AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

ajuda igreja que sofre refugiados solidariedade foto ais

Campanha de Natal

AIS destina ajuda a refugiados em oito países

| 24/11/2021

Calcula-se que haja já mais de 80 milhões de refugiados em todo o mundo. Para minimizar o sofrimento dessas pessoas, a Ajuda à Igreja que Sofre destinará os fundos a recolher com a sua campanha de Natal a pessoas nessa situação em oito países – incluindo Moçambique.

ajuda igreja que sofre refugiados solidariedade foto ais

A iniciativa destina-se a apoiar pessoas de Moçambique, Nigéria, República Democrática do Congo, Burquina Faso, Líbano e Síria. Foto © AIS.

 

Um projecto de apoio psicossocial para os deslocados da província de Cabo Delgado (Norte de Moçambique) é uma das últimas iniciativas da Cáritas de Nacala, uma diocese mais a sul, onde são acolhidas 117 pessoas, entre adultos, velhos e crianças, fugidas do terrorismo que há mais de quatro anos assola a região.

“Para os mais novos há os ‘Amigos das Crianças’, com brincadeiras, para tentarmos estar com elas e ajudá-las a ultrapassar alguma coisa menos boa que tenham vivido com a fuga lá de Cabo Delgado”, afirma o padre Mário João, da diocese do Porto, agora em missão em Moçambique.

Em declarações à fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que apoia financeiramente o projecto, o padre português acrescenta, sobre as outras duas valências do projecto: “Para os mais velhos temos um espaço de capacitação em língua macua e em matemática, e também o que chamamos ‘escuta ativa’ – um espaço de partilha das histórias, boas e menos boas que foram vividas, com vista a ultrapassar as dificuldades neste processo de guerra em Cabo Delgado.”

No total, regista a mesma fonte, Nacala acolhe quase 22 mil refugiados (a maioria dos quais mulheres e crianças), oriundos de Cabo Delgado, que está a mais de 400 quilómetros de distância. A situação em Cabo Delgado provocou até agora mais de 3100 mortes e mais de 815 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas, acrescenta a informação da AIS.

Estas 117 pessoas chegaram a Mweravale em Março de 2020, diz o padre Mário, sublinhando que o projecto de apoio psicossocial se iniciou em Setembro último. Mas, no meio da tragédia, estas são pessoas privilegiadas, pois nenhuma delas viveu directamente situações muito traumáticas. “Quando souberam que os terroristas estavam a aproximar-se das aldeias, fugiram. Aqui tinham familiares que já cá estavam há mais tempo”. E depois outros familiares, vizinhos e amigos seguiram os primeiros.

Refugiados, Moçambique, Cabo Delgado, Ajuda à Igreja que Sofre, AIS

Mulheres refugiadas de Cabo Delgado, em Mweravale (Nacala). Foto © ACN Portugal.

 

Os refugiados concentram-se nas aldeias de Mweravale e Ramiane à espera de boas notícias do Norte, diz o padre Mário, e do fim dos ataques, o que ainda parece longe.

Entre os sete colaboradores locais (além de três missionários, entre os quais o padre português) que apoiam o projecto, estão Zeca Virgílio e Amon Ali, monitores da Cáritas, cujas tarefas passam por ajudar as crianças a “rezar, tratar da higiene, lavar as mãos”, como define o primeiro, para quem o importante é “ajudar” as pessoas.

A sala de aulas e o refeitório são improvisados ao ar livre, conta a mesma fonte. Milho, leite, casca de ovo e mais o que se possa juntar, porque as colheitas de 2020 foram escassas e em 2021 a falta de chuva também não ajudou. A população dos campos ficou “numa situação de extrema vulnerabilidade, o que fez aumentar “ainda mais a pressão social”, disse o bispo de Nacala, Alberto Vera.

 

“Refugiados – Vidas nas nossas mãos”
ajuda igreja que sofre campanha natal 2021 foto ais

“São cada vez mais os países que estão a ser confrontados com esta realidade dos deslocados internos, dos refugiados”, alertou Catarina Bettencourt, responsável do secretariado da AIS em Portugal. Foto © AIS. 

 

Os refugiados de Cabo Delgado continuarão a ser destinatários do apoio da AIS, já que a campanha de Natal desta organização católica terá como tema “Refugiados – Vidas nas nossas mãos”.

A iniciativa destina-se a apoiar ainda pessoas da Nigéria, República Democrática do Congo, Burquina Faso, Líbano e Síria que continuam a viver “uma situação dramática”, como referiu Catarina Martins Bettencourt, responsável do secretariado da AIS em Portugal.

“Esta realidade é tão avassaladora que decidimos neste Natal chamar a atenção para esta questão e apresentar os vários projectos, os vários pedidos de ajuda que nos têm chegado”, explicou a responsável, citada na agência Ecclesia.

“São cada vez mais os países que estão a ser confrontados com esta realidade dos deslocados internos, dos refugiados”, alertou Catarina Bettencourt, citando as estimativas que apontam para mais de 80 milhões de refugiados no mundo, o maior número de sempre. “Os nossos parceiros também têm feito chegar muitos pedidos de ajuda”, acrescenta. Que podem ir dos bens essenciais – abrigo, alimentação, vestuário –, porque as pessoas “fugiram de ataques contra as suas aldeias, vilas, sem nada”, até à ajuda psicológica ou ao apoio espiritual.

A campanha de Natal foi anunciada pela AIS no final da “Red Week”, a semana vermelha que pretendeu alertar a opinião pública para a perseguição contra os cristãos em todo o mundo e a importância da liberdade religiosa.

Neste âmbito, a fundação promoveu a iluminação de vários monumentos de vermelho, entre os quais o Cristo-Rei, em Almada, a Basílica dos Congregados e o santuário de São Bento de Porta Aberta, em Braga. Nesta cidade aderiram ainda as paróquias de São Vítor, São Lázaro e Senhora-a-Branca. Também as paróquias da Ramada, em Odivelas, e do Campo Grande, se envolveram na iniciativa. Outras capitais europeias também participaram – por exemplo, com o Coliseu de Roma iluminado igualmente de vermelho.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória novidade

No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.