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Arquidiocese de Braga, Igreja das Caxinas

Assembleia nas Caxinas, este sábado

Arquidiocese de Braga propõe caminho até ao bimilenário da Ressurreição de Jesus

| 29/11/2023

Arquidiocese de Braga, Igreja das Caxinas

Cartaz da Assembleia Arquidiocesana de Braga 02 12 2023, com imagem da Igreja das Caxinas, onde a assembleia se realiza. Foto: Direitos reservados. 

A Arquidiocese de Braga promove este sábado, 2 de dezembro, nas Caxinas (Póvoa de Varzim), a sua segunda assembleia aberta, que lançará um processo de natureza sinodal a dez anos, que culminará na Páscoa de 2033, ano da grande celebração dos dois mil anos da Ressurreição de Cristo.

A assembleia, que marca o dia da Arquidiocese e abre o ano litúrico e o ano pastoral, vai decorrer a partir das 9h, na Igreja das Caxinas, do arciprestado de Póvoa de Varzim-Vila do Conde, sendo aberta a todos os membros da Igreja Católica da diocese. Nela vai ser apresentada uma proposta com seis “trilhos” ou vertentes, enquadrados no tema geral “Juntos no caminho de Páscoa” e o subtema “Levar Jesus a todos e todos a Jesus”.

Esta assembleia terá uma natureza predominantemente celebrativa daquilo que os católicos são, “como povo santo de Deus, como ligação entre as paróquias – um problema que aparecia nas sínteses das equipas sinodais, que referiam um certo afastamento relativamente à Arquidiocese como um todo”, disse ao 7MARGENS o padre Sérgio Torres, que é o secretário do Conselho Diocesano de Pastoral e o coordenador da equipa sinodal da Arquidiocese, além de pároco da paróquia de S. Vítor, na cidade de Braga.

O presbítero explicou a este jornal que a vida diocesana tem vindo e continuará a adotar dois tipos de assembleias, ambas de periodicidade anual: a que inaugura os anos litúrgico e pastoral, no sábado anterior ao primeiro domingo do Advento, “com uma tonalidade mais celebrativa e comemorativa”; e outra, a meio do ano, que se tem chamado sinodal, mais voltada para a escuta, tendo presente “o que está ou não está a funcionar, as boas práticas, e de que forma é que a diocese pode apoiar as paróquias no seu trabalho pastoral”. A próxima assembleia sinodal, que será a terceira, está programada para meados de junho de 2024.

Sobre as linhas fundamentais que irão nortear o plano de pastoral que havia sido anunciado para os próximos dez anos, na segunda assembleia sinodal, em setembro último, e será agora dado a conhecer, o padre Sérgio Torres começou por explicar que, ao contrário do que tem acontecido no passado, desta vez, não se pretendeu “traçar um programa muito estruturado ou delineado ao pormenor porque a ideia é ir fazendo caminho.”

Esse caminho passa a ter um objeto comum: “Juntos no caminho de Páscoa” e sabendo que “a Igreja existe para evangelizar”, ou seja “levar Jesus a todos e todos a Jesus”. Para esse caminho, serão propostos, então, seis trilhos, que segundo o responsável pastoral da diocese, saíram da última assembleia sinodal, a saber: participação ativa e criativa; avaliação sobre a missão; serviço e acolhimento de todos; conversão ao Evangelho; oração e vida espiritual; e alargamento dos horizontes da missão.

Como se irá trabalhar? Assumindo que se trata de temas “amplos”, que terão de ser concretizados localmente, o padre Sérgio sublinha que a ideia é colocar, em cada paróquia, o desafio a todos: “O que é que tu podes fazer para levar Jesus a todos e todos a Jesus, no que diz respeito à conversão ao Evangelho, quanto à oração e vida espiritual? O que é que podes fazer quanto a servir e acolher os pobres, de maneira que Jesus possa chegar a todos? O que é que dentro da tua comunidade podes fazer quanto à participação ativa e criativa, à escuta, ao caminho em conjunto?”

Se “o caminho se faz caminhando” e se faz com passos que é necessário dar, poderá ser necessário, admite aquele presbítero, “refletir com as paróquias e ajudá-las a traçar alguns desses passos para percorrer este caminho de Páscoa”.

O espírito desse caminho é, segundo o responsável, “permitir que cada paróquia, com as suas riquezas, com a sua forma de fazer as coisas, a partir da sua realidade (paróquias urbanas, semiurbanas, rurais), vá decidindo também em conselho pastoral, com a sua própria equipa, que caminho percorrer para alcançar o objetivo comum”.

“A ideia, frisou ainda, é que há muitos caminhos para chegar ao objetivo. O caminho de Páscoa que vamos percorrer terá um pouco esta lógica: permitir que cada paróquia, com as suas riquezas, com a sua forma de fazer as coisas, a partir da sua realidade (paróquias urbanas, semiurbanas, rurais), vão decidindo também em conselho pastoral, com a sua própria equipa, que caminho percorrer para alcançar este objetivo”.

Ainda assim, nem tudo ficará à iniciativa local, quanto ao que fazer e ao modo como fazer. De facto, nos dois primeiros anos deste plano (que Sérgio Torres prefere chamar proposta), há já temáticas pré-definidas, dadas as circunstâncias que a diocese quer aproveitar. Assim, em 2024, o foco vai estar bastante polarizado na Eucaristia, visto que se vão celebrar em Braga os cem anos dos congressos eucarísticos em Portugal (que ali começaram em 1924). “Portanto, haverá uma tonalidade eucarística no nosso caminho de fé”, diz ele. Por outro lado, o ano de 2025, será ano de Jubileu, convocado pelo Papa, “Peregrinos de esperança”. Por isso nesta diocese vai-se procurar integrar esse acontecimento e o que ele significa no “caminho de Páscoa” que já estará, então, em velocidade de cruzeiro.

O 7MARGENS questionou o padre Sérgio Torres sobre o facto de se ir para uma assembleia sem conhecer previamente o documento que vai ser apresentado, facto que já não é a primeira vez que sucede. O nosso interlocutor começou por chamar a atenção para o facto de este grande encontro diocesano não ser, como as assembleias sinodais, para escutar e debater, mas mais para celebrar a vida diocesana, nomeadamente na oração, no canto e na escuta do arcebispo.

“Há coisas – reconheceu – que estamos a aprender a fazer e a fazer de novo, há coisas que não estavam na nossa forma de trabalhar, que teremos de interiorizar, sem dúvida, todos estes processos – a divulgação, a preparação dos documentos com mais antecedência – há aqui uma série de coisas a melhorar.” E acrescentou: “Acredito que vamos conseguir dar passos no sentido de agilizar os processos e melhorar a qualidade daquilo que vamos fazendo à medida que vamos interiorizando esta dinâmica de trabalho conjunto, para que as pessoas possam participar com antecedência e conhecer bem aquilo que está em cima da mesa a ser conversado”.

E em jeito mais testemunhal, acrescentou: “Vou percebendo que uma das coisas deste caminho, mesmo aqui na paróquia, é a lentidão dos processos, mas caminhar juntos implica também um pouco isso. Isto é, se fosse para preparar alguma coisa, rapidamente se prepararia, mas como é para preparar com outros e unidos a outros, as coisas levam mais tempo. Mas é normal e será sempre um ritmo a que, na Igreja, nos teremos de habituar, para caminhar com toda a gente”.

 

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