
O cessar-fogo tem sido um apelo constante da Amnistia Internacional e esta campanha da secção portuguesa visa reforçá-lo.
A Amnistia Internacional Portugal lançou esta terça-feira, 14 de maio, uma nova campanha pelo cessar-fogo na Faixa de Gaza, desafiando todas as pessoas a escreverem cartas aos deputados e deputadas eleitos pelo seu círculo eleitoral, “exigindo-lhes que trabalhem a uma só voz por um cessar-fogo imediato por todas as partes, a fim de libertar os reféns e pôr termo ao sofrimento e mortes de civis”.
A carta a enviar pode ser encontrada no site da Amnistia Internacional Portugal. Ao preencher o formulário, com a indicação do distrito onde se exerce o direito de voto, a carta é automaticamente enviada para os respetivos deputados/deputadas desse distrito.
“O apelo é simples: para que se empenhem e atuem enquanto deputado/a da Nação, desenvolvendo todos os esforços no Parlamento, junto do Governo da República Portuguesa, e por todos os meios ao seu dispor, com fim a alcançar um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza”, pode ler-se na missiva.
O cessar-fogo tem sido, de resto, um apelo constante da Amnistia Internacional [ver 7MARGENS] – e esta campanha visa reforçá-lo. “Pela evidência de destruição que temos visto, pelos números de feridos e mortos que se somam a cada dia, pela ajuda humanitária a conta-gotas, e pela escassez de comida e material médico, sabemos que o caminho para a paz se faz pela via do cessar-fogo. Não há outro atalho possível. É por isso que queremos envolver todas as pessoas neste apelo, incentivando-as a escrever aos deputados e deputadas dos vários círculos eleitorais, para que, também eles, sejam desafiados a tornar este apelo parte integrante do seu trabalho e conversações”, destaca Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal.
Situação de fome sem precedentes

Uma criança de cinco anos espera a sua vez para obter comida, em Rafah, Faixa de Gaza. Foto © Abed Zagout/Unicef
A organização de defesa dos direitos humanos alerta que, “de acordo com a Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar e Nutricional, a situação de fome que vivem as pessoas na Faixa de Gaza atingiu a maior proporção alguma vez registada numa população em crise de segurança alimentar.
“Há meses que as famílias bebem água que não é potável, passando também dias seguidos sem comida. O sistema de saúde entrou em colapso total devido a surtos de doenças e ferimentos graves provocados pelos constantes bombardeamentos. A severa desnutrição, a desidratação e outras doenças relacionadas têm também provocado mortes. Em março, as Nações Unidas também divulgaram que, no Norte da Faixa de Gaza, uma em cada seis crianças com menos de dois anos sofria de subnutrição aguda. Sem um cessar-fogo, e caso o acesso humanitário continue a ser interdito pelas autoridades israelitas, seguir-se-ão mais mortes por fome e doença”, sublinha o comunicado da Amnistia Internacional Portugal.
A organização partilhou recentemente o testemunho de um trabalhador da organização na Faixa de Gaza, que detalha a realidade da escassez de alimentos: “Pela primeira vez em seis meses, foi autorizada a entrada de frango congelado em Rafah. Sentimo-nos felizes pelas crianças, mas também mal conseguimos conter as lágrimas: será que conseguimos imaginar que comer frango congelado se tornou um sonho para elas?”, contava.
Este trabalhador abordava também a a falta de opção para os civis palestinianos que estavam a ser pressionados para abandonar Rafah sob a iminência de uma operação terrestre em grande escala por parte de Israel: “Como toda a gente em Rafah, estamos aterrorizados com qualquer invasão terrestre israelita. Para onde é que vamos a seguir? Outra deslocação? Mas não há nenhum sítio na Faixa de Gaza que tenha sido poupado à destruição: destruição em Khan Younis, destruição na área central da Faixa; Rafah – a leste e a oeste – está cheia de pessoas deslocadas internamente, nem sequer se pode lá colocar outra tenda. […] Para onde é que se vai quando não há nenhum sítio seguro?”
Sobre a atual situação em Rafah, a Amnistia Internacional relembra que todos os Estados devem pressionar Israel a suspender imediatamente as suas operações terrestres na região e a garantir o acesso sem restrições à ajuda humanitária, em conformidade com as suas obrigações de prevenir o genocídio, tal como reiterado pelo Tribunal Internacional de Justiça a 28 de março de 2024.
Como expressa a frase com que termina a missiva que a Amnistia propõe enviar aos deputados: “esta é a hora de as armas se silenciarem”.










