Prémio especial da revista "Le Pélérin"

Arquiteto ucraniano inventaria igrejas destruídas pela guerra

| 29 Out 2022

Andrii Shtendera, Ucrânia, Património, Arte sacra

Andrii Shtendera tem registado os edifícios religiosos destruídos pela invasão russa do seu país, o que lhe valeu o prémio. Foto: Direitos reservados.

 

A revista francesa Le Pélérin entregou há dias os prémios do património a seis projetos espalhados pela França. Nesta edição de 2022 houve, contudo, um prémio especial e extraordinário: o que reconheceu o contributo de um jovem arquiteto da Ucrânia, que tem trabalhado para salvar património religioso atingido pelos efeitos dos bombardeamentos russos.

Chama-se Andrii Shtendera, tem 27 anos, mora em Lviv, na parte mais ocidental do país, que é também a cidade onde se formou, e coordena, com peritos franceses, uma equipa que está a “identificar edifícios e monumentos danificados ou destruídos pela guerra”.

Cruzando informações oficiais com as de académicos e arquitetos, que vão surgindo nas redes sociais, eles procuram dar uma ideia da extensão do desastre. Para já registaram 97 edifícios afetados nas cidades de Kharkiv, Chernihiv, Mykolaiv, Sumy e Mariupol. No entanto, essa é apenas uma parte do problema: as autoridades do país contabilizaram, em agosto último, 205 edifícios religiosos destruídos ou danificados.

“Os edifícios religiosos fazem parte da cultura e da identidade ucraniana. Temos de protegê-los e reconstruí-los”, diz Andrii Shtendera, em declarações a Le Pélérin.

“Felizmente, na minha zona, não há muitos danos. Mas, os vitrais e as portas da Igreja da Santíssima Trindade, em Lviv, foram danificados por um míssil que caiu nas proximidades, em maio passado”, acrescenta o jovem arquiteto.

Explicando as razões pelas quais a revista decidiu incluir, nesta edição dos prémios do património de 2022, a situação da Ucrânia, um editorial explica:

“Em Le Pèlerin, estamos convencidos de que a destruição de edifícios notáveis ​​é uma tragédia humana: órfãos dos seus entes queridos, os povos de países em guerra também se tornam órfãos do seu passado. É por isso que inscrevemos a 32ª edição do Grand Prix Pèlerin du Patrimoine sob o signo da solidariedade com a Ucrânia.”

“Restaurar o campanário da aldeia e optar por tornar-se aprendiz do património” – observa o editorial – “é desejar que todos possam conservar também os prodígios do seu passado. A cultura não é um luxo, é uma parte de nós mesmos. Comprometer-se na sua proteção é reprimir a barbárie.”

Nossa Senhora do Bom Conselho, Notre Dame de Paris, património, vitral, arte

Vitral de Nossa Senhora do Bom Conselho, da catedral de Notre Dame, um dos projectos premiados por “Le Pélérin” nos seus prémios do património. Foto: Direitos reservados.

 

Le Pélérin promove desde 1990 os prémios do património das regiões de França, reconhecendo projetos de restauro e recuperação levados a cabo por associações e municípios. Segundo a publicação, mais de 300 projetos foram já apoiados e acompanhados. O júri é presidido por Philippe Bonnet, curador-chefe do património, e contou, na edição deste ano, com o patrocínio de Stéphane Bern, ativista e animador especializado em história e património.

Em 2022, entre outros projetos laureados, destaca-se a restauração dos vitrais de Notre-Dame e a restauração do retábulo de Francisco de Assis, em Roubaix.

 

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