Cazaquistão

Amnistia quer libertação dos detidos e respeito pelos direitos humanos

| 13 Jan 2022

“O silêncio das autoridades sobre o número de vítimas da agitação e as circunstâncias da sua morte é escandaloso”, aponta a organização. Foto © Anadolu Agency via Getty Images, cedida pela Amnistia Internacional. 

 

A Amnistia Internacional apelou à libertação dos manifestantes detidos arbitrariamente no Cazaquistão e ao respeito pelos direitos humanos no meio de toda a agitação no país. Em comunicado enviado ao 7MARGENS, a organização diz ainda que as autoridades do país “devem libertar jornalistas e activistas que tenham sido detidos arbitrariamente pela sua cobertura de protestos em massa em todo o país durante a última semana”. 

“Embora a situação pareça ter acalmado no Cazaquistão, a crise está longe de ter terminado”, observou entretanto Marie Struthers, directora da Amnistia Internacional (AI) para a Europa Oriental e Ásia Central. “Nada é agora mais importante do que o livre acesso à informação independente, a plena responsabilização pelo que aconteceu e o compromisso de respeitar os direitos humanos avançando”, acrescentou a responsável, citada no comunicado. 

Em causa está o número exacto de mortes na sequência das manifestações, que permanece desconhecido, acusa a Amnistia. “O silêncio das autoridades sobre o número de vítimas da agitação e as circunstâncias da sua morte é escandaloso. As informações sobre as vítimas civis devem ser divulgadas imediatamente”, disse Marie Struthers. 

Mas há outros factos: a AI recorda que as autoridades do Cazaquistão “desactivaram a Internet e restringiram as comunicações móveis durante cinco dias após o início dos protestos”, culpando em seguida defensores e activistas dos direitos humanos “por estimularem as manifestações” e prendendo jornalistas independentes.

Lukpan Akhmedyarov, editor do jornal Uralskaya Nedelya, que foi detido em Uralsk, dois jornalistas da rádio local RFE/RL Azattyk presos, e o jornal digital independente Fergana.ru instado a retirar um relatório, além de relatos de jornalistas estrangeiros a quem foi negada a entrada no país são alguns dos exemplos dados pela Amnistia. 

A Amnistia acusa ainda as autoridades cazaques de ter detido arbitrariamente quase 10 mil pessoas, tendo já iniciado 400 processos criminais. Muitos deles, ao contrário do que sustenta o Procurador-Geral do país, são relativos a dissidência pacífica, diz a AI, que exemplifica também com vários casos. 

“Todos aqueles que foram arbitrariamente detidos apenas por terem participado nos protestos devem ser imediatamente libertados”, disse Marie Struthers. Pedindo “julgamentos justos, de acordo com o direito internacional dos direitos humanos”, a responsável da AI acrescentou que todas as denúncias de maus-tratos por parte de funcionários devem ser efectivamente investigadas, devendo os responsáveis ser responsabilizados”. 

Religiões pela paz

Os bispos católicos promoveram entretanto, nesta quinta-feira, 13 de Janeiro, uma jornada de oração pela paz no Cazaquistão e pelas cerca de duas centenas de vítimas dos conflitos que várias fontes apontam como o número mais provável de vítimas, após as manifestações das últimas semanas. 

As demonstrações começaram em protesto contra os aumentos dos preços dos combustíveis.

Os bispos promoveram a jornada de oração na diocese de Maria Santíssima em Astana, sede episcopal da Igreja Católica, que é uma comunidade pequena: representa apenas cerca de um por cento da população do país, estimada em pouco mais de 18 milhões de habitantes (os muçulmanos são cerca de 70 por cento), recorda a Ajuda à Igreja que Sofre. 

A jornada de oração foi convocada pelo arcebispo Tomasz Peta, por ocasião do dia de luto nacional na passada segunda-feira, 10 de Janeiro. O responsável católico lamentou “as vítimas” que surgiram na sequência dos protestos e apelou à comunidade internacional para agir no sentido da resolução pacífica dos problemas do país, informa a mesma fonte. 

Além dos outros dois bispos católicos, também o metropolita ortodoxo e o mufti supremo (muçulmano) do Cazaquistão apelaram à unidade nacional e ao fim do conflito, como noticiou o La Croix International (ligação exclusiva para assinantes). 

 

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