Agosto no Algarve

| 17 Ago 2023

Amendoeiras em flor

“Quis a princesa Gilda que nevasse no Algarve e os árabes embelezaram os campos com flores de amendoeira.” 

 

Quis a princesa Gilda que nevasse no Algarve e os árabes embelezaram os campos com flores de amendoeira.

O céu ao fundo, espelhava a suave transparência da casa dos peixes plantados por Deus.

Depois os peixes e as amêndoas encheram as alfaias nos caminhos da sobrevivência. Os séculos, sempre os séculos pendurados nas asas das andorinhas.

Mar e campo em abraço apertado, pesca e agricultura, gente e caminhos de terra por percorrer. Os nascentes e os poentes a colorir a vastidão diante do olhar da esperança.

Nevou no Algarve, como Gilda quis. Mas, como tudo o resto que acontece no Algarve, fez-se neve sem frio sob doce fragrância; manto branco florido e desaguado em licor.

Hoje essa neve sufoca por entre o cimento dos cifrões e o Algarve afoga-se, sem socorro, em mar próprio.

A transparência espelhada do silêncio partiu com a memória de quem já se despede também; deixaram-nos as luzes a encadear as tonturas e o barulho a ofender o pensamento.

Deixaram-nos um título com sabor a derrota de orgulho ferido, deixaram-nos sem a cama e o sono onde a rotina nos devolve à familia, ao amor, ao que somos.

Tornou-se dura, a herança, e as alfaias estão vazias; o mar é histérico e os barcos não pescam; os burros extinguem-se e os amores como os de Gilda e Albundim escasseiam no coração do povo.

 

Ana Sofia Brito começou a trabalhar aos 16 anos em teatro e espetáculos de rua; Depois de dois anos na Universidade de Coimbra estudou teatro, teatro físico e circo em Barcelona, Lisboa e Rio de Janeiro, onde actualmente estuda Letras. Autora dos livros “Em breve, meu amor” e ” O Homem do trator”.

 

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças

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Foi há pouco mais de cinco meses que, para surpresa de todos, o Papa anunciou a realização da I Jornada Mundial das Crianças. E talvez nem ele imaginasse que, neste curto espaço de tempo, tantos grupos e famílias conseguissem mobilizar-se para participar na iniciativa, que decorre já este fim de semana de 25 e 26 de maio, em Roma. Entre eles, estão alguns portugueses.

Cada diocese em Portugal deveria ter “uma pessoa responsável pela ecologia integral”

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A encíclica Laudato Si’ foi “determinante para o compromisso e envolvimento de muitas organizações”, católicas e não só, no cuidado da Casa Comum. Quem o garante é Susana Réfega, portuguesa que desde janeiro deste ano assumiu o cargo de diretora-executiva do Movimento Laudato Si’ a nível internacional. Mas, apesar de esta encíclica ter sido publicada pelo Papa Francisco há precisamente nove anos (a 24 de maio de 2015), “continua a haver muito trabalho por fazer” e até “algumas resistências à sua mensagem”, mesmo dentro da Igreja, alerta a responsável.

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Bispo José Ornelas: “Estamos a mudar o paradigma da Igreja”

Terminou a visita “ad limina” dos bispos portugueses

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“Penso que estamos a mudar o paradigma da Igreja”, disse esta sexta-feira, 24 de maio, o bispo José Ornelas, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), numa conversa com alguns jornalistas, em plena Praça de S. Pedro, no Vaticano, em comentário ao que tinha acabado de se passar no encontro com o Papa Francisco e às visitas que os bispos lusos fizeram a vários dicastérios da Cúria Romana, no final de uma semana de visita ad limina.

O mundo precisa

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