O Vaticano confirmou oficialmente a notícia que já se esperava: a primeira viagem apostólica do novo Papa será à Turquia, terra do Concílio de Niceia, cujos 1.700 anos se celebram este ano, e ao Líbano, país que faz fronteira com Israel e que após décadas de conflitos continua sem ter uma paz plena. Leão XIV irá, assim, cumprir duas promessas feitas pelo Papa Francisco.
O anúncio foi divulgado nesta terça-feira, 7 de outubro, pela Sala de Imprensa da Santa Sé, estando já confirmadas as datas: Leão estará em Iznik (antiga cidade de Niceia) de 27 a 30 de novembro, seguindo nesse dia para o Líbano, onde permanecerá até 2 de dezembro.
Foram várias as ocasiões públicas em que Francisco expressou o seu desejo de ir à Turquia e participar nas celebrações, ao lado do seu “querido” irmão Bartolomeu, Patriarca Ecuménico de Constantinopla. A viagem chegou a estar agendada para maio deste ano e, de acordo com os média do Vaticano, após ter saído da sua longa recuperação no Hospital Gemelli, o Papa argentino terá mesmo pedido aos colaboradores mais próximos para avançar com aquela que provavelmente seria a sua última viagem, independentemente da condição física em que se encontrava.
Francisco faleceu pouco mais de um mês depois, sem conseguir concretizar esse desejo, mas Leão XIV rapidamente confirmou a legitimidade da vontade expressa pelo seu antecessor. É muito importante estar presente na comemoração deste capítulo fundamental da História da Igreja, que “não é apenas um acontecimento do passado, mas uma bússola que deve continuar a guiar-nos em direção à plena unidade visível de todos os cristãos”, disse ele durante a audiência aos participantes do simpósio organizado, em junho, na Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino, em Roma, intitulado “Niceia e a Igreja do Terceiro Milénio: rumo à unidade católica e ortodoxa”.
Quanto à ida ao Líbano, foi no voo de regresso da sua viagem apostólica ao Iraque, em março de 2021 (realizada apesar dos temores em relação à covid-19 e à insegurança no país), que Francisco revelou a um jornalista o que havia transmitido ao patriarca Béchara Raï, o qual lhe pedira para fazer uma paragem em Beirute: “Escrevi-lhe uma carta, prometi fazer uma viagem”.
Recorde-se que o país dos Cedros assinalou no passado mês de agosto o 5º aniversário da explosão no Porto de Beirute, que provocou 245 mortos e mais de seis mil feridos, e foi uma dura prova a ultrapassar, somando-se às guerras e crises económicas e políticas que o seu povo tem atravessado.
Como assinalava a teóloga Cristina Inogés-Sanz ao 7MARGENS há menos de um mês, trata-se de “uma terra que foi severamente punida em si mesma e, se Israel continuar a sua política de aniquilação e expansão territorial, o Líbano poderá ser a próxima Gaza”.
Assim, por todos os motivos, Francisco queria muito abraçar este povo. Uma vez mais, não teve tempo de cumprir a sua promessa, mas ela não deixará de ser cumprida: não deixará de ser o sucessor de Pedro a fazê-lo.










