
“Há liberdade de expressão. A liberdade de pensar, de achar, de dizer, de discutir, de se zangar e fazer as pazes.” Foto © Álvaro Serrano / Unsplash
1 – Sínodo
Soubemos há dias que na nossa Conferência Episcopal apenas dois bispos nomearam os seus responsáveis diocesanos para a missão de acompanhamento dos preparativos para o Sínodo (com início marcado para 17 de outubro próximo) e de elaboração do respetivo relatório, no formal documento a enviar para Roma. Designado “Por Uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão”, o sentido deste Sínodo é o envolvimento de todo o Povo de Deus, em escuta ativa e recíproca do Espírito Santo. Em reflexão, debate, discernimento, para a renovação das estruturas e governação da Igreja.
No pensamento do jesuíta Jean-Claude Hollerich, cardeal e relator geral do Sínodo, as grandes causas e questões atuais são os populismos, os refugiados, o ambiente. Nas três comissões já nomeadas e a trabalhar nesta fase dos trabalhos sinodais em Roma, participam três bispos, e uma maioria de mulheres e de leigos.
Em Portugal, o bispo de Leiria-Fátima nomeou o padre José Augusto Pereira Rodrigues para a tarefa de acompanhar e reportar a avaliação. Na Diocese de Bragança o bispo “talvez” nomeie o padre José Manuel Bento Soares, vigário episcopal para a ação pastoral para esta função (notícia de 29 julho). Modestamente, confesso a minha perplexidade. Sacerdotes, vigários, exclusivamente? O que sabemos quanto às outras dioceses? Qual é o conceito de Povo de Deus entre nós, qual é sua expressão no Sínodo, como correspondemos mais este renovador e fantástico apelo do Papa Francisco?
2 – Em memória de Pedro Tamen
“Que luzes nos esperam
para além da subida
para além da só vida?”
(in Guião de Caronte)
3 – Avós, ainda
Diversidade de vozes, de mundos, de fragmentos de fala e sentimento, de culturas e geografias. Tanta distância de tempo e espaço, para dizer o amor entre avós e netos, o entendimento, o querer bem. Ou a arte de namorar a vida, a natureza, o mundo.
Assim penso, enquanto guardo a frase do Papa Francisco, “o futuro do mundo está nesta aliança entre os jovens e os idosos”, na sua mensagem para o Dia Mundial dos Avós e Idosos, que determinou. Assim, a partir de agora, a celebração será o 4º domingo de julho, junto à data litúrgica de Santa Ana e São Joaquim, em 26 julho. Com o tema: “Eu estou contigo todos os dias” – o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, convida todos os jovens a incorporar o sentido e a intenção.
Guardo as sensações de avó com netos. O colo, calor, as fraldas e os biberons, as brincadeiras, os mimos, os doces. De repente, passa a infância, há a travessia das adolescências. E de repente, chegam os netos aos 20 anos e as avós à sabedoria da mulher madura.
Em muitas famílias há uma formalidade com os avós e assuntos sobre os quais não se pode falar, em outras há uma abertura às diferentes experiências de cada neto. Em muitas famílias há o rigor da tradição estabelecida, em outras há o entendimento do mundo real. Há as várias falas do amor divino e do amor humano. Há liberdade de expressão. A liberdade de pensar, de achar, de dizer, de discutir, de se zangar e fazer as pazes. Há o conflito/debate/aprendizagem/complementaridade entre gerações. Há o gosto de desabafar, de rir, de chorar. Às vezes, em hora de cumplicidade, há ajudar os netos nas escolhas, quando têm de decidir e escolher.
Leonor Xavier é escritora e jornalista.










