
“Estamos aqui para ficar”. Foto cedida pela Amnistia Internacional.
A Amnistia Internacional (AI) denunciou esta quarta-feira, dia 22, o plano de demolição de habitações e de desalojamento em grande escala, levado a cabo por Mohammad bin Salman, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita. Em comunicado, a organização refere que este plano “viola as normas internacionais dos direitos humanos e está a discriminar os cidadãos estrangeiros que vivem naquele país do Médio Oriente”.
No texto, a AI refere que as demolições de edifícios e os desalojamentos forçados em grande escala estarão a afetar cerca de meio milhão de pessoas em mais de 60 bairros da cidade costeira de Jeddah. O jornal Saudi Gazett, citado pela organização de direitos humanos, anunciou a 31 de janeiro de 2022 que o esquema de compensação por demolição dos edifícios “exclui cidadãos estrangeiros”, que representam cerca de 47% da população deslocada.
A medida, em curso desde 2019, faz parte de um programa de reformas saudita denominado Vision 2030. O valor da indemnização é apenas apurado após a demolição dos edifícios, o que levou Diana Semaan, vice-diretora interina da Amnistia Internacional do Médio Oriente e do Norte de África, a revelar que “o plano do projeto terminou há quase três anos, mas as autoridades sauditas não se envolveram num processo de consulta com os moradores, não os notificou de forma adequada, nem divulgou o valor da compensação a atribuir-lhes antes das demolições”.
“As autoridades estão a desenvolver este projeto, independentemente do impacto que ele possa ter para quem habita aquela área. Não só expulsaram os residentes das suas casas sem lhes dar tempo ou compensação adequados para encontrar uma casa alternativa, como também discriminaram centenas de milhares de cidadãos estrangeiros, excluindo-os do esquema de compensação”, acrescentou.
Para a Amnistia, é tempo de as autoridades colocarem um fim a estes desalojamentos forçados.










