7MARGENS é uma aposta digital de jornalismo que quer colocar as pessoas e as comunidades no centro da notícia. As das margens em primeiro lugar. De todas as margens: dos que vivem nelas. Ou seja, dos marginalizados. Dos que viajam entre elas e fazem as múltiplas travessias da vida. Prestando atenção. Dando margem a todos os que buscam o sentido da vida e sonham justiça e dignidade.

As religiões serão um campo de atenção. Teremos em conta a expressão de cada uma, as suas realizações mais significativas, as suas leituras do mundo e da vida, as suas obras e as suas contradições e desafios.

Portugal conheceu nas últimas duas décadas um retrocesso evidente na cobertura do fenómeno religioso e as próprias confissões religiosas parecem aceitar isso, como se só pudesse haver a escolha entre uma informação proselitista e o silêncio. A vida pública e a cultura saem empobrecidos com esta situação. 7MARGENS propõe-se ser aí uma resposta.

Mas temos consciência de que a busca espiritual, através da meditação, do jejum, do retiro, de novos estilos de vida, vai cada vez mais para além das confissões e das instituições. 7MARGENS quer acolher a experiência e o caminho de todos, escutando e dando voz e espaço, nomeadamente aos mais jovens.

Teremos em especial atenção setores como o trabalho, a educação, a solidariedade, as migrações, a interculturalidade, a saúde, a criação e consumo cultural, a ecologia e a ciência, entre outros. Não temos a pretensão de cobrir jornalisticamente estes sectores. Mas queremos trazer para esta plataforma os dramas, as injustiças, as experiências inovadoras, os testemunhos e os debates de todos os agentes e a todos os níveis. Todos os que estão à margem na economia (os trabalhadores e os mais pobres), na política (os cidadãos), na cultura (os debates e as propostas), nas instituições religiosas (os crentes) e nos média (as religiões e a busca espiritual) queremos trazer para 7MARGENS. Atentos à realidade nacional e internacional, nomeadamente nos países onde se fala o português.

Este projeto foi participado na sua génese e quer ser participado na sua concretização. Organizámos encontros de pessoas de diferentes idades e situações em Braga, Porto, Aveiro, Covilhã, Coimbra e Lisboa. Daí concluímos haver espaço e mesmo necessidade de uma publicação como esta e recebemos sugestões de conteúdos a abordar. Até o título resultou de um processo de auscultação de uma rede de contactos que tem vindo a constituir-se.

Mas o desafio deste caminho participativo começa agora, com o arranque de 7MARGENS. Participação na sugestão de conteúdos e mesmo na sua produção, salvaguardando a autonomia do trabalho dos jornalistas; mas participação também no financiamento, já que um projeto destes precisa do trabalho de voluntários e precisa da partilha económica para fazer face às despesas. Aqui vai estar um desafio: saber se queremos, de facto, dar vida a um projeto jornalístico profissional e de qualidade no terreno das religiões e das espiritualidades, no nosso país.

Do nosso lado, prometemos, além do trabalho, transparência na gestão da partilha dos leitores. E estamos sempre abertos a sugestões de trabalhos, a propostas de reportagens, a colaborações não apenas através do texto, mas também da fotografia, do desenho, do cartoon, do vídeo ou do podcast.

Breves

Boas notícias

É notícia

Cultura e artes

São Pessoas. Histórias com gente dentro novidade

Há um tanque de lavar roupa. Há uma cozinha. Há o poço e as mãos que lançam um balde. Há uma sombra que foge. Há o poste de eletricidade que ilumina as casas frágeis. Há o quadro pendurado em que um coração pede “Deus te ajude”. Há a campa e a eterna saudade. E há uns tapetes gastos. Em cada uma destas fotos só se adivinham os rostos, os olhos, as rugas, as mãos rugosas, as bocas, as pessoas que habitam estes lugares.

“2 Dedos de Conversa” num blogue para alargar horizontes

Um dia, uma leitora do blogue “2 Dedos de Conversa” escreveu-lhe: “Este blogue é um momento de luz no meu dia”. A partir daí, Helena Araújo, autora daquela página digital, sentiu a responsabilidade de pensar, de manhã, o que poderia “escrever para animar o dia” daquela rapariga. Sente que a escrita do blogue pode ajudar pessoas que não conhece, além de lhe ter alargado os horizontes, no debate com outros pontos de vista.

Arte de rua no selo do Vaticano para a Páscoa

Um selo para celebrar a Páscoa com arte de rua. Essa será a escolha do Vaticano, segundo a jornalista Cindy Wooden, para este ano, reproduzindo uma Ascensão pintada por Heinrich Hofmann, que se pode ver na Ponte Vittorio Vittorio Emanuele II, em Roma, a poucas centenas de metros da Praça de São Pedro.

Pessoas

Abiy Ahmed Ali, o Nobel da Paz para um cristão pentecostal

Abiy Ahmed Ali, o Nobel da Paz para um cristão pentecostal

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed Ali, receberá nesta terça-feira o Nobel da Paz de 2019, numa cerimónia em Oslo. O Comité Nobel não o disse, mas várias das atitudes e propostas do mais jovem líder da África, com 43 anos, radicam na sua fé cristã de matriz pentecostal.

Sete Partidas

Uma mulher fora do cenário, numa fila em Paris

Ultimamente, ao andar pelas ruas de Paris tenho-me visto confrontada pelos contrastes que põem em questão um princípio da doutrina social da Igreja (DSI) que sempre me questionou e que estamos longe de ver concretizado. A fotografia que ilustra este texto é exemplo disso.

Visto e Ouvido

Agenda

Entre margens

Eutanásia, hora do debate novidade

Seja qual for a posição de cada um, a reflexão e o debate sobre a eutanásia é uma exigência de cidadania e não uma discussão entre alguns, em círculo fechado, mesmo se democraticamente nos representam. Quando está em jogo o tipo de sociedade que desejo para os meus netos, não quero que outros decidam sem saberem o que penso.

“Qual é o mal de matar?”

A interrogação que coloquei como título deste texto foi usada por Peter Singer que a ela subordinou o capítulo V do seu livro Ética Prática. Para este filósofo australiano, a sacralidade da vida humana é entendida como uma forma de “especismo”, uma designação que ele aplica a todas as teorias que sustentam a superioridade da espécie humana.

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