Jornalista e escritora em entrevista

Alice Vieira: “Devia haver uma disciplina de Religião obrigatória”

| 24 Mai 2023

A escritora Alice Vieira, fotografada na sua casa da Ericeira, 31 de março de 2023. Foto © Clara Raimundo

A jornalista e escritora Alice Vieira, fotografada na sua casa da Ericeira. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS.

 

Alice Vieira acaba de celebrar 80 anos. Ou melhor: continua a celebrar, porque já teve pelo menos dez festas de aniversário e não vai ficar por aqui. Apesar de ter estado várias vezes muito perto da morte, ou talvez por isso mesmo, a escritora (que já publicou mais livros do que os anos que tem mas que continua a considerar-se, antes de tudo, jornalista) revela uma alegria de viver e um sentido de humor incomuns. Em entrevista ao 7MARGENS, foi por entre gargalhadas que recordou a sua descoberta da religião (já no liceu e sem que os pais, ateus, suspeitassem), a primeira Bíblia que recebeu (do homem com quem viria a casar), o primeiro presépio que fez (quando já tinham filhos) e a sua conversão ao catolicismo (cuja responsabilidade atribui a um grande amigo de quem sente muitas saudades: o cardeal Tolentino Mendonça). Esta quinta-feira, 25 de maio, e nos próximos dias 27 e 28, estará a dar autógrafos na Feira do Livro de Lisboa. Alguns, quem sabe, no livro que o próprio Tolentino a ajudou a escrever, Histórias da Bíblia Para Ler e Pensar, que gostava que todas as crianças pudessem conhecer. Depois, regressa à Ericeira, onde a entrevistámos, e onde mais gosta de estar… e de trabalhar. Sim, porque ainda em 2023 deverão sair mais três livros seus. A julgar pelo ritmo, ainda chega aos 100 – livros… e anos.

 

7MARGENS – Faz coleção de Bíblias, mas já estava na escola secundária quando teve o primeiro contacto com uma… Porquê tão tarde?

ALICE VIEIRA – Porque sou de uma família profundamente ateia! Lá por eu me chamar Alice de Jesus – que foi uma coisa que eu nunca percebi –, eles eram tão ateus, mas tão ateus, que quando eu era convidada para ser menina das alianças nos casamentos, nunca podia, porque eles nem me deixavam entrar dentro da igreja! Portanto, nunca fui à catequese, mas quando eu andava no liceu havia muitos pais que não deixavam os filhos terem a disciplina de Religião e Moral… E os meus nem sequer sabiam que a disciplina existia – e eu também não lhes disse [risos] –, só que ia.

E tive uma professora de Moral extraordinária… uma mulher muito, muito inteligente. E como é que ela dava a disciplina? Através da Bíblia! Como ela nos dava a Bíblia para ler, foi aí que pensei: “Isto é um livro muita giro!” [risos] Depois, quando saí do liceu, continuámos a escrever-nos até ela morrer… Era realmente uma pessoa extraordinária. E digo a toda a gente, mesmo às pessoas que não são religiosas: “Leiam a Bíblia, que é um grande livro: está lá tudo de bom e tudo de mau!” Portanto, foi só aí que tive o primeiro contacto com a Bíblia e foi essa professora que me abriu os olhos para a religião.

 

7M – Mas a primeira Bíblia da sua coleção só lhe seria oferecida uns anos mais tarde, por aquele que viria a ser o seu primeiro marido…

Exatamente! Eu conheci aquele que viria a ser o meu primeiro marido tinha 15 anos, quando trabalhava no Diário de Lisboa. O Mário [Castrim] era 23 anos mais velho do que eu e as pessoas nunca perceberam como é que uma pessoa podia ser comunista, que ele era, e católico. E ele dizia sempre que não tinha problema nenhum, e foi ele que me deu a minha primeira Bíblia, que é linda e diz assim: “A Bíblia destinada a ser lida como literatura”.

Ele dizia-me sempre: “Se precisares de alguma coisa, abre a Bíblia ao calhas e encontras lá tudo.” E essa Bíblia nunca sai de casa, as outras às vezes ainda empresto… Essa e outra que comprei há uns poucos de anos, que é “A Bíblia sem as partes chatas”. Essa também não vai para ninguém. É muito boa, porque ao lado ou em rodapé explica muitas coisas. É uma Bíblia americana, claro… Só podia! [risos] Eu já nem sei quantas Bíblias tenho…

 

7M – E também foi Mário Castrim o responsável pela sua conversão ao catolicismo?

Não! Foi o Tolentino [Mendonça], mais tarde. O Mário era católico, mas nunca me impôs nada… Nisso ele era muito correto, e nós éramos muito independentes… Até quando finalmente pudemos casar – ele já tinha sido casado antes, ainda não havia o divórcio, por isso foi muito complicado. Foi muito engraçado, porque eu saí do meu jornal, ele saiu do dele, fomos ali casar ao registo, ele voltou para o jornal dele e eu voltei para o meu… Depois lá fizemos uns diazinhos de lua de mel, a passear… mas poucos! As pessoas estavam todas contra o nosso casamento, por ele ser mais velho do que eu… Diziam que eu ia ser enfermeira dele, que eu ia ficar viúva muito cedo… Mas ele é que foi meu enfermeiro e morreu com oitenta e tal anos, por isso não fiquei viúva muito cedo! E aqueles que ao princípio criticavam acabaram por mudar de discurso. Foi o caso de uma tia minha, que no fim já dizia que o Mário tinha sido a melhor coisa que tinha entrado na nossa família.

Foi um caso mesmo de paixão… Não me lembro de nos termos zangado, assim uma zanga a sério… Nunca. Mas também foi por termos tido sempre uma relação com muita liberdade e respeito um pelo outro. Uma vez, estava eu no Diário de Notícias e o chefe de redação disse que precisava que no dia seguinte alguém fosse a Madrid. Eu disse: “Vou eu!” E uma colega minha, que era extremamente feminista, olhou para mim e disse: “Mas tu ainda não perguntaste ao teu marido se podias ir!” E eu respondi: “Para quê? Chego a casa e digo: Olha, amanhã vou a Madrid.” Ela ficou espantadíssima. Cada um tinha a sua vida e também foi isso que ajudou… Na vivência da fé, também era assim.

 

7M – Mas ele era praticante?

Era… de vez em quando! [risos] Às vezes, lá ia à missa, e eu ficava em casa. E não batizámos os nossos filhos, nem os pusemos na catequese, porque pensámos: “Depois quando crescerem, eles decidem”. O meu filho saiu ao meu marido e é profundamente comunista, não se batizou… a minha filha nem sei. Mas aquilo que eu quero, mais do que eles serem batizados ou católicos, é que eles sejam muito boas pessoas e realmente são. Depois, quando o Tolentino me levou para esse caminho, também aí não interferiu nada com eles.

Alice Vieira com cardeal José Tolentino Foto Direitos reservados

Alice Vieira com o cardeal José Tolentino Mendonça, em Lisboa, janeiro de 2020. Foto: Direitos reservados.

 

7M – Conte-me então a história da sua conversão!

Eu conheci o Tolentino há muitos anos quando ele tinha publicado o primeiro livro de poesia e estávamos na Feira do Livro de Frankfurt. Gostámos muito um do outro, rimo-nos muito, demos passeios… foi mesmo divertido! Cheguei cá e diz-me assim a minha editora: “Já sei que estiveste com o padre Tolentino…”. E eu: “O Tolentino é padre???” [risos] Ele não parecia nada padre… Agora parece, claro! Mas naquela altura não parecia nada! Continuámos a dar-nos muito e eu passei a ir à Capela do Rato – onde já tinha estado muito novita, muito antes do Tolentino, antes do 25 de Abril, quando houve ali uma vigília – que era assim uma coisa extraordinária…

Ele fazia uma coisa: pedia às pessoas que iam, àqueles que iam sempre, para levar consigo uma pessoa que não fosse católica, que até podia ser ateia, para lá estar, para ouvir e para depois falar… Na altura da Comunhão, havia muitos casais divorciados, e ele pedia-lhes que se aproximassem e fazia-lhes uma cruz na testa, [em sinal de bênção]. E até parecia Jesus Cristo com as crianças. Havia lá dois degrauzitos e os miúdos estavam lá todos sentados, ao pé dele! E não se portavam mal! Falava muito de arte, de pintura… Quando o meu marido morreu, ele fez uma homilia e uma missa tão bonita… Eu gostava muito dele… Depois foi não sei para onde, depois para a biblioteca [do Vaticano], e depois olhe… perdi-o! [Risos]

 

7M – Mas ficou a fé!

Ah, ficou a fé e ficou a amizade dele… Isso ficou tudo. Tem-me ajudado muito. Quando eu escrevi o livro Histórias da Bíblia Para Ler e Pensar, foi ele também que me dirigiu, que me corrigiu alguma coisa, que me disse “olha, se calhar era melhor também falares nisto”…

 

7M – Porque é que decidiu escrever um livro com histórias da Bíblia?

Isso começou assim: fui uma vez a uma escola de miúdos pequenos e a dada altura disse assim: “Olha, isso é aquilo que aparece na história ‘Corre, corre, cabacinha’… Vocês sabem a história, não sabem?” Mas ninguém sabia, nem os meninos, nem as mães dos meninos… E eu cheguei à editora e disse: “Vou fazer uma série de livros, de histórias tradicionais para os miúdos”. Fiz umas seis ou sete. E depois decidi também fazer um de histórias da Bíblia, que correu muito bem. Porque eu acho que, mesmo que uma pessoa não seja católica, como já disse há pouco, deve ler a Bíblia.

Em Inglaterra, a minha neta, quando era miúda, tinha uma disciplina de Religião, em que os meninos aprendiam as religiões que havia, iam ver templos hindus, iam ver mesquitas, igrejas protestantes, católicas, e depois falavam daquilo tudo. E liam a Bíblia, mas liam a Bíblia para ser comentada. Uma vez, fui buscá-la à escola e ela vinha pelo caminho a dizer “De São Mateus gosto, de São Lucas é que eu não gosto… Oh avó, aquilo é só ‘Faz isto, não faças aquilo!’.” [Risos] Eu acho que era importante e bom que essa disciplina também fosse obrigatória cá. Os miúdos agora não sabem nada sobre religião. Daí ter escrito o livro.

 

7M – E nos seus outros livros, de que forma é que a sua fé se manifesta?

Creio que não se manifesta… Nos meus livros, manifesta-se aquilo que eu sou, que é jornalista. Talvez neste último, Diário de Uma Avó e de um Neto Confinados em Casa, fale um pouco sobre isso. Aliás, o Nélson Mateus, que escreveu o livro comigo, foi um dos que eu levei à Capela do Rato. É ateu… e gostou muito! Não ficou religioso, mas gostou muito! [Risos]

 

Alice Vieira com Nelson Mateus na Capela do Rato em novemrbo 2019 Foto Direitos Reservados

Alice Vieira com Nélson Mateus na Capela do Rato, em novembro de 2019. Foto: Direitos Reservados.

7M – Diz muitas vezes que a sua vida dava um romance… Está nos seus planos uma autobiografia?

A minha editora já me pediu muitas vezes e eu digo que não. Mas tenho um amigo, a quem já entreguei diários e outras coisas que eu escrevi, e é ele que depois vai escrever, quando eu já estiver morta. Eu não gosto de ler autobiografias, por isso não iria escrever a minha! [Risos]

 

7M – Já publicou perto de 90 livros… Há mais algum na calha?

Sim, vai haver mais um volume do diário da avó e do neto e escrevi um livro com a Manuela Niza, durante a pandemia, que vai sair ainda este ano. Estou também a escrever um novo romance para adultos… E talvez gostasse de fazer mais um livro de poesia. Tenho quatro, mas a chatice é que só escrevo poesia quando estou apaixonada, e agora não estou… Vou ver se me apaixono por qualquer coisa, também não é preciso que seja um homem! [Risos]

 

7M – Mantém uma colaboração de longa data com a revista Audácia, dos Missionários Combonianos… O que representa para si?

Os Combonianos foram e são muito importantes para mim! Quem começou a trabalhar com eles foi o meu marido, que escrevia coisas para a revista, ia lá, e nunca esqueci que, quando ele esteve três meses no hospital, nesses três meses havia sempre um deles que estava lá a acompanhá-lo. O Partido Comunista nunca lhe mandou ninguém, nem pouco mais ou menos… Nem sequer telefonava a saber se ele estava melhor… nada!

Depois, o Mário morreu e eu naquela altura perguntei se não queriam que eu ficasse, não no lugar dele, claro, mas a fazer [o trabalho que ele fazia]. Fiquei e gosto muito deles, dou-me muito bem com eles… De vez em quando vou lá almoçar, são mesmo uma família.

 

7M – Deram-lhe outra perspetiva do que é a Igreja?

Sim, completamente, sobretudo por aquilo que eles querem… Eles não querem estar em São Sebastião da Pedreira, eles querem estar onde é preciso… De resto, eu tenho o meu mano Claudino (tratamo-nos por “irmãos”), que está no Congo e de vez em quando manda-me fotografias… Aquele sítio é uma coisa… Eu fico a pensar “Ai, desgraçado…”, mas ele nem pensar em sair dali, porque ali é que ele está bem. Tenho uma ligação forte com eles e vou mantendo o contacto pelo computador com os que estão lá fora. Fiz muitos amigos na Igreja… Se calhar tenho mais amigos dentro da Igreja do que fora!

Alice Vieira e Mário Castrim, nos finais dos anos 90, com o padre Albino Reis, então missionário comboniano, hoje na Diocese do Porto. Foto: Direitos reservados.

 

7M – Voltando à Bíblia, tem algum livro preferido?

Gosto muito de ler os Evangelhos, e o meu preferido é o de São Mateus, porque é o mais ativo.

 

7M – E a experiência que o Mário Castrim lhe aconselhou, de a abrir ao calhas quando precisa de algo, resulta?

Olhe que é mesmo verdade… Sobretudo quando estamos um bocado em baixo. É realmente de ter à cabeceira… Eu tenho três ali! E dou muitas.

 

 

7M – Além de colecionar Bíblias, também coleciona presépios… Como nasceu essa coleção?

Como disse, a minha família era ateia, e o Natal para a família era a árvore de Natal e acabava-se, ficava ali. Depois, eu cresci e os meus presépios começaram quando eu tive filhos. Foi então que passei a ter, e ainda tenho, um presépio enorme, que uns dias antes do Natal colocávamos numa mesa redonda grande. Era um presépio onde eles podiam mexer e era o que tinha mais graça, porque o que os meus filhos pequeninos punham no presépio era de chorar a rir. Punham os maus e os bons. Do lado dos maus, estavam o Darth Vader, e um romano… evidentemente. Também havia um tipo a tirar fotografias…

Depois fui comprando mais presépios. Onde quer que eu fosse, comprava um presépio. Já são cento e tal e ainda compro. Quando chega o Natal, é presépios por toda a parte! Em todas as mesas, na entrada… E às vezes quando eu vou às escolas, os miúdos sabem, e se é na altura do Natal também me dão. Tenho um que é um vaso, com duas colheres de pau, uma maior e outra mais pequena, que representam o São José e a Nossa Senhora, e depois uma colher ainda mais pequenina, que é o menino Jesus… Gosto muito desse. Depois tenho presépios que me mandam de sítios estranhíssimos… e são muito bonitos. Tenho um presépio russo, tipo matrioskas. Tenho um da Ericeira, com a Nossa Senhora, o São José e o menino Jesus a fazerem surf. Também tenho outro em que está a Virgem Maria a dormir, coitadinha, e o São José sentado a embalar o menino, mas com um ar muito chateado! [risos] Adoro o presépio, porque simboliza a família, a união, a abertura da família.

 

Alice Vieira junto a alguns dos presépios que tem expostos durante todo o ano na sua casa da Ericeira. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS.

7M – A Alice costuma dizer que é muito “nataleira”…

Ai, o mais possível… Eu começo o Natal, sei lá… Para aí em setembro! Para tirar as coisas todas, para pôr os presépios… Eu sou tão nataleira como sou de aniversários. Aprendi com a Alice no País das Maravilhas (que é outra coisa de que eu faço coleção), quando ela diz uma coisa muito certa: que celebra os aniversários e os desaniversários! Eu também celebro os desaniversários. O meu aniversário este ano já foi celebrado para aí umas dez vezes, e ainda hão de vir mais… Porque não podem estar todos ao mesmo tempo, de maneira que vêm uma vez uns, outra vez vêm outros, e pronto, assim é que eu gosto.

 

7M – Quando se celebram 80 anos, não é para menos…

Ah, mas se eu tivesse 40 ou 50 era a mesma coisa! [Risos]

 

7M – E como lida com a perspetiva da morte?

Eu já estive tantas vezes perto dela que já quase me habituei! A primeira vez foi quando nasceu a minha filha. Apanhei uma septicémia, a miúda já estava em casa com o pai e eu ainda estava no hospital… As pessoas já torciam todas a cabeça, já só me lembro de ver assim uma pessoa ao fundo… Mas safei-me. Depois, tive um cancro da mama e o médico, depois de eu lhe ter perguntado “Diga-me lá doutor, eu preciso de saber, quanto tempo é que tenho de vida?…”, deu-me dois anos. E eu disse “Dois anos de vida? Vão ser os melhores anos da minha vida!”

Fui viajar, foi na altura da queda do muro de Berlim, e eu estava lá, nessa altura… O que eu viajei!… Passaram os dois anos, três, quatro, e o dinheirito já faltava, não é? [Risos] Então pensei: “Eh pá, se calhar tenho de voltar para o Diário de Notícias”… E realmente voltei, e isto já foi há 33 anos! E ainda hoje o médico, que é médico da minha filha, diz “Eu juro que não percebo… É que não era só a mama, era o corpo todo da tua mãe que estava cheio de metástases… Todo, todo! A gente não conseguiu tirar…” Mas também nunca pensei muito na morte… É inevitável, todos nós morremos, não é? E depois quando lá chegar acima, eu aviso! [Risos]

 

7M – Sei que, também no velório do Mário Castrim, apesar de ser um momento de dor, manteve o bom humor…

É verdade! Quando recebi a notícia da morte dele, fiquei sem saber o que fazer… O meu irmão é que tratou de tudo: fato, sapatos… Mas esqueceu-se de ver os bolsos do casaco. No meio do velório, toca um telemóvel. Estava no bolso do casaco dele! E quem estava a telefonar era um velho amigo nosso, que se chamava José de Deus, e que o Mário tinha na lista de contactos apenas como “Deus”. Eu olhei, sorri e murmurei: “Já lá chegou!”. Aceitar a morte não é fácil, mas eu digo sempre que aquilo em que nós temos de pensar é no bom que foi ter as pessoas na nossa vida.

 

7M – Quem fala muito na importância do bom humor é o Papa Francisco…

É meu primo! [Risos] Eu explico como é que ele é meu primo: o meu apelido é Vassalo. Eu sou Vieira de Vassalo. E o Papa Francisco (eu leio tudo sobre ele e o que ele escreve) diz muitas vezes que a avó dele, que era italiana, se chamava Rosa Vassalo, e era uma grande mulher… Ora, os Vassalos são só uma família que tem dois grandes ramos: um em Malta e outro em Itália. Portanto, o Papa é meu primo! Se a avó dele era italiana e se chamava Vassalo, então com certeza que é meu primo…

 

7M – Já lhe escreveu a contar isso?

Já!

 

7M – E ele respondeu?

Respondeu! Respondeu assim com uma cartinha assinada, a dizer que agradecia muito e que talvez fosse verdade!

 

7M – Pode ser que em agosto se encontrem…

Ah, bem queria… Porque eu com ele, corpo a corpo, nunca estive.

 

7M – Esteve com o Papa Bento XVI… Como foi esse encontro?

Foi uma honra para mim, porque fui convidada para integrar um grupo de dez personalidades da cultura que o foram cumprimentar num encontro que houve no Centro Cultural de Belém, quando ele veio a Portugal em 2010. Disse logo que sim! Não quer dizer que ele fosse assim o Papa da minha vida, mas era o Papa…

Alice Vieira em encontro com o Papa Bento XVI, 12 maio 2010. © Daniel Rocha/Público, cedida pelo autor.

Alice Vieira foi uma das dez personalidades da cultura que tiveram oportunidade de saudar o Papa Bento XVI, aquando da sua vinda a Portugal, em maio de 2010. Foto © Daniel Rocha/Público, cedida pelo autor.

 

7M – Identifica-se mais com o Papa Francisco.

Sim, e tenho muito receio de quando ele morrer. Ele está muito velho, tem tido problemas de saúde… Esperemos que ele ainda aguente, porque tenho muito receio de quem é que vem a seguir a ele… veremos.

 

7M – O que mais aprecia nele?

A abertura dele, o dar-se com pessoas importantes de outras religiões, o ir aos sítios onde ele vê que é necessário ir, mesmo que seja muito longe. Dá a vida dele para os outros e é isso que me importa mais. E o facto de falar nas mulheres, nos homossexuais, o outro que vier a seguir não sei se vai falar disso…

 

7M – E a Igreja está a atravessar uma fase particularmente complicada…

Sim, a Igreja está a atravessar uma fase muito complicada, com isto dos abusos. Se os padres se pudessem casar, como os protestantes, já não havia abusos, ou havia muito menos. Eu acho até que um padre casado percebe muito melhor as dificuldades que as pessoas têm. A Igreja precisa de reforma e o Papa Francisco já está a fazer e fez bastantes, por isso é que eu tenho muitas dúvidas em relação ao que vem a seguir…

 

7M – Gostava que fosse o cardeal Tolentino?

Então não gostava… Quero dizer: não! Aí então é que ele não tinha mesmo tempo para mim! [Risos] Agora a sério, claro que gostava. Mas ele faz-me muita falta.

 

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