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A arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally. Foto The Church of England
Com esta iniciativa, a nova líder da Comunhão Anglicana segue os passos dos seus antecessores. Foto © The Church of England

Primeira viagem ao estrangeiro

Arcebispa de Cantuária encontra-se com o Papa

| 22/04/2026

A arcebispa de Cantuária, Sarah Mullally, viajará para Roma este fim de semana, para se encontrar com o Papa Leão XIV no sábado, 25 de abril, naquela que é a sua primeira visita fora de Inglaterra.

Com esta iniciativa, a nova líder da Comunhão Anglicana segue os passos dos seus antecessores, ao longo dos últimos 60 anos, desde que se começaram a estreitar as relações entre a Igreja Católica e a Igreja de Inglaterra.

Esta viagem reveste-se, entretanto, de um significado especial, dado que se evoca em 2026 o 60º aniversário do encontro entre o arcebispo de Cantuária Michael Ramsey e o Papa Paulo VI. Tal não acontecia desde a criação da Igreja de Inglaterra, no século XVI.

Em 1966, quando Ramsey se encontrou com o Papa, em plena Capela Sistina, Paulo VI teve um gesto surpreendente: entregou ao visitante o anel episcopal. Segundo um trabalho publicado pelo Religion Media Centre, o choque foi tal que o arcebispo Ramsey caiu em lágrimas. “Desde então, os arcebispos de Cantuária usam esse anel quando visitam Roma”, refere aquela fonte.

Comentando este aniversário e o significado desta viagem, Catherine Pepinster, especialista em relações entre as duas confissões, faz notar que a primeira viagem de Sarah Mullally ao estrangeiro não é a uma igreja anglicana. Isso acontecerá em junho próximo, quando ela visitar África, onde, curiosamente, tem estado nos últimos dias Leão XIV.

Referindo-se a documentos relativos a visitas anteriores a Roma, Pepinster refere a ordenação de mulheres como presbíteras e bispas como obstáculo entre as duas partes. Nesse quadro, “será uma visão extraordinária ver a primeira arcebispa mulher de Cantuária a ser recebida” no Vaticano, observa ela.

Pepinster acha “improvável” que as consequências de tudo isto “não tenham sido consideradas”. Assim sendo, esta ida a Roma comporta uma declaração implícita: “enquanto alguns anglicanos na Grã-Bretanha (e substancialmente mais na África) se opõem a que Dame Sarah seja arcebispo, por ela ser uma mulher, ela estará ao lado do Papa, sem dúvida o líder espiritual mais significativo em todo o mundo”.

Mas será que o sexo de Sarah Mullaly tem algum significado para a Igreja Católica?, pergunta ainda a analista. A resposta aponta para o facto de haver mulheres católicas romanas que “olham para a ordenação feminina anglicana como um ‘roteiro’ para a Igreja Católica”, o que – considera – “parece altamente improvável”. E lembra o recente trabalho de uma comissão criada em 2024 pelo Papa Francisco, que, em relatório entregue ao Papa Leão, “descartou a ordenação”.

No entanto, diz, Leão não recusa o debate e mostra-se aberto a fazer crescer o papel das mulheres na liderança da igreja, envolvendo-as na gestão dos departamentos do Vaticano, em vez de receberem ordens sagradas.

Crê-se que do encontro da arcebispa Sarah com o Pontífice possa sair uma declaração conjunta, como tem acontecido com encontros análogos, nas últimas décadas. Atendendo à relevância da agenda da construção da paz no pontificado de Leão e à solidariedade que a arcebispa teve há dias com o Papa, aquando do ataque que contra este o presidente Trump desferiu na sua rede social, é provável que as questões da guerra e da paz sejam objeto de compromisso entre as duas partes.

 

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