
“A liberdade que hoje celebramos é um direito que foi negado a…” é o lema da campanha de sensibilização da AI-Portugal. Foto © Amnistia Internacional – Portugal
A Amnistia Internacional – Portugal vai distribuir, nesta terça-feira, mais de mil cravos no desfile comemorativo do 25 de Abril em Lisboa, aos quais estão associados casos de pessoas que perderam a sua liberdade. A acção será repetida em várias outras iniciativas que assinalam os 49 anos da implantação da democracia em Portugal em diferentes cidades.
A cada cravo, que em Portugal adquiriu o símbolo da liberdade, estará associado o caso de uma pessoa que, “por defender a liberdade de expressão e de manifestação pacífica, acabou por perder a sua”, diz a Amnistia, num comunicado enviado ao 7MARGENS. Todos os casos, acrescenta a organização, integram a campanha “Protege a Liberdade” da Amnistia Internacional, destinada a “promover a liberdade de expressão e de manifestação pacífica, e apoiar movimentos sociais que actuam por mudanças positivas na esfera dos direitos humanos e pessoas em perigo”.
A Amnistia justifica a acção: por todo o mundo, direitos como a liberdade de expressão e de manifestação pacífica têm sido ameaçados por governos e autoridades que os deveriam proteger. “São vários os exemplos de manifestantes, activistas e defensores dos direitos humanos que foram alvo de vigilância, vítimas do uso indevido da força, censura, estigmatização, julgamentos injustos, prisão, tortura, perseguição e até morte.”
Citando dados da Front Line Defenders, a AI-Portugal diz que em 2022 foram mortos 401 defensores de direitos humanos, tendo também aumentado o número de jornalistas mortos (57), de acordo com os Repórteres sem Fronteiras.
Entre os casos distribuídos com os cravos, estão os casos de Chow Hang-Tung; Gustavo Gatica; Vahid Afkari; as Mães de Sábado; e Cecillia Chimbiri, Joanna Mamombe e Netsai Marova, pessoas cuja vida sofreu consequências graves “pela repressão à sua liberdade de expressão e de manifestação pacífica”, na expressão de Paulo Fontes, responsável pelas campanhas da Amnistia Internacional – Portugal.
“Enquanto o artigo 1o da Declaração Universal dos Direitos Humanos defende que ‘Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos’, a realidade internacional continua a afrontar o direito que cada um e cada uma têm em pedir, receber e partilhar informação e ideias, sem medo nem interferência ilegal. É preciso celebrar a liberdade e relembrar que ela não é um privilégio, é um direito.”
Em Lisboa, a distribuição da flor que se tornou o símbolo da revolução democrática será feita no percurso entre o Marquês de Pombal e a Avenida da Liberdade, informa um comunicado da organização de defesa dos direitos humanos enviado ao 7MARGENS. Nos desfiles do Porto e de Coimbra, bem como em Estremoz e Viseu, a distribuição será replicada.










