Gesto polémico

Arcebispo brasileiro dá a comunhão a muçulmano e explica porquê

| 6 Set 2023

padre prepara a comunhão, foto c Joaquin Corbalan

O Código de Direito Canónico estabelece que “quem não tiver recebido o batismo não pode ser admitido validamente aos demais sacramentos”. Foto © Joaquin Corbalan.

 

O arcebispo de Londrina (Brasil), Geremias Steinmetz, deu a comunhão ao xeque Ahmad Saleh Mahairi, fundador da mesquita da mesma cidade, na missa de exéquias do cardeal Geraldo Majella Agnello, arcebispo emérito de São Salvador, que faleceu no passado dia 26 de agosto. O vídeo do momento da comunhão foi partilhado nas redes sociais e tem vindo a suscitar inúmeras dúvidas e críticas, pelo que Steinmetz sentiu necessidade de emitir um comunicado em que cita o Papa Francisco para recordar: “ninguém conquistou um lugar para a última ceia” e é o próprio Jesus quem atrai todos os que vão à missa.

Na nota de esclarecimento, o arcebispo de Londrina começa por assinalar que “o xeque Mahairi conhecia dom Geraldo Majella desde a década de 1980 e estava no funeral do cardeal Agnelo como um amigo, pesaroso pelo sepultamento de outro amigo”, acrescentando que este “é um homem conhecido em vários âmbitos da sociedade e mantém respeitosa relação com a Igreja Católica”. Foi também como amigo que “participou da celebração eucarística e, adentrando à fila da comunhão, recebeu o corpo de Cristo”, refere.

Como as imagens do vídeo que circula nas redes sociais – e que pode ser visto abaixo – mostram o xeque a receber a hóstia consagrada, mas não a consumi-la, Steinmetz fez questão de esclarecer a situação com o mesmo. “Lamentando profundamente o ocorrido, pois o seu desejo não foi desrespeitar a Igreja Católica, o xeque Mahairi disse ao vigário geral que recebeu Jesus, foi até ao seu banco, sentou-se e consumiu a Eucaristia. Segundo ele, dom Albano [ex-arcebispo de Londrina, falecido em 2017] há muitos anos havia explicado que a Eucaristia é o corpo de Jesus, considerado um profeta para o Islão”, pode ler-se na nota.

 

Steinmetz prossegue depois recordando “o que o Papa Francisco nos ensina no seu último documento sobre a Liturgia, Desiderio Desideravi, de 2022″, e destaca: “ninguém havia conquistado um lugar para a última Ceia. Foram, antes, convidados, atraídos, pelo desejo ardente do próprio Jesus de comer aquela Páscoa com eles, cujo cordeiro é Ele próprio”. Assim, “antes da nossa resposta ao convite – muito antes – está o seu desejo por nós: até podemos não ter consciência disso, mas de cada vez que vamos à Missa a razão primeira é porque somos atraídos pelo seu desejo de nós”.

Assinalando que “a Eucaristia que se levanta, verdadeiro Corpo e Sangue de Jesus, é comungada pelo povo reunido em volta do altar também como sinal de caridade, desse amor irrepetível de Deus que se manifesta na Cruz de Jesus.”, o arcebispo conclui que esta “ensina o exercício nobre da caridade, alimenta a mansidão, conduz-nos à fraternidade e ao respeito a todos”, e pede que ela “seja para todos fonte de graça e de luz que ilumina os caminhos da vida”.

E volta a citar o Papa: “abandonemos as polémicas para escutarmos juntos o que o Espírito diz à Igreja, conservemos a comunhão, continuemos a maravilhar-nos pela beleza da Liturgia. Foi-nos dada a Páscoa, deixemo-nos guardar pelo desejo que o Senhor continua a ter de a poder comer conosco. Sob o olhar de Maria, Mãe da Igreja”. (Papa Francisco – Desiderio Desideravi, n.65)

O Código de Direito Canónico estabelece que “quem não tiver recebido o batismo não pode ser admitido validamente aos demais sacramentos”.

 

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