
Igreja vazia durante a pandemia. Foto © ACN-Portugal
Ainda há pouco houve um tempo que nos fechou em casa
O que era deixou de ser e o presente congelou
Estalou o verniz e os corações se revelaram
O invisível deu-se a ver no sofrimento e solidão
“Afastem-se uns dos outros como eu me afasto de vós”
Foi o novo mandamento de um mundo árido e pós-humano
Mas dos gestos quotidianos fizeram-se heróis sem medalhas
E a esperança no silêncio se foi compondo e ousou sonhar
O susto ainda não passou, mas já queremos esquecer
Faltam profetas que interpretem este aviso do futuro
Que a memória se enraíze e que floresça a atenção
E que o amanhã nos encontre juntos a dançar com a natureza
Liomarevi (pseudónimo literário), Setembro de 2021










