AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Aqueles 12 – ou como a unidade é possível

| 15/09/2022

diversidade, mundo, planeta, mãos unidas

“O mundo está cheio de fome de amor, de unidade e de comunhão.” Imagem: Shutterstock

 

Não precisamos de nos deter imenso sobre as escolhas de Jesus para percebermos que havia ali muito potencial de discórdia. O cobrador de impostos Mateus, a soldo dos romanos, e o agitador Simão (Zelota) que os queria derrubar. Natanael que vinha de Canã e descredibilizou Jesus antes ainda de o conhecer. Vários pescadores de empresas diferentes, concorrentes, onde havia muito mau feitio (Tiago e João eram “filhos do Trovão”). Iscariotes foi quem ficou com a bolsa, mas o perito em contas era Mateus…

O que tinham em comum aqueles homens? Jesus. O único ponto de ligação entre eles era o Messias.

O chamamento de Cristo foi tão poderoso que todos abandonaram tudo e O seguiram, sem se deterem em afinidades ou antipatias entre si, visões sobre a religião ou perguntas sobre o futuro.

O mesmo se passou com todos os chamamentos que Cristo foi fazendo pelo caminho, onde havia de tudo: mulheres da má vida, pecadores públicos, curados de doenças estigmatizantes (lepra, endometriose) e outras doenças que levavam a carga dos pecados dos pais: cegos, coxos, mudos e até possessos.

Nesses percursos foram igualmente salvos, sentindo-se chamados, samaritanos, cananeus, romanos; ou seja, estrangeiros impuros, desconsiderados pela elite religiosa da época.

Salvos e renascidos, iam depois cheios de alegria apregoar Jesus ou juntavam-se a Ele, como mais um, naquele grupo que hoje consideraríamos algo anárquico ou desorganizado. Mas nem isso interessava, porque o principal estava garantido: estavam com Cristo.

Sabemos que nenhuma dessas categorias se viu privada da graça de Deus, bem pelo contrário: quanto maior a pobreza, a necessidade, o desvalimento e a ânsia de cura e de graça, tanto mais rapidamente Jesus correspondia, abundantemente, sem olhar a raças ou condição.

“Não há judeu nem grego, escravo ou livre, homem ou mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gálatas, 3, 28)

O mundo está cheio de fome de amor, de unidade e de comunhão.

A unidade é possível e é um sinal da presença de Deus. Quem une é Deus, o Criador. A criação é um ato de amor, não há criaturas não amadas. Todas são amadas com predileção e as nossas divisões, a nossa não aceitação dos outros, só demonstram o quanto estamos longe do coração de Deus.

A unidade é possível. Como foi para aqueles 12 primeiros, que não deixaram de ter as suas desavenças, mas que as superaram totalmente olhando para Cristo e seguindo-O.

Outro sinal da unidade é o seu dinamismo de abertura. Aqueles 12 não ficaram sempre juntinhos e parados a desfrutar da Verdade que receberam. Seguiram cada um para o seu lado, guiados pelo Espírito Santo onde Ele os conduziu.

A unidade fortalece o corpo e a alma, como uma alavanca poderosa de quem não vai só e transporta consigo um tesouro poderoso. Este tesouro cresce ao ser partilhado, fortalece-se ao ser distribuído, harmoniza o diverso de uma forma sublime, como só Deus pode fazer.

Podemos questionar-nos sobre como somos geradores de unidade. Nas nossas famílias, nas nossas comunidades, no nosso bairro. Se temos os olhos em Cristo de tal forma que cada pessoa mereça de nós o Seu olhar manso e humilde, um olhar de amor, que acolhe e salva.

Bem sabemos que levamos este tesouro em vasos de barro. Mas, quando nos deixamos conduzir por Deus purificando-nos das nossas maldades, podemos vê-Lo agir, transformando o nosso coração de pedra num coração de carne, ficando felizes por se ver “que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso.” (2ª Carta aos Gálatas 4, 7).

 

Dina Matos Ferreira é consultora e docente universitária. Contacto: dina.matosferreira@gmail.com

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória novidade

No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.