apostólico (embaixador do Vaticano) nos Estados Unidos, o arcebispo Carlo Maria Viganò, acusou o Papa de conhecer sanções que antes haviam sido impostas a McCarrick, mas que decidira revogá-las. Várias informações entretanto surgidas na imprensa contrariaram a versão de Viganò.

Os bispos americanos tinham, entretanto, pedido que a investigação ao cardeal fosse tornada pública, depois de o Vaticano ter anunciado que ela seria feita de forma administrativa e não com um processo judicial completo, tendo em conta as evidências esmagadoras que o caso demonstrava.

Já na reunião plenária da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, iniciada segunda-feira, 11 de Novembro, e que termina nesta quarta-feira, 13, dois bispos pediram que a agenda incluísse um ponto sobre o decorrer das investigações. Foi nesse contexto que O’Malley, que é também presidente da Comissão de Protecção de Menores do Vaticano, informou que os resultados serão tornados públicos em breve.

O arcebispo de Boston lamenta ainda a demora da investigação, mas o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, já fez saber que a grande quantidade de informação não permitiu ainda concluir a investigação – inicialmente, os bispos esperavam a divulgação do relatório para antes desta reunião de Novembro.

Citado ainda pela mesma fonte, O’Malley insistiu na vontade dos bispos em ter o relatório e respostas às dúvidas formuladas por muita gente, lamentando ao mesmo tempo a “longa espera” que tem provocado uma “grande frustração” em muitos crentes.

 

Os bispos não o são “para manter a Igreja”

Também em França o tema dos abusos está na agenda da assembleia plenária dos bispos, que decorre esta semana em Lourdes (sul do país). No discurso de abertura da reunião, o presidente da Conferência Episcopal Francesa, Éric de Moulins-Beaufort, afirmou que os bispos não o são “para manter uma realidade chamada Igreja”, mas para “chamar ao seguimento de Cristo”.

Os bispos franceses fixarão na próxima Primavera um valor de indemnização às vítimas de abusos do clero. O arcebispo de Reims afirmou que estas “não pediam compaixão ou compensação pelos seus sofrimentos”. O sofrimento era consequência da agressão, sim, “mas também do silêncio, da cegueira (…) mesmo na esfera eclesial e por parte das autoridades da Igreja”.

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