Arcebispo de Minsk retido na fronteira depois de ter apelado ao diálogo na Bielorrússia

| 31 Ago 20

Manifestações contra o Presidente Lukashenko, acusado de fraude eleitoral: 125 pessoas foram detidas no domingo. Foto reproduzida da página de Mary Ilyushina no Twitter.

 

Depois de um fim-de-semana de manifestações contra o actual Presidente Alexander Lukashenko – que reivindica ter ganho as eleições de 9 de Agosto, mas cujos resultados são considerados fraudulentos pela oposição – o arcebispo católico de Minsk, a capital da Bielorrússia, esteve retido nesta segunda-feira de manhã, durante várias horas, na fronteira do país com a Polónia, onde se deslocara.

“Os guardas devem defender os direitos fundamentais dos cidadãos, incluindo o direito de professar a sua fé, garantido pela Constituição”, afirmou o bispo Tadeusz Kondrusiewicz no posto fronteiriço de Kuznica Białostocka-Bruzgi, citado pela SIR, agência de notícias católica de Itália.

Na véspera, enquanto mais de 100 mil pessoas se manifestavam de novo, nas ruas da capital, reivindicando a saída de Lukashenko e a realização de novas eleições, o arcebispo apelava a que haja uma “próxima solução para a crise social e política que eclodiu no país nas últimas semanas”. Ao mesmo tempo, referiu “as dificuldades económicas em que a Bielorrússia parece estar a afundar-se” e alertou para a possibilidade de “um isolamento internacional do país”. Além disso, Kondrusiewicz estava preocupado com “as divisões dentro da sociedade” e relatou rumores que “provavelmente dariam origem ao risco de guerra civil”.

Durante a manifestação de domingo, foram detidas 125 pessoas, de acordo com a porta-voz do Ministério do interior, Olga Shemodanova, de acordo com informações da agência Lusa citadas no Diário de Notícias do Funchal.

Também no sábado, mais de 10 mil mulheres tinham marchado em Minsk, em protesto contra a violência policial e exigindo a libertação dos presos políticos. O protesto foi sempre acompanhado pela polícia, que tentou várias vezes bloquear e desmobilizar as manifestantes, que ostentavam flores, bandeiras e sombrinhas brancas e vermelhas, noticiou a TVI, citando agências internacionais.

“Estamos aqui contra a violência, exigimos a libertação dos presos políticos e, claro, novas eleições”, afirmou uma das manifestantes, Polina, profissional da música.

Lukashenko, no poder há 26 anos, diz ter sido reeleito para um sexto mandato, com 80% dos votos, mas a oposição considera que a eleição foi fraudulenta. Na sequência dos protestos, há milhares de pessoas detidas e centenas de feridos.

 

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