Crescem as dificuldades humanitárias em Cabo Delgado, Moçambique. Agora é o administrador apostólico, D. António Juliasse Sandramo, que vem alertar para o perigo de criação de “uma indústria do sofrimento” que “dissipa” a ajuda humanitária. “Quando há situações de sofrimento, pode ser criada uma indústria do sofrimento, que se aproveita do sofrimento do povo”, afirmou Sandramo.

Em Pemba, a preocupação com as legendas das fotos existe já há algum tempo. Foto © António Marujo/Arquivo 7MARGENS
O administrador da diocese de Pemba avançou que a prioridade deve ser o apoio às vítimas da violência armada em Cabo Delgado, cuja capital é Pemba. Por outro lado, a disponibilidade de bens para a ajuda humanitária também pode atrair a tentação de desvios, num país com níveis de corrupção endémicos, acrescentou.
“Este risco [de desvio de ajuda humanitária] existe, com os níveis que nós temos de corrupção em Moçambique, isso nos leva a que o risco se torne maior”, afirmou. E é neste sentido que acusa organizações de apoio humanitário que, através da instalação de estruturas de funcionamento pesadas e que pagam salários elevados aos seus trabalhadores, tem interesse em protelar esta indústria do sofrimento. Até porque, defende o bispo, citado pelo portal DW, “estas entidades podem canalizar mais recursos para a sua máquina do que para as populações em situação de necessidade”.
Sem noção de quantas tropas estrangeiras já estão em território moçambicano, o bispo António Juliasse Sandramo pediu ainda o respeito pelos direitos humanos às tropas estrangeiras destacadas na província, alertando para o risco de agravamento da violência. “Toda a ação que deve ser feita [pelas forças militares estrangeiras] é no sentido de restituir a paz e nada mais do que isso e deve ser feito no respeito à vida da pessoa humana”, afirmou Sandramo, em declarações à Lusa.
O bispo católico defendeu que a intervenção militar estrangeira não deve resultar na perpetuação da violência e cometimento de abusos contra a população. “Que a violência não continue e que tudo isso não provoque mortes de pessoas humanas”, concluiu.










