Amazónia, um “pulmão vital para o planeta”, diz o Papa

| 25 Ago 19

Foto de satélite, do passado dia 13, mostrando os fumos originados pelos incêndios na Amazónia. Foto NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration, dos EUA)

 

O Papa Francisco manifestou-se preocupado com os grandes incêndios que lavram na Amazónia desde há duas semanas. Na sua alocução neste domingo, 25 de Agosto, após a oração do Angelus, afirmou: “Estamos todos preocupados com os vastos incêndios que ocorrem na Amazónia. Oremos para que, com o esforço de todos, eles sejam controlados o mais rapidamente possível. Esse pulmão florestal é vital para o nosso planeta.”

(A afirmação do Papa sobre a Amazónia pode ser ouvida a partir dos 12’52”)

O tema dos incêndios na Amazónia deveria ser um dos pontos da agenda da cimeira do G-7, que decorre em Biarritz (sul de França), conforme prometido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, há dois dias.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, chegou a afirmar que a União Europeia deveria pôr em causa o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, caso o Brasil não combatesse esses incêndios Mas até ao início da tarde de domingo não havia declarações de qualquer um dos líderes participantes na cimeira acerca do assunto.

Ao contrário, já outros responsáveis se pronunciaram sobre o tema. Além de vários chefes de Estado e governantes europeus e americanos, os bispos católicos da América Latina divulgaram sexta-feira um comunicado sobre o tema, no qual expressam a sua “preocupação com a gravidade dessa tragédia” de “proporções planetárias”.

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam, que reúne todos os episcopados da América Latina) diz que é “urgente que os governos dos países amazónicos, especialmente Brasil e Bolívia, nas Nações Unidas e a comunidade internacional adoptem medidas sérias para salvar os pulmões do mundo”. E acrescentam que o que está a acontecer na Amazónia “não é apenas uma questão local, mas de alcance global”.

No texto, o Celam recorda também a assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia, que decorre em Outubro, em Roma, para afirmar que a proximidade da sua realização está “manchada pela dor” da tragédia que ocorre neste momento no Brasil. E conclui: “Se a Amazónia sofre, o mundo sofre.”

 

Uma manifestação em Lisboa

A mobilização internacional em torno deste problema é vasta, com tomadas de posição, manifestações e petições. Em Lisboa, por exemplo, está convocada uma manifestação para esta segunda-feira, 26, entre as 18h e as 20h, na Praça Luís de Camões.

No Brasil, o Governo mobilizou os primeiros 400 de 44 mil militares para combater os incêndios. O Movimento Católico Global pelo Clima promoveu uma petição dirigida aos membros do Congresso Nacional brasileiro, em que se diz: “Como cristãos, pedimos aos membros do Congresso Nacional que reafirmem seu compromisso com políticas públicas efetivas pela protecção do meio ambiente, em especial a Amazónia e os povos tradicionais. É urgente combater o desmatamento e defender a demarcação de terras indígenas.”

A Amazónia, território partilhado por oito países latino-americanos, que ocupa 43% da área da América do Sul e é habitada por três milhões de nativos, será o tema do Sínodo convocado pelo Papa. Nove países e territórios partilham a floresta amazónica: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. É nessa floresta tropical, a maior do mundo com uma área de cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados, que se encontra o maior sistema de biodiversidade da Terra.

Na encíclica Laudato Si’, de Maio de 2015, dedicada ao “cuidado da casa comum”, Francisco escrevera que a exploração da floresta amazónica está sujeita a “enormes interesses económicos internacionais”.

Em Maio, recorda a Ecclesia, o Papa Francisco já reunira com Raoni Metuktire, líder do povo caiapó, um dos grupos indígenas da Amazónia. Raoni esteve na Europa e reuniu com responsáveis de diferentes áreas, acrescenta a Ecclesia, alertando contra o desmatamento e tentando reunir um milhão de euros para proteger a reserva do Xingu, no Brasil.

A Lusa, citada pela TSF, lembra ainda a visita de Francisco, em Janeiro de 2018, a Puerto Maldonado, pequeno lugar no sudeste do Peru, situado na selva amazónica. Na ocasião, o Papa criticou a forte pressão dos principais interesses económicos, que cobiçam petróleo, gás, madeira, ouro, monoculturas agroindustriais”.

Na meditação do Angelus, o Papa pediu ainda aos crentes que lutem contra “todas as formas de injustiça”, através de uma vida “humilde”. E fazendo referência ao texto do evangelho lido na missa, em que os discípulos querem saber quem se salva, Francisco acrescentou que Jesus coloca a resposta no plano da responsabilidade. “É preciso amar a Deus e o próximo” e essa é uma porta estreita, traduzindo um percurso exigente, determinado e perseverante para viver segundo o Evangelho, acrescentou.

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