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Agnès Varda, cineasta “marcada pela liberdade de expressão”

| 02/04/2019

Agnès Varda, cineasta “marcada pela liberdade de expressão”

by | 2 Abr 19 | Cinema, televisão e média, Cultura e artes, Últimas

Imagem de produção do filme “Os Respigadores e a Respigadora”, de Agnès Varda.

 

A realizadora Agnès Varda, que morreu sexta-feira, 29 de março, era uma cineasta marcada pela “liberdade de expressão”. Foi desse modo que L’Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, prestou a sua homenagem à realizadora, uma das fundadoras da nouvelle vague, corrente fundamental do cinema francês e mundial, da década de 1960.

Agnés Varda, que morreu vítima de cancro, deixou para as gerações futuras “uma confiança cega na capacidade do grande ecrã em capturar a verdade”, que a levou a abordar de forma incontornável a “temática” social e “feminista”.

O L’Osservatore Romano destaca ainda o amor pelo marido, a quem a cineasta dedicou Jacquot de Nantes (1991), um ano depois do falecimento do também cineasta Jacques Demy. 

Emilio Ranzato, autor do artigo, lembra em especial o primeiro filme La Pointe Courte (1955), uma obra que manifesta “qualidade, segurança e vontade de inserção numa nova linguagem que ainda não tem nome” e que é seguida por “vários jovens autores”, ou o filme Kung Fu Master (1988), uma obra quase esquecida. 

Entre os filmes de Agnés Varda destacam-se Cléo de 5 à 7, de 1962, nouvelle vague em estado puro, diz Ranzatto, não apenas “porque se fala de temas delicados com a leveza típica de Godard e companheiros, mas também porque, mais subtilmente, aquelas duas horas de intervalo do título elevam o mundo cinematográfico ao mundo real”. E também Sem Teto Nem Lei, de 1985, filme que deu à autora o Leão de Ouro do Festival de Veneza, que manifesta “como a cineasta cedia por vezes aos intelectualismos.”

Para o grande público, ficou ainda o filme As Cento e Uma Noites, que contou com a interpretação de grandes atores como Leonardo di Caprio e Catherine Deneuve, recorda o crítico, num texto publicado na página do Secretariado da Pastoral da Cultura. 

Emilio Ranzato elogia também a atenção da cineasta ao neo-realismo, sobretudo o de matriz viscontiana e, em jeito de conclusão, destaca  da vida da autora e de “toda a carreira uma liberdade de expressão que no cinema de hoje – mesmo no dos festivais – seria impensável.”

Agnès Varda era fiilha de pai grego e mãe francesa e nasceu a 30 de maio de 1928, na Bélgica, tendo-se casado mais tarde com Jacques Demy, outro protagonista da nouvelle vague.

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