OMS denuncia situação dramática

Faltam 500 milhões de doses da vacina anti-covid em África

| 16 Set 21

O programa solidário multilateral COVAX viu-se forçado a reduzir em perto de 150 milhões as doses que tinha planeado embarcar para África. Foto © UNICEF/UN0420494/Krishnan.

 

No momento em que os países do hemisfério Norte se congratulam com o relativo sucesso do processo de vacinação e reduzem fortemente as restrições da pandemia, o continente africano enfrenta um défice de quase 500 milhões de doses relativamente à meta mundial que havia sido definida de imunizar totalmente 40 por cento da população até ao final de 2021. 

A denúncia chega através de um comunicado difundido esta quinta-feira em Brazzaville, Congo, pelo escritório da Organização Mundial de Saúde (OMS) naquela região.

Para agravar uma situação já de si muito grave, faz ainda notar o comunicado, o programa solidário multilateral COVAX viu-se forçado a reduzir em perto de 150 milhões as doses que tinha planeado embarcar para África, continente que acaba de ultrapassar esta semana a barreira dos 8 milhões de novos infetados .

O volume de doses que vai ser efetivamente disponibilizado pelo dispositivo COVAX e pela União Africana, que ronda os 470 milhões de doses, não chega para vacinar mais de 17 por cento da população, isto é, menos de metade do previsto.

“As proibições de exportação de vacinas e a respetiva acumulação estão a prejudicar o seu fornecimento para a África. Enquanto os países ricos trabalharem para manter a COVAX fora do mercado, a África não será capaz de cumprir as suas metas de imunização”, alertou Matshidiso Moeti, diretor da OMS para a África.

Risco da falta de solidariedade pode afetar os países mais ricos

Aquele responsável internacional considerou também que “as enormes desigualdades no que respeita à equidade no acesso às vacinas estão longe de ser resolvidas com a rapidez necessária”. “É chegada a hora de os países produtores de vacinas agirem e ajudarem a proteger os mais vulneráveis ​​”, apelou.

O programa COVAX apelou aos países doadores, que dispõem de stocks e que têm a vacinação avançada, que aceitem partilhar excedentes, como de resto se comprometeram, e que deem prioridade aos países que precisam. Os dados mostram que o insucesso desses apelos. 

Alguns dados facultados pela OMS permitem fazer uma ideia da gravidade da situação em África:

– Dos seis mil milhões de doses ministradas no mundo inteiro, apenas cerca de 2 por cento couberam à população africana;

– Neste mês de setembro o COVAX deveria fazer chegar àquele continente 95 milhões de doses; no entanto não foi possível vacinar ali mais de 50 milhões de pessoas. 

– Os países de rendimento elevado aplicaram 48 vezes mais doses por pessoa do que os países de baixos rendimentos.

Manter uma tal política acaba por ser um risco para os próprios países do hemisfério Norte. Como diz o diretor regional da OMS em África, “a “vertiginosa desigualdade de acesso” e “o grande atraso nos embarques de vacinas ameaçam transformar regiões com baixas taxas de vacinação, em África, em zonas de propagação de variantes resistentes à vacina, o que poderia fazer o mundo voltar à estaca zero”.

77 milhões de crianças ainda sem aulas presenciais

A UNICEF e alguns parceiros seus decidiram fechar esta quinta-feira os seus espaços digitais durante 18 horas, como forma de chamar a atenção para os muitos milhões de crianças em todo o mundo, que estão sem aulas e sem outros apoios, devido à pandemia.

Ao fim de ano e meio, 77 milhões de crianças de seis países continuam impedidas de ir às aulas por as esolas se encontrarem total ou parcialmente encerradas. Entre os seis países que ainda não abriram as salas de aula contam-se o Bangladesh, Filipinas e Panamá.

Os dados são da UNICEF que adianta que, “no total, cerca de 131 milhões de alunos em 11 países perderam mais de três quartos da sua aprendizagem presencial”.

UNICEF e parceiros decidiram fechar esta quinta-feira os seus espaços digitais durante 18 horas. Foto: Direitos reservados.

 

“As perdas que os alunos estão a sofrer por não estarem na escola podem nunca ser recuperadas”, disse a diretora executiva da UNICEF, Henrietta Fore, que apela aos governos para sopesarem os riscos que uma geração inteira está a correr.

Para além das aprendizagens, outros problemas surgem com as portas das escolas fechadas: falta de refeições regulares, vacinas, isolamento, maior exposição a riscos de abuso e violência, abandono escolar e trabalho infantil, refere a organização.

Em numerosos países foram montados sistemas de ensino a distância, mas essa modalidade fez vir ao de cima acentuadas desigualdades no acesso à tecnologia e às redes. 

 

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