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Catedral de São Salvador, em Shusha (Nagorno-Karabakh, Arménia/Azerbaijão)

Arménios deslocados de Nagorno-Karabakh temem a destruição das suas igrejas medievais

| 03/01/2021

Mosteiro de Gandzasar, em Vank (Nagorno-Karabakh, Arménia/Azerbaijão)

Mosteiro de Gandzasar, em Vank (Nagorno-Karabakh, Arménia/Azerbaijão). Foto © Helena Araújo, cedida pela autora.

Uma guerra de seis semanas em Nagorno-Karabakh, uma região montanhosa no sul do Cáucaso, terminou em 9 de novembro último, na sequência de um acordo de paz entre a Arménia e o Azerbaijão, com a Rússia como intermediária.

Mediante esse acordo e desde que ele foi assinado, várias províncias de etnia arménia em Nagorno-Karabakh, que os arménios designam por Artsakh, foram entregues ao Azerbaijão. Este é o capítulo mais recente de um conflito que data de há pelo menos um século. De facto, foi precisamente em 1921 que as novas autoridades surgidas da revolução russa e prestes a fundar a União Soviética, declararam Nagorno-Karabakh parte do Azerbaijão, apesar da sua maioria étnica ser arménia (como se explicou num texto publicado há três semanas no 7MARGENS).

Desde então, o território tem sido palco de manifestações maciças, acordos internacionais fracassados ​​e uma guerra intensa, entre 1992 a 1994. A tragédia humana foi devastadora. Só nos combates de 2020, mais de 5.000 soldados morreram e mais de 100 mil pessoas foram deslocadas.

Mosteiro de Gandzasar, em Vank (Nagorno-Karabakh, Arménia/Azerbaijão)

Mosteiro de Gandzasar, em Vank (Nagorno-Karabakh, Arménia/Azerbaijão). Foto © Helena Araújo, cedida pela autora.

 

Segundo Christina Maranci, especialista e docente em arte e arquitectura arménias, na Universidade de Tufts, nos Estados Unidos da América, “embora a guerra tenha acabado, o rico património arquitetónico da região continua em risco. Organizações de património temem que as numerosas igrejas históricas arménias, mosteiros e lápides da região possam enfrentar danos ou destruição, agora que estão fora das mãos dos armênios”. Num artigo publicado no The Conversation, Maranci escreve que a guerra já havia danificado muitos monumentos arménios.

A histórica Catedral de São Salvador, em Shusha, uma das maiores catedrais arménias do mundo, terá sido danificada no último conflito. Foto © Helena Araújo, cedida pela autora.

 

No outono, as ofensivas do Azerbaijão bombardearam a antiga cidade de Tigranakert, fundada no primeiro século a.C. pelo rei arménio Tigranes, o Grande. Também danificaram a histórica Catedral de São Salvador, em Shusha, uma das maiores catedrais arménias do mundo.

Outra igreja próxima, do século XIX, conhecida como Kanach Zham e dedicada a São João Batista, também parece estar danificada. “Os monumentos arménios de Nagorno-Karabakh fazem parte da tradição arquitetónica mais ampla da arte e arquitetura arménias”, contextualiza a autora do artigo que vimos citando e que há mais de 20 anos conduz pesquisas e trabalho de campo em regiões históricas da Arménia, incluindo Nagorno-Karabakh (como se pode ver no vídeo que reproduzimos a seguir:)

 

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