75 anos da bomba atómica: Nuclear não é “fantasma do passado”, alertam bispos católicos e protestantes

| 5 Ago 20

oracao desarmamento nuclear, Foto Vatican News sem creditos

Nos EUA, a Comissão para a Justiça e a Paz da Conferência Episcopal convocou para 9 de agosto um dia nacional especial de oração, estudo e ação pelo desarmamento nuclear. Foto: Vatican News.

 

 

Já passaram 75 anos sobre os bombardeamentos atómicos nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ocorridos a 6 e 9 de agosto de 1945, mas “a guerra nuclear e o uso de armas semelhantes como dissuasão não são fantasmas do passado”, sublinham a Comissão Episcopal Alemã para a Justiça e a Paz e o Conselho das Igrejas Ecuménicas na Alemanha num comunicado conjunto. Também no Japão, nos EUA, e um pouco por todo o mundo, os responsáveis por diferentes Igrejas cristãs revelam receios face às ameaças de destruição e apelam à abolição definitiva do armamento nuclear.

Atualmente, “ainda existem 16 mil ogivas nucleares que estão a adquirir uma importância estratégica cada vez maior” e esse “desdobramento preocupante” não pode deixar-nos “indiferentes”, afirmam os bispos alemães. O uso da energia nuclear como “arma de destruição de massa era e é eticamente injustificável”, defendem os responsáveis católicos e protestantes, e a sua utilização como “instrumento de estratégia política” é um ato “irresponsável”.

Os bispos referem ainda a existência de “uma escalada de violência” no mundo, com “novas ameaças” como a “guerra cibernética, o terrorismo, e os conflitos comerciais” e lamentam o “não cumprimento total dos acordos internacionais sobre armas nucleares”.

“Em memória das vítimas de agosto de 1945, hoje pedimos aos líderes políticos para darem passos sérios em direção a um mundo livre de armas nucleares. Isso exige um diálogo confiante e a vontade política de mudança”, cujo “primeiro e notável sinal” deveria ser “a aceitação e ratificação do Tratado das Nações Unidas sobre a proibição de armas nucleares também pela Alemanha”, pode ler-se na nota.

Também numa declaração conjunta, os líderes das conferências episcopais católicas de Inglaterra, Gales e Escócia dizem ser chamados “a refletir sobre a posse de armas nucleares por parte do Reino Unido” e a apelar, uma vez mais, à abolição das mesmas.

“O custo das armas nucleares deveria ser medido não apenas pelas vidas destruídas devido à sua utilização, mas também pelo sofrimento das pessoas mais pobres e vulneráveis, que poderiam ter beneficiado se tais avultadas somas de dinheiro público tivessem sido investidas no bem comum da sociedade”, sublinham.

Nos EUA, a Comissão para a Justiça e a Paz da Conferência Episcopal convocou para 9 de agosto um dia nacional especial de oração, estudo e ação pelo desarmamento nuclear. E em nome dos bispos católicos do país, também o presidente da conferência episcopal norte-americana (USCCB), o bispo José Gomez, assinou um comunicado onde pede que se busque “sempre o caminho da paz e alternativas ao uso da guerra como instrumento de solução dos conflitos entre nações e povos”.

Já no passado mês de junho, os bispos norte-americanos e europeus tinham emitido um comunicado conjunto pedindo “prioridade máxima” para o controlo de armas e desarmamento nuclear e alertando para o facto de o mundo permanecer “em grave perigo”.

Num tom mais positivo, a declaração dos bispos católicos do Japão para assinalar este aniversário recorda as palavras do Papa Francisco, proferidas na sua Mensagem para o 52º Dia Mundial da Paz, em 2019: “O processo de paz é um trabalho paciente de busca da verdade e da justiça, que honra a memória das vítimas e que se abre, passo a passo, a uma esperança comum, mais forte do que a vingança”. Inspirados por elas, afirmam-se otimistas: “Certamente são os seres humanos que causam a guerra, mas não somos também nós os que podemos detê-la?… Esta é a nossa convicção inabalável”.

 

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