
Uma central de energia nuclear. Foto © Lukáš Lehotský | Unsplash
A CIDSE– rede de atores católicos e da sociedade civil pela justiça global e outras organizações católicas de justiça social e ambiental, sediadas sobretudo na Europa, manifestaram a sua oposição à votação do Parlamento Europeu de 6 de julho último, que considerou o gás e a energia nuclear como opções “verdes”.
Com tal decisão, a Comissão Europeia pretende colocar aquelas fontes de energia a contabilizar nos investimentos sustentáveis para reduzir o impacto das mudanças climáticas. Apesar da oposição que se fez sentir na sessão plenária dos deputados em Estrasburgo, a proposta da Comissão Europeia foi aprovada, embora sob condições: vigência com limite temporal até 2035; instalações de gás apenas em casos de substituição de instalações a carvão; e condições específicas para tais projetos.
Na véspera da votação, a CIDSE, o Centro Social Europeu Jesuíta (JESC) e o Movimento ‘Laudato Si‘ expressaram a sua preocupação e apelaram aos legisladores para que “preservem a integridade da taxonomia da UE e toda a liderança climática da UE rejeitando esta proposta.
“A Taxonomia da UE é uma ferramenta preciosa que ajudará a transferir biliões em combustíveis fósseis para atividades sustentáveis, a fim de cumprir as metas do Green Deal”, explicaram as organizações católicas.
Do seu ponto de vista, a medida afronta uma perspetiva de promoção de “uma transição verdadeiramente ecológica respondendo tanto ao ‘grito da terra’ como ao ‘clamor dos pobres”, segundo a encíclica Laudato Si’.
Mais concretamente, prejudicaria o cumprimento das metas climáticas globais do Acordo de Paris e as metas da UE de reduzir as emissões em 55 por cento até 2030, e “marcaria um retrocesso preocupante na realização de uma transição verdadeiramente ecológica e justa”.
O carater “enganoso” da classificação da energia nuclear como “verde” residiria no facto de ela ser “uma fonte de energia social, ambiental e economicamente insustentável, porque não pode proporcionar uma transição justa e de longo prazo”. Além, naturalmente, dos riscos de segurança que este tipo de energia comporta.
Quanto ao gás, a própria Comissão Europeia tinha concluído que, para atingir a meta de redução de emissões da UE em 2030, o consumo de gás fóssil na União precisaria de diminuir em 32-37 por cento até ao final desta década.
Os defensores da proposta da Comissão Europeia de classificar como verde o gás e a energia nuclear dizem, segundo o boletim Earth Beat do jornal National Catholic Reporter, que ambos são fontes de combustível que constituem “ponte necessárias durante a transição de combustíveis fósseis para energia renovável”.
A votação do Parlamento Europeu ocorreu num contexto de algum dramatismo, relacionado com “incertezas energéticas” que a Europa enfrenta, “ao tentar acabar com sua dependência do petróleo e gás russos em resposta à invasão russa da Ucrânia”, faz notar o Earth Beat.









