
Pessoas de minorias étnicas, predominantemente muçulmanas, “estão a ser presas por acusações de ‘terrorismo’ ou outras acusações falsas”, acusa a Amnistia Internacional. Ilustração: Detidos num campo de internamento em Xinjiang China © Molly Crabapple/Amnistia Internacional.
A Amnistia Internacional (AI) reuniu mais 48 novos casos de pessoas que foram arrastadas para o sistema prisional e para os campos de internamento em Xinjiang, na China, num total de 120 indivíduos que foram presos pelas autoridades de Pequim.
Segundo o comunicado da organização de defesa dos direitos humanos, na China, na região autónoma uigur de Xinjiang, pessoas uigures, cazaques ou de outras minorias étnicas, predominantemente muçulmanas, “estão a ser presas por acusações de ‘terrorismo’ ou outras acusações falsas”, mas também “por terem viajado para fora do país; por terem pagado a educação dos filhos em estabelecimentos fora do país; ou apenas pela sua religião ou etnia”.
Os testemunhos de familiares de minorias étnicas na região de Xinjiang, que integram agora a campanha Free Xinjiang Detainees, dão conta que estes “uigures, cazaques e outras minorias étnicas têm enfrentado prisão em massa, tortura e perseguições sistemáticas, organizadas pelo Estado e que constituem crimes contra a humanidade”. Para a AI, é evidente que há “um número cada vez maior de famílias separadas de forma dolorosa e forçada, sem conseguirem contactar com os seus entes queridos que permanecem detidos e presos”.
Num dos testemunhos divulgados, Gulaisha Oralbay, uma mulher cazaque, contou que seu irmão, Dilshat Oralbay, jornalista e tradutor uigure aposentado, foi persuadido pelas autoridades chinesas a regressar a Xinjiang, vindo do Cazaquistão, em 2017. O passaporte foi confiscado imediatamente após o regresso, e Dilshat foi preso vários meses depois. “Não há tribunal, apenas o colocaram na prisão [e disseram-lhe que seria] por 25 anos”, disse Gulaisha. “Eu acho que [ele] nem sabe o motivo [da prisão]. Alguém disse [que era] porque ele viajou para o Cazaquistão, e dão diferentes desculpas; não há justificações claras e razoáveis.” As duas irmãs de Gulaisha e Dilshat, Bakytgul e Bagila Oralbay, também estão detidas.
A alta-comissária da ONU para os direitos humanos, Michelle Bachelet, disse estar a ser finalizado o relatório sobre as graves violações de direitos humanos em Xinjiang, mas a AI lamenta que, “com este atraso, tenha sido encerrada mais uma sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU sem que tenha sido possível discutir as conclusões sobre Xinjiang”, apelando à divulgação do relatório.
Para Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, “o seu contínuo fracasso em denunciar crimes contra a humanidade e outras graves violações de direitos humanos em Xinjiang é um obstáculo à justiça”.
(Ilustração da página principal: © Molly Crabapple/Amnistia Internacional.)










