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Indemnização de 1,1 mil milhões

Alemanha reconhece ter cometido genocídio na Namíbia

| 29/05/2021

Namibianos acorrentados durante o período colonial alemão, entre 1884 e 1915. Os povos herero e nama foram vítimas de um genocídio que matou 75 mil pessoas entre 1904 e 1908. Foto: Direitos reservados.

 

A Alemanha reconheceu nesta sexta-feira, 28 de Maio, que os massacres cometidos entre 1904 e 1908 contra os povos herero e nama, da actual Namíbia, durante a era colonial do Império Alemão, foram um genocídio. Como compensação história, a Alemanha pagará 1,1 mil milhões de euros nos próximos 30 anos.

Berlim aceitou pagar uma indemnização ao Governo do país africano e o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, irá ao Parlamento da Namíbia pedir perdão pelo genocídio no país africano que sucedeu à antiga colónia Sudoeste Africano Alemão, informou a Deutsche Welle.

De acordo com a mesma fonte, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Heiko Maas, mostrou-se satisfeito e agradecido pelo acordo alcançado com a Namíbia, após mais de cinco anos de negociações. Como gesto de reconhecimento, acrescentou o ministro, e como forma de reconhecer a “responsabilidade histórica e moral da Alemanha”, o país apoiará “a Namíbia e os descendentes das vítimas” 1,1 mil milhões de euros para reconstrução e desenvolvimento, a ser pagos ao longo de 30 anos. O dinheiro será destinado a programas de infraestruturas, saúde e educação.

A Presidência da Namíbia considerou o acordo “um primeiro passo” no caminho correto. Mas a oposição política da Namíbia criticou-o, afirmando que os descendentes dos povos herero e nama não foram suficientemente contemplados. “Se a Namíbia recebe dinheiro da Alemanha, ele deveria ir para os líderes tradicionais das comunidades atingidas e não para o Governo”, afirmou uma deputada da oposição.

Mutjinde Katjiua, secretário-geral da Autoridade Tradicional Ovaherero, disse que o seu povo rejeita o acordo nos moldes anunciados pela Alemanha. Segundo Katjiua, citado numa outra notícia da DW, o embaixador alemão foi informado de que se opõem à ida de Steinmeier à Namíbia.

“Os líderes disseram que o ministro ou Presidente que vier à Namíbia assinar esse acordo não será bem-vindo. Alertámos o embaixador de que o Presidente deve ficar na Alemanha. Faremos de tudo em nosso poder para fazer com que a visita seja irrealizável”, afirmou.

“O genocídio é um crime, e como tal, é regulamentado pelas leis internacionais. Eles não assumiram a culpa pelos crimes, o que eles sabem que acarretaria a responsabilização”, acrescentou Nandi Mazengo, da Fundação do Genocídio Herero.

 

75 mil pessoas mortas pelas armas, pela sede e em campos

Sobreviventes do povo herero, da Namíbia, vitimados, com os nama, por um genocídio alemão entre 1904-1908, na actual Namíbia. Foto: Direitos reservados.

 

A actual Namíbia foi colónia alemã entre 1884 e 1915.  Entre 1904 e 1908, as tropas do imperador Guilherme II massacraram aproximadamente 65 mil herero (de um total de cerca de 80 mil) e 10 mil nama (de cerca de 20 mil), depois de ambos os grupos se terem revoltado contra o domínio colonial.

O comandante milutar alemão no território, general Lothar von Trotha, foi quem deu as ordens para o extermínio, que se tornou o mais grave crime na história colonial alemã – e que é reconhecido pela ONU como o primeiro genocídio do século XX.

As ordens de Lothar von Trotha levaram ao extermínio sistemático de homens, mulheres e crianças através da força armada, do bloqueio do acesso à água no deserto e de campos de concentração.

Há três anos, a Alemanha entregou à Namíbia  ossadas de vítimas dos massacres que estavam há décadas no Hospital Universitário Charité, em Berlim.

Além da Namíbia, Tanzânia e Burundi também exigem reparações por crimes cometidos durante o período colonial alemão, recorda ainda a DW.

A Alemanha foi potência colonial a partir de 1880 quando, durante a administração do chanceler Otto von Bismarck, o Império Alemão estabeleceu colónias nos actuais territórios da Namíbia, Camarões, Togo, partes da Tanzânia e do Quénia.

O imperador Guilherme II, coroado em 1888, procurou alargar os territórios coloniais alemães, criando frotas de navios. Essas possessões ultramarinas em África foram perdidas durante a Grande Guerra 1914-18.

 

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