Ajuda à Igreja que Sofre mobiliza 5 milhões de euros para apoiar comunidades cristãs marginalizadas

| 14 Abr 20

A Fundação AIS pretende reforçar as atividades pastorais e de apoio aos doentes e aos idosos, especialmente aqueles que também são atingidos pela pobreza. Foto: © ACN Portugal

A AIS pretende reforçar as atividades pastorais e de apoio aos cristãos doentes e aos idosos, especialmente aqueles que também são atingidos pela pobreza. Foto: © ACN Portugal

 

Os números impressionam. São cerca de 300 milhões os cristãos que vivem em países onde acreditar em Jesus é motivo de perseguição. “Tais países também são frequentemente afetados pela pobreza. Hoje, aos dois primeiros “P”, de perseguição e pobreza, um terceiro foi acrescentado: o “P” da pandemia. Por essa razão, a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) acaba de reservar 5 milhões de euros para financiamento de emergência às comunidades cristãs mais expostas ao coronavírus”, anunciou o diretor da fundação em Itália, Alessandro Monteduro.

Este apoio destina-se a comunidades no Médio Oriente, Europa Central e Oriental, na América Latina, Ásia e África e pretende conferir uma maior eficácia às atividades pastorais e de apoio aos doentes e aos idosos, especialmente aqueles que também são atingidos pela pobreza.

“É uma gota no mar em comparação com o que é e será necessário”, afirmou ao jornal L’Osservatore Romano o presidente executivo da AIS Internacional, Thomas Heine-Geldern. “Mas a Igreja desempenha um papel espiritual e pastoral particularmente vital no quotidiano das comunidades cristãs mais pobres do mundo, e devemos contribuir para fortalecer a rede de proteção que ela assegura. Estou grato aos nossos benfeitores que, apesar dos seus sofrimentos e dificuldades, estão a ajudar os seus irmãos e irmãs na fé”, sublinhou.

Foram identificados pela AIS 38 países nos quais existem violações graves ou extremas da liberdade religiosa. Nigéria, República Centro-Africana e República Democrática do Congo estão entre os países onde a intolerância religiosa assumiu recentemente contornos dramáticos, após numerosos ataques de grupos que se reivindicam a inspiração islâmica ou jihadista. A situação é particularmente difícil também no Médio Oriente, nomeadamente no Iraque, na Síria e em Israel.

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Os casos de discriminação religiosa multiplicam-se por todo o mundo e a pandemia de covid-19 está a acentuar os problemas em diversas regiões. Na província paquistanesa de Penjab, por exemplo, 120 famílias cristãs viram recentemente uma ONG recusar-lhes ajuda alimentar, que foi distribuída apenas à população muçulmana.

A denúncia, segundo noticiou o site Asia News, foi feita por um ativista residente naquela província, Shakeel Ahmed, ele próprio muçulmano, mas para quem “todos os habitantes merecem ser ajudados, independentemente da sua religião”. Shakeel considerou que a forma como os cristãos estavam a ser tratados era “desumana e contrária aos ensinamentos do islão” e decidiu intervir, contactando diversas instituições católicas locais para que enviassem ajuda alimentar à população cristã da região, o que acabou por acontecer.

“Os cristãos que vivem nesta região eram quase todos trabalhadores ao dia, que perderam o emprego no início da quarentena. São populações vulneráveis que arriscam a fome sem ajuda exterior”, salientou o ativista paquistanês.

Também as autoridades católicas do país, incluindo o arcebispo de Islamabad-Rawalpindi, Joseph Arshad, apelaram à proteção de todos os habitantes do país, sem distinção.

O presidente da AIS Italia, Alfredo Mantovano, recorda que, “apesar do enorme sofrimento, os nossos irmãos oprimidos, e em particular os sacerdotes perseguidos, estão a ajudar de forma eficaz e nós apoiamo-los”. Por isso, defende, o reforço da ajuda prestada pela instituição é essencial para “renovar a proximidade com as comunidades cristãs em países onde ser uma minoria religiosa, nestes tempos dramáticos, é ainda mais do que ontem, motivo de marginalização e sofrimento”.

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