Antissemitismo cresce em França

| 10 Mar 19 | Destaque 2, Outras Religiões, Outras Religiões - homepage, Sociedade, Últimas

Interior da Sinagoga de Bordéus: os lugares e símbolos judaicos têm sido objeto de vandalismo e ataques vários; foto © Eduardo Jorge Madureira

 

“Tudo começou com algumas piadas de mau gosto sobre judeus acompanhadas de saudações nazis quando passavam por mim.” Foi assim que uma jovem estudante de medicina descreveu o horror que tem sido a sua vida no campus universitário desde o início do ano letivo, em outubro do ano passado. Em fevereiro deste ano, um cemitério judeu da Alsácia foi vandalizado por um grupo de anónimos que pintou suásticas e insultos em dezenas de campas.

O Presidente francês, Emmanuel Macronvisitou o local, declarando estar “totalmente determinado em combater todas as formas de antissemitismo”. Também a cidade de Estrasburgo foi testemunha de um ato de vandalismo, poucos dias depois. O alvo foi uma pedra memorial que assinalava o local da antiga sinagoga da cidade, incendiada por soldados nazis durante a Segunda Guerra Mundial.

Ao longo do mês de fevereiro, também se registaram vários incidentes em Paris e arredores. O retrato de rua de Simone Veil (sobrevivente do Holocausto, e antiga ministra e presidente do Parlamento Europeu) apareceu vandalizado, pintado com uma cruz suástica. Alguém escreveu a tinta a palavra juden (judeu, em alemão), na porta de um restaurante, propriedade de uma família judia. E as árvores que constituíam o monumento erigido em memória de Ilan Halimi, um jovem torturado e assassinado em 2006, foram cortadas durante a noite.

A palavra antissemitismo ganhou expressão no século XIX, apoiada na ideia de que todos os judeus são ricos e prósperos nos seus negócios, o que gerou ódio racial em certas camadas da população. Foi esta convicção, entre outros fatores, que conduziu Hitler ao genocídio deste povo. Desde aí, são poucos os que se atrevem a declarar-se abertamente antissemita. Contudo, isto não significa que o antissemitismo tenha desaparecido. A prová-lo está esta onda crescente de atos antissemitas em França que, só no ano passado, aumentou 74 por cento em relação ao ano anterior.

Também em fevereiro deste ano, o filósofo francês Alain Finkielkrautse viu obrigado a solicitar proteção policial quando um grupo de denominados “coletes amarelos” lhe dirigiu sucessivos insultos, acompanhados de sérias ameaças. “Senti um ódio profundo” descreveu, nesse mesmo dia, a um jornal francês. “Se a polícia não tivesse estado lá, tinha ficado verdadeiramente assustado.”

Muitas são as questões levantadas sobre a relação entre o aumento da violência contra os judeus e o movimento dos chamados “coletes amarelos”. Segundo declarações de Vincent Duclert, que investiga o antissemitismo em França numa das mais prestigiadas universidades francesas – a École des Hautes Études en Sciences Sociales– este é um problema grave. “Os ‘coletes amarelos’ não são, em si, um movimento antissemita. Mas, a cada sábado, nas manifestações, há uma grande quantidade de expressões antissemitas quer de elementos ligados à extrema-direita, quer de outros ligados à extrema-esquerda. O problema dos coletes amarelos – que começaram como um grupo de protesto contra o aumento de impostos sobre os combustíveis –  está em não ter uma liderança forte e concreta. Desta forma, o grupo torna-se vulnerável a que qualquer outro grupo ideológico se aproprie do movimento para fazer passar as suas ideias.

Para dar voz à consternação com que a sociedade francesa tem vivido nestas últimas semanas, houve uma manifestação de protesto contra o antissemitismo, no dia 20 de fevereiro, em Paris, que reuniu figuras comoo primeiro-ministro, Édouard Philippe, a maioria dos membros do Governo e representantes de vinte partidos franceses. A iniciativa pretendia sensibilizar toda a população para este problema que, só no último mês, ultrapassou todos os limites num país que alberga a maior comunidade judaica da Europa, com cerca de 550 mil residentes.

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Dez
10
Ter
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Dez 10@17:30_18:30

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Dez
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Qua
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Dez
14
Sáb
3º Concerto de Natal da Academia de Música de Santa Cecília @ Basílica do Palácio Nacional de Mafra
Dez 14@21:00_22:30

Entrada gratuita mediante o levantamento de bilhetes nos Postos de Turismo de Mafra e Ericeira

 

A Academia de Música de Santa Cecília, escola de ensino integrado de música, apresenta o seu terceiro concerto de Natal nos dias 14 e 15 de Dezembro, no Palácio Nacional de Mafra, classificado recentemente como Património Cultural Mundial da UNESCO.

Neste concerto participa um coro constituído por 250 crianças e jovens dos 10 aos 17 anos e uma orquestra de cordas de alunos da escola, a soprano Ana Paula Russo e ainda o conjunto, único no mundo, dos seis órgãos da Basílica de Mafra.

No programa estão representados vários compositores nacionais e estrangeiros, destacando-se a obra “Seus braços dão Vida ao mundo”, sobre um poema de José Régio, da autoria da jovem Francisca Pizarro, aluna finalista do Curso Secundário de Composição da Academia de Música de Santa Cecília.

O concerto assume especial importância não apenas pela singularidade do conjunto dos seis órgãos do Palácio Nacional de Mafra mas também pela dimensão do número de jovens músicos envolvidos.

A relevância do concerto manifestou-se em edições anteriores (2016 e 2017), pela sua transmissão integral na RTP2, tendo o concerto de Natal de 2017 sido difundido em directo para a União Europeia de Rádio. O concerto tem o patrocínio da Câmara Municipal de Mafra.

Programa do concerto

Arr. Carlos Garcia (1983)
Ó Pastores, Pastorinhos (tradicional de Alferrarede)

Francisca Pizzaro (2001)
Seus braços dão Vida ao mundo (sobre um poema de José Régio), obra em estreia absoluta, encomendada para a ocasião; Francisca Pizarro é aluna do curso secundário de Composição da AMSC

Arr. Fernando Lopes-Graça (1906-1994)
O Menino nas Palhas (tradicional da Beira Baixa)

Eurico Carrapatoso (1962)
Dece do Ceo (sobre um poema de Luís de Camões)

Arr. Carlos Garcia
Gloria in excelsis Deo (tradicional francesa) *

Franz Xaver Gruber (1787-1863) Arr. Carlos Garcia
Stille Nacht

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Alleluia, do moteto Exsultate, jubilate

Tradicional francesa
Quand Dieu naquit à Noël

Louis-Claude Daquin (1694-1772)
Noël X

Arr. Malcolm Sargent (1895-1967)
Zither Carol (tradicional da República Checa)

Tradicional do País de Gales
Deck the Halls

John Henry Hopkins Jr. (1820-1891); Arr. Martin Neary (1940)
We three Kings

Arr. Mack Wilberg (1955)
Ding! Dong! Merrily on High (tradicional francesa)

Arr. David Willcocks (1919-2015)
Adeste Fideles (tradicional), com a participação do público.

CANTORES E MÚSICOS
Ana Paula Russo, soprano

Ensemble Vocal da AMSC
Coro do 2º Ciclo da AMSC
Coros do 3º Ciclo e Secundário da AMSC

Orquestra de Cordas da AMSC
Pedro Martins, percussão

Rui Paiva, órgão da Epístola
Flávia Almeida Castro, órgão do Evangelho
Carlos Garcia, órgão de S. Pedro d’Alcântara
João Valério (aluno da AMSC), órgão do Sacramento Liliana Silva, órgão da Conceição
Afonso Dias (ex-aluno da AMSC), órgão de Sta. Bárbara

Carlos Silva, direcção da orquestra

António Gonçalves, direcção

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