Tradição de 5 e 6 de janeiro

Ainda se ouve cantar os Reis nas aldeias transmontanas

| 12 Jan 2024

Grupo de cantores dos Reis em Raiz do Monte. Foto © Filipe Ribeiro

 

Na noite gélida de 5 de janeiro, uma dezena de pessoas de Raiz do Monte, uma aldeia do concelho de Vila Pouca de Aguiar, resistiram às temperaturas negativas, juntaram-se no Largo da Igreja e saíram pelas ruas, cantando os Reis. “Nós juntamo-nos sempre neste dia à noite. Vamos de porta em porta, as pessoas já nos conhecem, e pedimos para a festa de São João, que é o nosso padroeiro”, diz Jaime Carvalhais, habitante da aldeia e animador do peditório.

Andam os cantores com passo apressado porque a temperatura não convida a estar parado nem a vagares escusados. Parar, só à porta de cada casa. “Neste dia temos de andar depressa. São muitas as casas para visitar. Além disso, está frio e assim também aquecemos”, comenta José Jaloto, um dos cantores do grupo. Descem as ruas, batem às portas, cantam as janeiras, desejam um bom ano aos da casa e pedem para o São João e para a sua festa que chegará no início do verão (24 de junho). É assim todos os anos.

Alguns elementos deste grupo, composto por seis homens e cinco mulheres, são parte integrante do Rancho Folclórico de Raiz do Monte, mas neste dia deixaram o traje que compõem a indumentária etnográfica em casa, assim como os instrumentos. Cantam à capela para que a voz se ouça, aquecendo a garganta tolhida pelo frio.

Em Raiz do Monte, batida pelo vento frio próprio dos 800 metros de altitude, há muitas casas vazias, assim como em muitas outras aldeias transmontanas. A emigração de décadas a fio transformou a vida da comunitária. Mas nas casas que têm gente, de residentes habituais, recebem de braços abertos os cantantes. “A maioria pede para entrarmos e oferece de beber. Normalmente um copo de vinho. Mas se bebermos em todas as casas, depois não acertamos com a cantoria”, sorri Jaloto.

Mal se ouve a música, as portas abrem-se para receber o grupo. “Todas as pessoas que estão em casa normalmente abrem sempre a porta. Aliás, até ficam chateadas se não vamos lá. São sempre muito generosas e gostam muito de nos receber”, remata Irene Carvalhais, antes de entoar, uma vez mais, as duas quadras mais badaladas neste dia:

“Viemos cantar os Reis / Dia 5 de janeiro / E pedir a São João / Que é o nosso padroeiro //. Viemos cantar os Reis / Nesta mesma ocasião / Viemos dar Boas Festas / E pedir para São João.”

 

 

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