A título experimental

Igreja de Inglaterra autoriza celebração de uniões homossexuais

| 16 Nov 2023

Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra, 15 novembro 2023. Foto Geoff Crawford Church of England

As votações mostram que a Igreja Anglicana continua muito dividida sobre o tema, mas que, ainda assim, autoriza os membros do clero a abençoar a relação de casais gay. Foto © Geoff Crawford/Church of England

 

Por maiorias muito estreitas, o Sínodo Geral da Igreja de Inglaterra autorizou, no final do dia 15 de novembro, a realização de serviços religiosos especiais, destinados a abençoar casais do mesmo sexo. Essas celebrações foram autorizadas depois de uma longa maratona de debates e diversas moções, e apenas com carácter “experimental”.

As votações mostram que a Igreja Anglicana continua muito dividida sobre o tema, mas que, ainda assim, autoriza os membros do clero que o queiram fazer (nenhum é obrigado a acolher tais cerimónias) a abençoar a relação de casais gay. The Guardian noticia o desfecho do Sínodo Geral salientando que essas celebrações, graças “à música, às leituras, [às orações], confettis e outros aspetos” poderão ser “muito semelhantes a um casamento religioso padrão”.

Não é esse o entendimento da Igreja de Inglaterra que tem reafirmado não serem tais cerimónias “o mesmo que um casamento na igreja”, nem a sua autorização “altera a celebração do Santo Matrimónio pela Igreja da Inglaterra, que continua a ser a união vitalícia de um homem e uma mulher, conforme estabelecido nos seus cânones e liturgias autorizadas.” [Ver 7MARGENS].

De acordo com o relato feito pelo Church Times, a emenda à moção principal apresentada pelo bispo de Oxford, Steven Croft, estipulando que estas celebrações seriam autorizadas “a título experimental”, permitiu encontrar uma saída para o impasse que o debate fazia adivinhar, mas não deixou de reverter a decisão tomada pela Câmara dos Bispos no mês passado. Os bispos votaram na primeira semana de outubro no sentido de prosseguir diretamente para um processo sinodal completo [sob o Cânone B2] sem período experimental. Mas as autorizações no âmbito do Cânone B2 requerem aprovação final por dois terços em todas as três Câmaras (a dos Bispos, a do Clero e a dos Leigos). Para o Church Times, é certo que “com base nos atuais padrões de votação, parece improvável que tal [decisão] seja aprovada”.

A emenda foi aprovada por todas as Câmaras, mas apenas por um voto de diferença na Câmara dos Leigos, (99-98). Posteriormente, a moção final foi aprovada em todas as três Câmaras, com os seguintes resultados: Bispos 23-10; Clero 100-93; e Leigos 104-100. “As margens na votação final foram mais estreitas do que na votação de fevereiro sobre as propostas originais – escreve o Chuch Times –, tanto na Câmara dos Bispos como nas outras: há nove meses, apenas quatro bispos votaram contra”. De acordo com o jornal, “os serviços religiosos especiais” devem ser agora regulados “pelos arcebispos (Cantuária e York) ao abrigo do Cânone B5(A) que permite aos arcebispos autorizar conjuntamente a liturgia por um período experimental” e é natural que “a Câmara dos Bispos discuta na sua reunião do próximo mês como as implementar”.

Sarah Mullally, bispo de Londres disse, em declarações à imprensa: “A verdade é – e como vimos novamente hoje – que a Igreja de Inglaterra não tem a mesma opinião sobre questões da sexualidade e do casamento.”

Para sublinhar tal dissenso, The Guardian recolhe o depoimento de Jayne Ozanne, defensora na Igreja de Inglaterra do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que comenta a decisão como oferecendo “pequenos pedaços de esperança às pessoas LGBT+” ,ao mesmo tempo que acusa a sua Igreja de “continuar profundamente homofóbica, independentemente do que os bispos e arcebispos possam dizer” e acrescenta: “Temo que grande parte dos cidadãos julgue a Igreja de Inglaterra como sendo abusiva, hipócrita e não amorosa – creio que eles estão, infelizmente, corretos.”

Mas, por outro lado, Daniel Matovu, advogado e membro leigo do Sínodo, disse que a proposta era “contrária e totalmente inconsistente com a palavra de Deus” e que “a Bíblia deixa claro que um homem que dorme com outro homem não pode entrar no reino dos céus”.

 

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