AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

No início de 2026, manifestantes de Los Angeles a Minneapolis organizaram-se rua a rua contra as rusgas das autoridades de imigração dos EUA. Foto © APU GOMESAFP via Getty Images
No início de 2026, manifestantes de Los Angeles a Minneapolis organizaram-se rua a rua contra as rusgas das autoridades de imigração dos EUA. Foto © APU GOMES/AFP via Getty Images

Em relatório anual

Amnistia Internacional denuncia “ordem mundial predatória” e retrocessos nos direitos humanos em Portugal

| 21/04/2026

No seu mais recente relatório anual, a Amnistia Internacional alerta para a ascensão de uma ordem mundial que privilegia o domínio militar e comercial em detrimento da dignidade humana. Lançado esta terça-feira, 21 de abril, e intitulado A Situação dos Direitos Humanos no Mundo, o relatório documenta como o ano de 2025 foi marcado pelo colapso em curso do direito internacional e aponta falhas críticas também em Portugal, desde o racismo nas forças de segurança às barreiras no acesso à saúde e habitação.

O relatório, apresentado em Londres e disponibilizado online, detalha um cenário preocupante nas instituições portuguesas. A organização destaca os “homicídios ilegais” de pessoas vítimas de discriminação racial por parte da polícia, mencionando especificamente os casos de Odair Moniz, na Cova da Moura, e de um imigrante marroquino em Olhão. Para a Amnistia, estes episódios não são isolados, mas sim sintomas de falhas sistémicas, agravadas por uma “perceção de impunidade”: os dados revelam que apenas uma ínfima parte das investigações por crimes de ódio (19 em 1.020) resultou em acusações formais nos últimos cinco anos.

De acordo com o relatório, as falhas estendem-se ao sistema prisional, onde o Provedor de Justiça encontrou provas de maus-tratos, e ao campo dos direitos sociais. O acesso ao aborto continua a ser descrito como “inadequado e desigual”, forçando milhares de mulheres a deslocarem-se a Espanha, enquanto a crise da habitação se agravou com despejos forçados e demolições na periferia de Lisboa.

Portugal é ainda chamado à responsabilidade no tabuleiro internacional: o relatório da organização de defesa dos direitos humanos critica o Governo por permitir que a Base das Lajes servisse de escala para caças F-35 destinados a Israel, facilitando assim a transferência de armamento num contexto de conflito e genocídio em Gaza. Esta ação é vista como um exemplo da “política de apaziguamento” que a Amnistia insta os Estados europeus a abandonarem.

 

Um novo eixo de poder “racista, patriarcal e desigual”

Relatório Anual 25-26 foi apresentado pela secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard. Foto © Amnistia Internacional

O relatório foi apresentado pela secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard. Foto © Amnistia Internacional

A nível global, a secretária-geral da instituição, Agnès Callamard, fala de uma “falência moral” dos líderes das grandes potências. Desde a repressão violenta no Irão e Afeganistão ao uso de tecnologia de vigilância para silenciar dissidentes nos EUA e na Sérvia, o direito internacional está a ser “esvaziado”, explica a responsável, citada no relatório. A alternativa proposta por este novo eixo de poder é, segundo a organização, uma ordem “racista, patriarcal e desigual”.

O documento destaca vários focos críticos de violações e instabilidade, a começar pelo Médio Oriente, onde a organização aponta o conflito em espiral na região como o resultado da “descida à ilegalidade”, e menciona especificamente o “genocídio” contínuo em Gaza por parte de Israel (apesar do cessar-fogo de 2025) e o uso ilegal da força pelos EUA e Israel contra o Irão no início de 2026.

São também mencionados os atos de agressão dos EUA contra a Venezuela, execuções extrajudiciais nas Caraíbas e no Pacífico, e a intensificação dos ataques russos contra infraestruturas civis na Ucrânia.

O fornecimento de armas avançadas pelos Emirados Árabes Unidos ao Sudão e o apoio do Ruanda ao grupo M23 na República Democrática do Congo são ainda apontados como motores de massacres civis. Sem esquecer que, no Afeganistão, os talibãs intensificaram a repressão extrema contra mulheres e raparigas.

Apesar do diagnóstico sombrio, o relatório sublinha que a esperança reside na sociedade civil. Os protestos da Geração Z em mais de uma dezena de países e a pressão jurídica sobre crimes contra a humanidade (como a entrega de Rodrigo Duterte ao TPI) são apontados como o caminho para “reimaginar e reconstruir” uma ordem global centrada nos direitos humanos. Até porque “a história não é algo que nos é imposto; cabe-nos a nós fazê-la”, conclui Callamard.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba

Ano jubilar-800 anos da morte (8)

Último desejo de Francisco: os bolinhos da amiga Jacoba novidade

O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This